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A transformação digital no direito não é uma opção

Nos últimos anos, o volume de dados criado em todo o mundo tem crescido exponencialmente. Apenas em 2020, antes mesmo do fim do ano, a humanidade terá produzido 44 trilhões de gigabytes de dados. Esse crescimento massivo (que dobra a cada dois anos) marcou a década em que ainda estamos. Tornou viáveis as aplicações de Inteligência artificial, impulsionou a geração de insights e de performance com o Big Data, elevou o nível da inteligência de negócios a uma ciência de dados bastante avançada.

Essa quantidade enorme de dados também é vista no mercado jurídico. Mais de 5 milhões de textos normativos foram editados e publicados no Brasil desde 1988. Só entre 2005 e 2016, 2.093 leis e 464 medidas provisórias foram promulgadas. De 2009 até 2017, o número de processos no Brasil cresceu em 32%. O mercado jurídico como um todo cresceu mais de 80% nos últimos 12 anos.

Esse crescimento só vai aumentar. E conforme mais dados são injetados no nosso contexto, menos sentimos que temos essas informações confiáveis para seguir. É pouco viável que possamos processar tantas informações de forma produtiva. Diante das mudanças, precisamos mudar, nos adaptar. No caso do Direito, a transformação digital para acompanhar essa nova visão de mundo não é uma opção, mas a maior das necessidades. Mas como vamos seguir daqui em diante?

Tecnologia e Direito

Há muita preocupação quanto ao volume de trabalho que a tecnologia pode tirar de nós, com um receio natural de empregos possam ser tomados ou áreas possam ser extintas. Isso não vai acontecer. E a explicação é simples: precisamos nos atentar sobre a quantidade de trabalho a tecnologia traz para o Direito.

O conhecimento jurídico que gerávamos até algumas décadas, era limitado e pouco acessível. Hoje se escalou e está conectado globalmente, em constante construção e interação, gerando mais informação e mais dados. Processar todo esse volume de informação já não é viável. E a crescente automatização regulatória, exige tempos mais curtos de resposta, informações mais estruturadas e insights mais precisos. A atuação inteligente do profissional de Direito é cada vez mais obrigatória.

Some-se a isso que a competição não para! O Brasil tem hoje 1.1 milhão de advogados. Um para cada 180 habitantes. E, a cada ano, centenas de milhares de novos advogados são colocados no mercado. Enquanto a competitividade cresce, nossas possibilidades para competir melhor também crescem. Com a tecnologia e a inovação.

Otimização de processos

Em uma pesquisa realizada pela Thomson Reuters em 2019, 67% dos advogados afirmaram que gastam mais de 40% do tempo em tarefas que não geram negócios ou honorários. Possivelmente porque não otimizam seus processos internos, já que 40% afirma trabalhar com ferramentas fragmentadas de conteúdo. Além disso, a integração entre gestão e conteúdo é uma vantagem competitiva de apenas 11%.

Como aprimorar? Ao volume de dados, por exemplo, a resposta é usar analytics e inteligência artificial para organizá-los, extrair insights e permitir que o aprendizado seja contínuo: nos profissionais, nos escritórios ou departamentos jurídicos e nas máquinas. Às constantes mudanças regulatórias, respondemos com automação para acompanhar essas atualizações e conteúdo confiável para gerar argumentos precisos. Ao encurtamento do tempo de resposta, respondemos com análises e predições mais inteligentes, com as máquinas cuidam do urgente para que pensemos no importante.

Pode até ser que a transformação digital esteja tornando algumas tarefas obsoletas. Mas ela tem gerado a demanda por cientistas de dados, por auditores de segurança de dados e por muitos outros papeis. Tarefas vão cair, Profissões vão nascer. Precisamos pensar em um contexto de profissionalização humana e de automatização para escala. E, aí, entendemos como nossa prática vai redefinir o futuro do Direito.

*José Dominguez é líder de Legal Professionals da Thomson Reuters América Latina

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