O desafio da revolução digital

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4:18 pm - 10 de setembro de 2010

Mudança de comportamento

É muito difícil antecipar como um usuário reagirá a uma mudança de comportamento. Aquele fabricante ou prestador de serviço que souber a resposta terá um mercado imenso e promissor pela frente. Vejam como era simples no passado: o usuário comprava uma câmera qualquer, comprava filmes e baterias (dependendo da câmera) na loja de revelações em uma hora e depois retornava a essa loja para revelar o filme e obter as fotos impressas em papel fotográfico.

Agora lidamos com baterias recarregáveis de diversos formatos, muitos deles proprietários de certas marcas e que requerem um carregador próprio, e com cartões de memórias que custam dezenas de vezes mais do que um filme comum. Às vezes até centenas de vezes mais, e são escolhidos com base pesquisa técnica, recomendações de especialistas, etc, para que o desempenho deles na sua câmera seja o melhor possível, isso sem contar no custo da câmera que é muito maior do que a sua equivalente “analógica”.

A indústria está apostando nos quiosques, desses que você enfia o cartão em uma das oito ou mais bocas existentes no painel e espera que o tal usuário saiba selecionar uma a uma entre as centenas de fotos que ele tirou quais as que serão reveladas, digo, impressas. E mais, ainda espera que ele saiba interagir com o menu do quiosque, corrigindo olhos vermelhos, aplicando efeitos e bordas antes de imprimir. Quanto tempo o usuário ocupará o tal quiosque? Uns 40 minutos? Essa fila não vai andar…

Uma outra opção é o usuário entregar seu caro e querido cartão de memória a um operador de loja de revelação, que devemos começar a chamar de lojas de impressão, para que ele imprima todo o conteúdo ou mostre uma lista com as amostras de quais fotos deverão ser impressas. Quanto tempo esse processo de seleção levará? Terei que deixar um cartão de 200 dólares com esse operador e só pegar na volta? E se ele formatar o cartão e eu perder as imagens que não estava imprimindo naquela hora? Imagine se ele estragar o cartão, ou perder…

Para quem tem computador e conhece softwares como Photoshop ou PaintShop Pro, o problema é muito menor, mas ainda vai requerer uma forma qualquer de levar as imagens selecionadas e corrigidas para a loja de impressão. A Sandisk está comercializando cartões de memórias extremamente baratos e de baixa performance, ideais para fazer o transporte ou armazenar definitivamente as fotos. A idéia é que cada álbum esteja contido em um cartão desses, e pode ser usado em um notebook ou Palm para apresentar seu conteúdo. O custo de um cartão Compact Flash de 64 MB desse tipo está aqui no Brasil em cerca de 110 reais apenas, suficiente para armazenar ou transportar mais de 40 fotos de 4 megapixels, ou quase 100 fotos de dois megapixels. Esse cartão não é aquele que temos na máquina, muito mais rápido, de maior capacidade e caro, mas até é compatível caso o formato seja o mesmo. Essa questão do formato também é interessante, pois a maioria das lojas terá sempre os leitores padronizados, cerca de oito formatos atualmente, mas sempre poderá existir um novo padrão em uma câmera recém lançada que não será suportada. Usar um cartão de transporte em um formato clássico, como o Compact Flash, é uma ótima opção e ele pode ser carregado em um leitor de cartão USB ligado ao Palm, notebook ou PC.

A alternativa de fazer o upload para um serviço de impressão baseado na Internet também agrada, mas imagine imprimir 40 fotos de uma câmera de 6 megapixels com cada foto ocupando quase 2 MB de dados, são mais de 60 MB de upload que vão consumir mais de uma hora de conexão banda larga típica, que fornece para upload metade da banda de download.

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Resta a opção de imprimir em casa, mas o custo é muito mais alto e sempre será, por causa dos ganhos de escala. Uma impressora jato de tinta oferece uma qualidade média, dependendo muito da qualidade da tinta (original ou não) e do papel utilizado, que é diferente do padrão fotográfico. As impressoras de sublimação térmica têm a vantagem de oferecer uma qualidade quase idêntica ao de um laboratório profissional e o usuário sabe exatamente quanto custa cada impressão, pois os kits são vendidos para um determinado número de fotos. Em média o custo de uma impressão residencial é duas vezes e meia mais alto do que uma feita em laboratório, e como essa tende a reduzir de preço gradativamente, a diferença deve aumentar. Para uma loja de impressão que possua um mini lab digital, o custo de imprimir uma foto analógica ou uma digital é o mesmo, portanto não será difícil encontrar impressões por 50 ou 60 centavos em pouco tempo. É só a concorrência aumentar.

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