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“O varejo não compete mais por canal, mas por capacidade de movimentar produtos”, diz CIO da Motz

No Distrito Itaqui, em Itapevi (SP), a discussão sobre inovação no varejo desloca o foco da experiência digital para a infraestrutura física que sustenta o consumo. Durante palestra no IT Forum Na Mata, Marcelo Ortega, diretor de tecnologia e produto da Motz, transportadora digital da Votorantim Cimentos, afirma que a logística deixou de ser uma área de suporte para assumir papel central na estratégia competitiva das empresas.

Segundo o executivo, o conceito de omnichannel, que dominou o debate do varejo na última década, já não representa diferencial competitivo. “O novo varejo não é omnichannel. O varejo não compete mais por canal. Ele compete por capacidade de movimentar produtos de formas diferentes”, diz.

A avaliação reflete uma mudança estrutural: integrar canais de venda tornou-se requisito básico de operação, enquanto a eficiência logística passa a determinar velocidade, custo e experiência do consumidor final. Na prática, afirma Ortega, vence quem consegue orquestrar estoques, modais e entregas em escala.

O executivo recorre à própria trajetória para contextualizar essa visão. Com carreira iniciada em 1987, ele relembra o período em que desenvolvedores precisavam construir sistemas do zero pela ausência de soluções prontas no mercado. “A tecnologia não existe para dar manutenção. Ela existe para colocar a empresa para frente”, afirma. Para ele, essa mentalidade ainda define o papel do CIO contemporâneo, cada vez mais ligado ao crescimento do negócio.

Leia também: Letramento digital e revisão de processos são os novos pilares da IA no varejo

A tese apresentada pela Motz se apoia na ideia de plataformização do transporte. Entre 2023 e 2025, a empresa registra crescimento de 400% no número de motoristas cadastrados, passando de 22 mil para 130 mil profissionais. No mesmo período, movimenta 4,8 milhões de toneladas de cargas em um ano, ampliando a capacidade de atendimento em milhares de cidades brasileiras.

Nesse modelo, conceitos como crowdshipping transformam a logística em uma rede distribuída. Em vez de fluxos lineares, cargas passam a ser alocadas dinamicamente a uma base pulverizada de motoristas conectados por plataforma digital, o que permite escalar operações complexas, como fulfillment distribuído e cross-docking doméstico, antes restritas a grandes varejistas.

A apresentação também destaca características estruturais do mercado brasileiro. O transporte rodoviário responde por cerca de 61% da matriz logística nacional e opera em um ambiente altamente fragmentado, com predominância de pequenas e médias empresas e baixa digitalização do setor. Esse cenário, segundo Ortega, cria espaço para plataformas capazes de conectar embarcadores, transportadoras e caminhoneiros em um único ecossistema operacional.

Apesar do avanço tecnológico, o executivo argumenta que a digitalização no País não elimina a necessidade de presença física. A Motz mantém mais de 150 pontos de atendimento espalhados pelo Brasil em uma estratégia que define como “figital”, combinando infraestrutura digital com suporte presencial a motoristas e clientes.

Ao projetar os próximos anos, Ortega afirma que a logística deve evoluir para modelos cada vez mais multimodais e orientados por sistemas inteligentes de decisão. “No passado, o varejo vendia produtos. Hoje, ele orquestra movimentos”, resume.

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