O Firefox 4 está na praça

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11:30 am - 27 de março de 2011

Desempenho e padrões

Por último, mas não menos importante, há que ver como evoluiu o Firefox no que diz respeito à melhoria de desempenho e conformidade com os novos padrões.

Quanto ao desempenho, indiscutivelmente melhorou. Segundo a Mozilla, a nova versão está “mais de seis vezes mais rápida” que a anterior. E isto graças, essencialmente, aos mesmos recursos utilizados pelo IE9 e já discutidos aqui: gerenciamento mais eficiente de objetos JavaScript (seu novo motor de JavaScript foi batizado de “JagerMonkey”, um nome tão estranho quanto o “Chakra” do IE), suporte a ECMAScript5 e, como seria de esperar, aceleração de hardware.

De fato, acelerou. E muito.

Repetindo com o Firefox 4 os mesmos testes disponíveis na página “Internet Explorer Test Drive” citada na coluna anterior, percebe-se uma melhora significativa em relação à versão 3.x. O problema é que esta melhoria ainda não foi suficiente para alcançar o avanço do IE9.

Isto fica claro comparando os resultados obtidos com alguns dos testes de rapidez (“Speed Demos“) da página “Internet Explorer Test Drive”. E não cabe dizer que a página não é confiável porque foi desenvolvida pela MS para demonstrar as excelências de seu navegador pois se fosse assim o desempenho pífio da versão 3.x do Firefox teria se repetido na versão 4. E isto claramente não ocorre.

Verifique por si mesmo. Se é que ainda não o fez, instale a versão 4 do Firefox e a versão 9 do IE, abra os dois navegadores em duas janelas colaterais, visite a página de testes, clique em “Speed Demos” (e não deixe de reparar no último atalho, “More Speed Demos”, que leva a dezenas de outros testes de rapidez), escolha alguns testes e execute-os em ambos os navegadores.

Há casos em que isto não é possível. Por exemplo: o teste “Window Performance”, que mede o tempo que as páginas levam para serem carregadas, não pode ser executado no Firefox porque nele ainda não foi implementada a interface “Navigation timing” desenvolvida pelo W3C. E há casos em que o desempenho do Fireworks supera o do IE9, como o do teste “Shakespeare Tag Cloud”, em que uma “nuvem” de palavras é criada a partir de um texto de Shakespeare no qual o Firefox é cerca de três vezes mais rápido que o IE9 (na minha máquina, a nuvem de palavras baseada no texto extraído da comédia “Cymbeline” foi criada em 78 ms pelo IE e em apenas 24 ms pelo Firefox) ou do teste “HTML5 Sudoku”, onde o IE9 resolveu os quebra-cabeças em 10,551 s enquanto o Firefox o fez em inacreditáveis 1,543 s.

Mas estes foram a exceção, não a regra. Procurando apenas os testes que não dependiam da atuação do usuário e apresentavam resultados numéricos, que podiam ser aferidos, cheguei aos seguintes resultados (obtidos nesta máquina que vos escreve; na sua os valores podem ser diferentes):

  • no teste “Psychedelic Browsing” registrou-se um virtual empate: o IE9 rodou em 1.810 RPM contra 1.774 RPM do Firefox 4 (no modo “alucinogênico”: 610 para o IE, 599 para o Firefox);
  • o teste “Preschool”, que apela para os recursos de áudio e vídeo da HTML5, foi executado pelo Firefox em 10,795 s enquanto o IE9 o executou em 3,985 s;
  • no teste “Mr. Potato Gun” tanto o IE quanto o Firefox rodaram em 60 quadros por segundo, mas o Firefox obteve apenas 14.704 pontos em 18,6 s enquanto o IE marcou 45.486 em 19,2 s;
  • o teste “Maze solver”, que avalia a capacidade de manejar estruturas “desenhadas” exclusivamente com os recursos das CSS, em um labirinto de 30×30 quadros o IE9 encontrou a solução em 18 s enquanto o Firefox levou 153 s;
  • no teste Galactic (aliás, belíssimo; se você tem uma boa placa de vídeo e uma tela de alta resolução, recomendo pela beleza das imagens) os planetas atingiram uma “velocidade” de 301,45 km/s no IE9 e apenas 189,39 km/s no Firefox;
  • o teste “Pulsating Bubbles” não apresenta resultados numéricos. Mas rodando ambos lado a lado com o mesmo número de “bolhas” e no mesmo nível de ampliação (“zoom“), percebe-se claramente que as elipses se movimentam mais rapidamente na janela do IE9;
  • e, finalmente, meu preferido: o “FishIE Tank”. Como mostrado na Figura, com um aquário povoado com mil peixes (o único valor que chegou a mostrar diferença), o IE9 consegue gerar 53 quadros por segundo enquanto o Firefox apenas chega a 44 quadros por segundo (e, curiosamente, como se percebe na figura, para mostrar o que teoricamente seria a mesma resolução, de 790×765 pixels, o Firefox exibe uma imagem bastante mais reduzida, fato para o qual não encontrei explicação).

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Em resumo: comparando os resultados dos testes que independem da interferência do usuário, o IE9 mostrou-se significativamente mais rápido que o Firefox 4.

Por outro lado, mesmo com um desempenho ainda inferior ao do IE9, a versão 4 do Firefox representa um avanço extraordinário em relação à 3.x.

Já no quesito “aderência aos novos padrões”, e ainda apesar da enorme evolução experimentada entre as versões 8 e 9 do IE, este continua sendo vergonhosamente batido pela concorrência, seja pelo Chrome, o indiscutível campeão, seja, agora, pelo Firefox 4.

Isto pode ser claramente observado com uma simples visita ao sítio “The HTML5 test“, que nada faz exceto aferir a conformidade do programa navegador que está efetuando a visita com o padrão HTML5. O sítio faz isto simplesmente interrogando o programa sobre o suporte a cada um de 400 recursos do novo padrão e atribuindo um ponto a cada recurso suportado.

O campeão indiscutível ainda é o Chrome, com seus ainda imbatíveis 288 pontos de um máximo possível de 400, seguido de perto pelo Firefox 4 com seus notáveis 255 pontos. E longe, na rabada, vem o pobre IE9, com seus míseros 130 pontos.

Uma derrota vergonhosa.

É verdade que, para o bem do IE9, o sítio lista cada um dos recursos suportados e não suportados agrupados por categorias. O que permite ao observador atento perceber que, nas categorias mais visíveis e de uso mais geral, como Canvas, Vídeo, Áudio e Novos Elementos, o IE9 não faz feio e ou empata ou até mesmo supera a concorrência. Mas nas categorias Formulários, Armazenamento, “web workers” (uma interface que permite que rotinas, ou “threads”, rodem como um processo em segundo plano no programa navegador) e “web applications”, o IE9 faz vergonha. E bota vergonha nisso.

É certo que as categorias em que o IE9 apanha feio são justamente aquelas utilizadas no desenvolvimento de sítios interativos, cuja interatividade, presumo, a MS espera suprir com sua tecnologia Silverlight. Portanto, a falta de aderência aos padrões na maioria das situações sequer será percebida pelo usuário.

Mas nada justifica dar as costas aos padrões. Muito pelo contrário. A bem da verdade o IE não os abandonou, como é fácil perceber comparando suas versões 8 e 9. Mas, como se vê nos parágrafos acima, ainda não foi o bastante. Seguramente é preciso fazer mais.

O fato inconteste, no entanto, é que dados os trâmites por findos percebe-se que há três programas navegadores disputando renhidamente o mercado das máquinas da linha PC: Chrome, Firefox e IE.

O Chrome, cujo número de usuários não cessa de crescer desde o lançamento, é um excelente navegador. E agora os outros dois contendores lançaram suas novas versões carregadas de recursos.

Resultado: pela primeira vez há na praça três programas navegadores disputando o mercado e, preferências pessoais à parte, todos os três, sem favor nenhum, podem ser considerados primorosos.

Comemoremos.

Pois quem ganha com isto, não importa qual seja o navegador que mora no coração de cada um de nós, é o mercado.

E ganhar para variar, não deixa de ser uma coisa boa e nova. Pois, sempre é bom lembrar: o mercado somos nós. Que, no que toca ao embate com as empresas de tecnologia, estamos mais acostumados a apanhar que a ganhar…

Aproveitemos, pois…

B. Piropo

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