O desafio da revolução digital

PhotoImage Brazil: uma feira em transformação
Os empresários e executivos do setor fotográfico nacional marcam presença anualmente, junto com fotógrafos e outros profissionais do ramo, na PhotoImage Brazil, nosso maior evento de fotografia. A feira, realizada junto com o Congresso Brasileiro de Foto e Imagem, inicialmente acontecia a cada dois anos, o que era mais do que suficiente para o ritmo das novidades da área. Com o início da revolução digital e a chegada cada vez mais rápida dos lançamentos no Brasil, o evento passou a ser anual e a dedicar mais e mais espaço a essa nova realidade da fotografia. Em sua 12ª edição, a primeira aberta ao público em geral (e apenas no último dia), o interesse pelo mundo digital era tanto que alguns tradicionais expositores, como fabricantes de álbuns, porta-retratos e até fantasias para estúdios fotográficos, que têm na feira sua maior oportunidade de negócios no ano inteiro, pareciam meio deslocados. A praia era mesmo das câmeras e soluções de impressão, com destaque para impressoras domésticas, quiosques de auto-atendimento e minilabs digitais, sobre os quais falaremos adiante.

A nova impressora doméstica da Olympus, maior do que as concorrentes.
As impressoras dispensam comentários, mas os quiosques ainda são relativamente novos no Brasil: esses computadores, geralmente com tela sensível ao toque, têm entradas para CDs, disquetes e os mais variados tipos de cartões de memória. Aliás, o medo de ter os cartões perdidos (quando deixados em uma loja), danificados ou as fotos acidentalmente apagadas é apontado como um dos motivos que faz alguns consumidores pensarem duas vezes antes de imprimir fotos digitais. Depois de descarregar as fotos, o consumidor-geralmente com o auxílio de um funcionário do estabelecimento-escolhe aquelas que deseja imprimir e tem a opção de alterar enquadramento, fazer ajustes de cor, corrigir olhos vermelhos etc. Dependendo do modelo, as fotos são impressas no próprio quiosque, em uma impressora de sublimação térmica, ou enviadas para um minilab digital.
Para quem não é do ramo, vale à pena esclarecer o que são os tais dos minilabs: quando você leva suas fotos para revelar e copiar em um laboratório relativamente moderno, o filme é revelado em uma máquina por um processo químico e depois escaneado em um minlab digital, que imprime as fotos por meio de um processo a laser. É por isso que muitas lojas oferecem os chamados “serviços digitais”, como a adição de bordas, retoque de olhos vermelhos, impressão em tom de sépia e coisas do gênero (esses equipamentos têm verdadeiros softwares de manipulação de imagens integrados) mesmo para fotos convencionais, além de poder fornecer CD-ROMs com as fotos gravadas ou publicá-las na Internet para posterior consulta. Em outras palavras, embora seja ótimo para isso, um minilab digital não serve apenas para imprimir fotos digitais-tanto que começou a ser adotado nas lojas muito antes do auge da fotografia digital. Segundo estimativas da Associação Brasileira da Indústria de Material Fotográfico e Imagem (Abimfi) divulgadas no início de agosto, o número de minilabs digitais no país deve crescer 70% este ano, de 470 para 800 unidades-Agfa, Fuji, Konica-Minolta e Noritsu estão entre as marcas que apresentaram novidades no segmento. Como cada um deles custa, em média, US$ 125 mil, a expectativa é de um investimento de mais de US$ 40 milhões, que precisa se pagar de alguma forma.

Um minilab digital da Fuji (modelo Frontier 375) que imprime fotos digitais e analógicas.
