Amir Haleem, cofundador da Helium, diz que não tem interesse em ganhar dinheiro com criptomoedas. O entusiasta afirma que está interessado em blockchain apenas como uma maneira de construir a verdadeira Internet das Coisas (IoT, ou Internet of Things, em inglês).
Haleem conta ao Technology Review que iniciou as operações da Helium em 2013, junto com o criador do Napster, Shawn Fanning. O primeiro produto da empresa, que agora está no mercado, é um sistema de hardware que usa um padrão wireless, para oferecer cobertura sem fio de longo alcance e baixa potência, para dispositivos como sensores que rastreiam e monitoram cadeias de fornecimento de alimentos ou medicamentos. O software encaminha os dados para aplicativos baseados na Internet e hospedados por quem possui os sensores.
Entretanto, o IoT não se concretizou como muitas pessoas pensavam que seria. Haleem diz que há pouco incentivo para criar uma cobertura sem fio generalizada, segura, confiável e barata o suficiente. Na visão do executivo, as operadoras só investirão no que traz retorno financeiro.
No momento, a Helium está trabalhando com uma empresa farmacêutica que quer rastrear frascos de medicamentos e monitorar sua temperatura quase em tempo real. Esse produto não existe hoje, diz Haleem, porque não pode contar com cobertura em todos os lugares. Ele está convencido de que pode usar blockchain para mudar isso.
Digamos que você tenha um dispositivo em sua casa: se um frasco de remédio entrasse na sua área de cobertura, ele enviaria seus dados de localização e temperatura para o seu gateway, que o enviaria ao seu destino correto em troca de um acordo previamente acordado, mediante uma taxa paga em criptomoeda. Essas etapas seriam então verificadas criptograficamente e registradas, garantindo que as informações cheguem e os participantes da rede sejam pagos.
O Helium Gateway inclui um SDR (Software Defined Radio) que permite que ele “ouça muitos canais simultaneamente” e determine um registro de tempo altamente preciso de quando as transmissões foram recebidas.
A criptomoeda da Helium, baseada na troca de informações, pode ter uma utilidade genuína, mas no momento ainda é apenas uma ideia de white paper. Criar um novo sistema monetário e levar as pessoas a usá-lo são grandes desafios. Enquanto isso, a empresa vai adiar uma oferta inicial de moedas até lançar sua rede, o que deve acontecer em 2018.
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