Categories: Notícias

Oportunidade: desenvolvedores web devem sair das “amarras” de grandes empresas

Não há questionamentos de que os jogos móveis, bem como a computação móvel em geral, representam uma grande oportunidade de mercado. O que não é tão certo é se as empresas emergentes serão capazes de aproveitar a oportunidade ou se estão escravizadas por outras plataformas.
Na conferência MobileBeat/GamesBeat de Venture Beat, em São Francisco (Estados Unidos), que ocorreu na última semana, o veterano da indústria de jogos Trip Hawkins, CEO da Digital Chocolate, foi questionado se concordava com a afirmação de seu colega Bing Gordon, que disse que esta é “ a era de ouro dos jogos”.

Hawkins afirmou que a era de ouro dos jogos ocorreu quando a revolução do computador pessoal começou, ou seja, nos anos 80. Voltando à época do disco flexível, ele disse que “era uma plataforma livre e podíamos fazer o que tivessemos vontade”.

Ele apontou a Nintendo como a empresa que mudou as coisas por meio de seus acordos de licença de software. Nos dias atuais, esses acordos são a norma; os desenvolvedores estão ligados por meio de laços legais e devem render direitos e receitas para os proprietários das plataformas.

“Estamos basicamente numa era negra feudal. Você não possui a terra na qual semeia, esse é o grande problema”, lamentou-se Hawkins.

Os senhores feudais – sob a visão de Hawkins – são os proprietários das plataformas, ou seja, a Apple, a Microsoft, a Sony, a Nintendo, entre outros. E os proprietários das plataformas estão em guerra.

“Não há dúvidas de que há uma guerra em andamento. Há uma guerra pelo coração e mente dos desenvolvedores”.

O Google se encontra no meio também, apesar de sua posição ser mais ambígua. Porém, segundo Hawkins,  sua principal função é reduzir a parcela da Apple no mercado móvel.

O que o Google quer é que mais dispositivos tenham um bom navegador. Nesse ponto, ele disse que o Google e o Facebook, também inúmeras vezes mencionados como inimigos, compartilham um interesse comum, sugerindo que ambas as empresas são focadas em navegadores.

Segundo Hawkins, o navegador representa a liberdade, a posse de sua própria terra.

Isso tem importância para o típico desenvolvedor? Provavelmente não.  A Apple não força os desenvolvedores a encherem a App Store com centenas de milhares de apps, eles que aceitam os termos da empresa e submetem seus aplicativos praticamente sem protesto. A liberdade não é um ganho importante para a maioria dos desenvolvedores. Da mesma forma, os desenvolvedores continuam a criar jogos para outras plataformas restritas.
Longo termo

Mas Hawkins pensa a longo termo. Ele pensa no valor das ações em vez de pagamentos feitos pela empresa que cobrem o aluguel. Depois de falar sobre grandes empresas que foram criadas na rede, como a Amazon, eBay e o Google, ele perguntou. “Quantas grandes empresas de software surgiram por trás da Nintendo? Acho que nenhuma”.

Quantas grandes empresas surgiram por trás da Apple e da iTunes App Store? Ainda não há resposta para essa pergunta.

O moderador da discussão, Dean Takahashi, apontou a Zynga como uma empresa que cresceu sobre a plataforma –  Facebook –  de outra pessoa. Mas Hawkins contra-argumentou que a Zynga é a exceção que prova a regra. “A Zynga tirou vantagem de um erro que o Facebook cometeu”, ele disse, observando que a política do gigante de mídia social mudou.

Ainda assim, a plataforma escolhida por Hawkins – a web – ainda está atrás de plataformas nativas em algumas áreas críticas.

Aplicações nativas

Sayeed Chordhury, diretor de gerenciamento de produto para tecnologias de rede da Qualcomm, afirmou para participantes da conferência que mesmo com as diferenças entre apps de rede e nativos tendo diminuído, ainda há razões para construir aplicações nativas. Ele disse que ferramentas de fluxo de trabalho e desenvolvimento para apps abertos de rede não são nem de perto tão poderosas quanto as ferramentas nativas de desenvolvimento, uma situação que ele caracterizou como uma oportunidade significativa.

Keith Rabois, COO da empresa de pagamento móvel Square, também expressou seu ceticismo em relação ao fato de o desenvolvimento HTML5 estar pronto para substituir o desenvolvimento de um app nativo em dispositivos móveis.

“É praticamente impossível que apps de rede tenham pixels perfeitos”, disse, observando que levou apenas duas semanas para a Square desenvolver um aplicativo de rede para registrar o serviço de pagamento da empresa.

Hawkins concluiu sua entrevista incitando os desenvolvedores a “tentar achar um caminho para a liberdade”. Entretanto, seguir o caminho em direção aos aplicativos de rede pode lhe levar por um caminho tortuoso, pelo menos até que as ferramentas de desenvolvimento de HTML5 tornem a jornada mais fácil.

ð        Você tem Twitter? Então, siga http://twitter.com/IT_Web e fique por dentro das principais notícias de TI e telecom.

Recent Posts

SpaceX, Anthropic e OpenAI enfrentam riscos em possíveis IPOs

SpaceX, Anthropic e OpenAI estão no radar de Wall Street para possíveis aberturas de capital…

10 horas ago

Sistemas legados: como tomar decisões para garantir resiliência em setores críticos

por Eduardo Honorato Falar sobre infraestruturas críticas na Era Digital tem sua própria complexidade dentro…

13 horas ago

Sem equipes preparadas, IA não entrega transformação

A adoção de inteligência artificial (IA) nas empresas não depende apenas da disponibilidade de ferramentas.…

15 horas ago

Cohesity obtém patente para aplicar IA diretamente em dados de backup corporativos

A Cohesity anunciou a concessão da Patente Nº 12.619.501 pelo Escritório de Patentes e Marcas…

1 dia ago

Para Diogo Cortiz, maior desafio da IA é a falta de capacidade crítica para questionar suas respostas

Diogo Cortiz, professor da PUC-SP e doutor em Tecnologias da Inteligência e Design Digital, tem…

1 dia ago

Agentes de IA vão dar “superpoderes” a profissionais de TI, diz DJ Sampath, da Cisco

DJ Sampath chegou aos Estados Unidos há 30 anos com oito dólares no bolso e…

2 dias ago