Os desafios dos bancos com o avanço da tecnologia | Pág. 4

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10:02 am - 23 de julho de 2008

Túnel do tempo

As informações oferecidas pelos executivos de TI ainda consideram um

horizonte bastante mais próximo do que daqui a 15 anos. Talvez parte

disto seja devido à dificuldade natural de se estabelecer planos em um

período tão longo ? ainda mais em um País e em uma região em constante

ebulição. A dificuldade de hoje fica mais clara quando olhamos para o

passado. Em 1993, imaginar o Brasil como um destaque na economia entre

os países emergentes seria uma visão bastante otimista. Também era

difícil prever que o número de celulares no País chegaria a 127 milhões

de unidades.

Fatores externos, como a própria evolução da informática, afetam

diretamente o planejamento das instituições financeiras. Há 15 anos, o

computador deixava de ser um gadget restrito aos aficionadas por

eletrônica e entrava na lista de compras de pessoas que ainda tinham

pouca ou nenhuma afinidade com o mundo digital. Era visto como um item

de status e um diferenciador. De lá para cá, muita coisa mudou. Os

computadores são vendidos quase antes mesmo de outros eletrônicos, como

a televisão, até pela questão da redução de custos.

Em 1993, um 486, o equipamento mais avançado da época, custava o

equivalente a cerca de R$ 10 mil. Hoje, compra-se uma máquina completa

por R$ 699. Com isso, as vendas explodiram ? em 2007, foram vendidos

cerca de 10 milhões de máquinas, 22 vezes mais do que o volume de 1993.

Neste período, os bancos se consolidaram, cresceram e se

diversificaram. Em 1996, o Brasil possuía pouco mais de 2,4 mil

instituições autorizadas. Hoje, o patamar é mais ou menos o mesmo ?

reduziram-se o número de alguns tipos de instituições, como bancos

múltiplos, comerciais, de investimento, e outras ingressaram no

mercado, caso das agências de fomento e de sociedades de crédito ao

microempreendedor.

Os bancos de varejo, que estavam restritos às classes A e B, hoje vêm

conquistando as classes C e D, um público que antes estava restrito por

uma série de questões burocráticas.

Além disso, em 1993 a inflação ainda era um dragão que tentava ser

domado e as organizações do setor financeiro se lembram muito bem,

afinal eram as que mais corriam para obter eficiência e sistemas

seguros e não ser prejudicados com as taxas, que ultrapassaram os 700%

anuais. ?Enquanto um banco da Europa ou dos Estados Unidos podia

compensar um cheque em 35 a 40 dias, nós tínhamos que processar tudo no

mesmo dia, o quanto antes?, recorda-se Cezar, que está no Bradesco

desde a década de 1960.

Muita coisa mudou nos últimos quinze anos, mas a História mostra que

compreender o passado é o passo inicial para antever o futuro. Afinal,

ao se analisar quais serão os mais prováveis cenários, criando o

planejamento estratégico, esboçamos uma análise dos caminhos possíveis.

Resta, então, identificar quais ferramentas permitirão mudar a rota,

quando e se necessário.

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