O Big Brother vem aí. O de verdade…

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7:04 pm - 26 de janeiro de 2012

Tudo ligado a tudo

Ainda me lembro da primeira vez que usei a Internet no final da primeira metade dos anos noventa do século passado. Instalei o navegador, fechei minha conexão via linha discada com a formidável taxa de 56 Kb/s (convém lembrar que meu primeiro modem, usado para acessar os BBS ? se é que alguém ainda lembra o que vinha a ser isto ? operava na taxa de 2,4 Kb/s) e comecei a “passear pelo mundo”.

Mexe daqui, navega dali, acabei dando com os costados no sítio do Museu do Louvre. Fiquei tão impressionado ao ver as imagens (estáticas, naturalmente; eram meras fotos digitalizadas) exibidas “para mim” em tempo real diretamente do Museu do Louvre, no outro hemisfério, que não me contive e chamei minha companheira para compartilhar comigo aquela maravilha. Uma imagem armazenada nas instalações do Louvre, em Paris, sendo apreciada na tela de meu computador em tempo real!!!

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Pois agora mesmo acabei de acessar o “Times Square Cam” (a imagem está aí em cima, uma captura de tela, para não me deixar mentir). Faça isto você também e aprecie o que estará acontecendo exatamente no momento em que o fizer no coração de Nova Iorque. Agora, por exemplo, dá para ver que faz frio, porque as pessoas estão agasalhadas. E que choveu recentemente, porque o piso ainda está molhado. São poucas as pessoas se movimentando na rua porque ainda é cedo (hoje, com o horário de verão no Rio de Janeiro, a diferença de fuso horário é de três horas e lá ainda são sete e meia da manhã). E como lá é inverno, algumas luzes ainda estão acesas neste escuro início de manhã invernal. Mas não somente a qualidade da imagem é excelente, como consigo ouvir o barulho do trânsito, uma ou outra buzina ocasional. Tudo isto ao vivo e a cores.

Sim, aqui do Rio de Janeiro estou vendo em tempo real o que ocorre em pleno centro de Manhattan usando minha conexão permanentemente ligada, via cabo, de alta taxa de transmissão (“banda larga”) de 20 Mb/s, portanto cerca de quatrocentas vezes maior que a de minha velha conexão discada. E pensar que há pouco mais de quinze anos eu me deslumbrava apenas porque conseguia ver uma reprodução estática de um quadro exibida diretamente do Museu do Louvre.

E vem aí a Internet das coisas, “um mundo onde todos os objetos físicos estarão integrados à Internet e se tornarão participantes ativos nos processos de negócios”.

Quer dizer: em um futuro não muito distante todas as câmaras de vigilância de todas as partes do mundo estarão conectadas à Internet e suas imagens poderão se integrar a um imenso banco de dados cujo alcance dependerá apenas do quanto se pretenda investir nele. E como os recursos computacionais estão se tornando cada vez mais baratos e a capacidade de processamento ? sobretudo de processamento gráfico, cuja tendência atual é se integrar aos microprocessadores comuns ? torna-se cada vez maior, não há porque não esperar que este banco de dados tenha abrangência mundial. Ou, pelo menos, nacional, já que há problemas de natureza política que talvez impeçam que os dados ultrapassem as fronteiras de certos países.

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