Web aberta vive “rápida decadência”, diz Google em documentos judiciais

Declaração surge em processo nos EUA e contrasta com discurso público recente da empresa sobre a saúde do ecossistema digital

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12:32 pm - 09 de setembro de 2025
Imagem: Shutterstock

O Google reconheceu em documentos judiciais que a chamada “web aberta” passa por um período de “rápida decadência”. A afirmação foi registrada em um processo nos Estados Unidos sobre o domínio da empresa no mercado de publicidade digital e contradiz a narrativa que a própria companhia vinha defendendo publicamente, de que a internet continua “próspera” e que suas ferramentas de busca enviam tráfego para mais sites do que nunca. A reportagem é do The Verge.

A admissão aparece em material entregue à Justiça antes de um julgamento que discutirá a possibilidade de divisão do negócio de publicidade do Google, conforme sugerido pelo Departamento de Justiça dos EUA.

O governo defende que a separação é necessária para reduzir o monopólio da companhia. O Google, por sua vez, argumenta que a medida “aceleraria” ainda mais a crise da web aberta, prejudicando editores que dependem da receita de anúncios nesse modelo.

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Segundo o documento, novas forças estão transformando o setor. A empresa cita o avanço da inteligência artificial (IA) em toda a cadeia de publicidade digital e o crescimento acelerado de formatos alternativos, como a publicidade em TVs conectadas e em plataformas de varejo online. Para o Google, esses movimentos já vêm deslocando investimentos e corroendo o espaço dos anúncios tradicionais da web aberta.

Contexto de mercado

A declaração ganhou repercussão porque destoa do que executivos da companhia vêm afirmando nos últimos meses. Em diferentes ocasiões, líderes do Google reforçaram que a busca continua saudável e que a chegada da IA não está reduzindo o tráfego enviado a sites. Sundar Pichai, CEO da companhia, chegou a dizer em entrevista que a empresa “ampliou” a diversidade de fontes para onde direciona visitantes.

Outros executivos também defenderam a plataforma. Nick Fox, vice-presidente sênior de conhecimento, declarou que “a web está prosperando”. Já Liz Reid, líder do Google Search, afirmou recentemente que o volume de cliques permanece “estável” em comparação ao ano anterior, mesmo após a implementação das respostas automáticas com IA nos resultados de busca.

Impactos sobre editores

Apesar do discurso oficial, a experiência de muitos veículos digitais é diferente. Diversos editores independentes relatam queda de audiência desde as últimas mudanças no algoritmo do buscador e com a popularização dos chatbots de IA, que entregam respostas diretas sem necessariamente levar o usuário a clicar em links externos.

Em nota enviada ao The Verge, a porta-voz do Google, Jackie Berté, minimizou a interpretação. Segundo ela, a frase destacada no processo foi “pinçada” e não representa o posicionamento da empresa sobre a internet como um todo. De acordo com a executiva, o trecho se refere especificamente à publicidade em display na web aberta, e não ao ecossistema digital em sua totalidade.

O caso será analisado pela Justiça americana nos próximos meses. O Departamento de Justiça sustenta que apenas a separação estrutural do negócio de anúncios do Google seria capaz de garantir mais competição no setor. A empresa, por outro lado, defende que as mudanças já em curso no mercado são suficientes para transformar a indústria, sem a necessidade de intervenção judicial.

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Redação

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