O Cerumano

Salvando o planeta
Há algum tempo tive a oportunidade de assistir uma série do History Channel denominada “Life after people” (em português, “O mundo sem ninguém”). Se a memória não me falha, foram diversos episódios. Mas o que me parece ser um resumo da série com cerca de hora e meia de duração pode ser visto (dublado em português) no You Tube. Sugiro veementemente que o assistam. Não se trata daquele tipo de documentário sobre desastres de âmbito planetário que destroem a Terra ou parte da vida nela. É algo muito mais singelo e inteligente: uma simulação do que ocorreria ao longo dos próximos milênios caso o cerumano simplesmente desaparecesse. Sumisse. Evaporasse.
Assista o filmete com olhos de “ecologista” (as aspas definitivamente não pretendem ofender os profissionais da área de ecologia, elas simplesmente se dirigem a estas pessoas, geralmente senhoras que já criaram os netos, não têm muito que fazer e são demasiadamente preguiçosas para se dedicar a alguma atividade produtiva e passam a adotar a qualificação de “ecologista” após decidirem “salvar o planeta” geralmente orientadas por pessoas mal intencionadas, com algum conhecimento técnico e científico e grande dose de má fé, que se aproveitam da ignorância técnica das referidas senhoras e outros indivíduos igualmente bem intencionados para usá-los como massa de manobra na defesa de seus próprios interesses, alguns escusos; estes falsos “gurus” são fáceis de identificar pela frequência com que aparecem na televisão dando entrevistas que servem para inflar o próprio ego, aumentar sua popularidade e alicerçar sua credibilidade ? não necessariamente nesta ordem ? sempre criticando o trabalho alheio e defendendo soluções mirabolantes para problemas ambientais causados pelo próprio cerumano; e muitos deles fazem disto seu meio de vida).
Assista o filmete com atenção e repare como, na ausência da espécie predatória, o ambiente se recupera dos danos por ela causados, como as florestas pouco a pouco retomam o que já lhes pertenceu invadindo as cidades e os cultivares, como o planeta se enche de vida e as demais espécies vicejam. Perceba como, claramente, o planeta Terra vai se transformando aos poucos, como um organismo que convalesce de uma doença até o completo restabelecimento. Qualquer pessoa de inteligência mediana que assista o filmete chegará a uma conclusão inevitável: a forma mais eficaz de “salvar o planeta” é extinguir a espécie humana, já que sem ela o planeta vai muito bem, obrigado. E não fui o único a me dar conta disto, como se percebe examinando a Figura 3, uma reprodução de um destes adesivos de para-choques (“bumper stickers“) usados nos EUA e obtida no sítio Zazzle.
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Mas não é isto o que dizem os “ecologistas”. Para eles, “salvar o planeta” é alterar o meio ambiente de forma a torná-lo mais adequado justamente à sobrevivência do cerumano. Quer dizer: agem como se o planeta fosse de sua propriedade e que tivesse sido criado exclusivamente para servir de suporte justamente à vida de uma espécie que o devasta. Em linguagem simples: o cerumano considera que o planeta é seu, que pode fazer dele o que bem entender, inclusive transformá-lo adaptando-o às suas necessidades e anseios. E a isto chama de “salvá-lo”. Quando vejo uma pobre e inocente criança plantando uma árvore no quintal de sua escola, no centro de uma área densamente urbanizada, dizendo que faz aquilo para “salvar o planeta”, tenho vontade de chorar…
