É sabido que a água é fundamental para que a vida humana perpetue. A dependência dela vai além das necessidades biológicas. O recurso natural é necessário para irrigar plantações, produzir alimentos, manter a higiene, dissolver produtos químicos, criar novas substâncias e gerar energia. Por essa razão, monitorar sua qualidade e utilização em diferentes níveis é essencial.
Até para a preservação dos recursos hídricos tem tecnologia. E a cultura analítica pode ser o diferencial na identificação dos gargalos que acercam a água. Recentemente, estive envolvido num projeto em parceria com a Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo), autarquia estadual responsável pelo controle, fiscalização, monitoramento e licenciamento de atividades geradoras de poluição, tendo a preocupação de preservar e recuperar a qualidade das águas, do ar e do solo.
O objetivo do projeto era avaliar a qualidade das fontes de água no estado, durante a última década. Para tanto, foi aplicada uma técnica estatística conhecida como Séries Temporais. Trata-se de um procedimento que utiliza informações e parâmetros empregados ao longo do tempo.
Os principais gargalos apresentados ao longo do projeto foram a ausência de um armazenamento adequado e inteligente das informações. Gastou-se muito tempo numa etapa preliminar para o tratamento e higienização dos dados. Na sequência, foi necessário ajustar mais de 16 mil séries atemporais para possibilitar a avaliação histórica da qualidade das águas.
Isso ocorreu porque há uma rede de monitoramento construída por mais de 800 pontos – que inclui o litoral do estado, passando por rios, represas e redes subterrâneas, nas quais são realizadas análises sistemáticas da qualidade da água. São mais de 20 parâmetros avaliados como o oxigênio dissolvido, pH, matéria orgânica, entre outros.
Durante todo o processo ficou clara a preocupação da Cetesb em utilizar a cultura analítica e a aplicação dos métodos estatísticos para o melhor entendimento e tratamento das informações. Os resultados alcançados foram extremamente positivos. Foi feito o mapeamento quantitativo sobre o processo evolutivo acerca da qualidade das águas, identificando os pontos críticos e revelando a eficácia – ou não – de ações conduzidas no passado.
Desta forma, a cultura analítica trouxe um salto de qualidade na autarquia, gerando uma cadeia de conhecimento que será utilizada para novas políticas ambientais para o Estado e possibilitando a tomada de decisões baseadas em dados.
São iniciativas como esta, de aplicar conhecimentos técnicos de cultura analítica, que permitem melhorar a qualidade e produtividade dentro de uma empresa ou governo e fazem uma grande diferença em tempos de recursos escassos.
*Josias Oliveira é matemático, mestre em Estatística pela Unicamp e tem MBA Gestão de Negócios pela FIA – Fundação Instituto de Administração. Atualmente é CEO da StatSoft South America, braço de analytics da Dell.
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