Softplan mira em investimentos para chegar a R$ 1 bilhão em 2024

Empresa acaba de receber aporte de R$ 130 milhões e continuará focada em aquisições

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1:30 pm - 04 de outubro de 2022
Eduardo Smith, CEO da Softplan Eduardo Smith, CEO da Softplan. Foto: Divulgação

Nos últimos dois anos, a Softplan começou uma estratégia de crescimento inorgânico como complemento de seu crescimento orgânico para consolidar algumas áreas da indústria de software. Como resultado, a empresa acaba de anunciar a captação de R$ 130 milhões com a sua primeira emissão de debêntures. A operação foi coordenada exclusivamente pelo Bradesco BBI e o recurso será utilizado no plano de expansão da empresa nos próximos meses, incluindo futuras aquisições.

Em entrevista ao IT Forum, Eduardo Smith, CEO da companhia, explicou que o investimento complementará o capital próprio para investir em novos negócios. “Hoje, nós temos três grandes pilares de atuação: RP para construção civil, vertical para área de Justiça (tribunais de justiça, ministérios públicos, defensorias e promotorias) e gestão de fluxo de processos na área pública.”

Mas, para chegar nesse momento de captação, Eduardo deu um panorama dos 32 anos de empresa. Segundo ele, entre 2019 e 2020 os sócios estavam pensando na sucessão e na estratégia do grupo. Antes, cada um deles era responsável por cada uma das unidades de negócio e iniciaram um processo para organizar a empresa com um CEO que englobasse todas as áreas.

Nessa época, os produtos de setor público representavam 80% do faturamento. Hoje, a fatia já é 60% governamental e 40% o chamado de “multi-SaaS” pela Softplan. Em 2023 a régua vira, com os negócios SaaS respondendo a pouco mais da metade do faturamento (55%). Em 2024, a projeção é aumentar para a casa dos 62%.

Aquisições para crescer no mercado

Eduardo é bastante otimista sobre o crescimento da Softplan. “Nós olhamos para 2024 e acreditamos que chegaremos ao R$ 1 bilhão. Esse ano, vamos faturar cerca de R$ 580 milhões. Acreditamos que no Brasil tem muito espaço para consolidação das empresas de software e vemos muita necessidade do lado dos clientes de ter menos fragmentação, maior qualidade dos serviços de entregas e maior integração das soluções”, diz ele.

Para apoiar esse crescimento e entregar soluções mais robustas em cada uma das verticais trabalhadas, desde o ano passado a Softplan foca em aquisição de empresas. Nos últimos dois anos, o Grupo Softplan já alocou mais de R$ 250 milhões em diferentes investimentos e aquisições. Juntas, as últimas cinco empresas adquiridas pelo grupo, 1Doc, Checklist Fácil, Construtor de Vendas, Collabo e Projuris, estão crescendo em receita mais de 45% em relação ao mesmo período de 2021

Em janeiro de 2021, ela comprou a Checklist Fácil, scale-up especializada em software para criação e aplicação de checklists, por mais de R$ 23 milhões. O negócio consiste na aquisição de 51% das cotas da companhia e seu controle acionário.

Já esse ano, comprou a ProJuris, empresa de gestão de departamentos jurídicos e escritórios de advocacia. Sua primeira aquisição 100% integral teve foco em fortalecer a estratégia de crescimento da Softplan por meio de fusões e aquisições e ampliar sua atuação no mercado jurídico. A empresa passa a oferecer uma plataforma SaaS que leva eficiência para a gestão de contratos, atos societários, procurações, processos jurídicos e outras demandas legais.

“Há 1 ano e meio fizemos a aquisição da Checklist Fácil, que faz gestão de fluxo de processos para clientes privados em modelo SaaS. Depois, compramos uma empresa de software para departamentos jurídicos. Atuávamos pouco na área jurídica privada, então adquirimos a ProJuris para ter a espinha dorsal. No caso da Checklist, também não tínhamos serviços no segmento privado”, explica Eduardo.

Também como exemplo, a empresa adquiriu a Collabo um pouco antes da ProJuris. A startup possui uma solução para fazer gestão do conhecimento na cadeia de suprimentos, utilizando uma plataforma de Social Supply Chain que digitaliza a experiência de catálogos técnicos e comerciais, permitindo a colaboração entre indústrias e seus públicos-alvo.

Com o novo aporte, Eduardo afirma que deverão acontecer ainda entre três e cinco aquisições entre o final de 2022 e o primeiro trimestre de 2023. Somando os clientes das empresas adquiridas, hoje a Softplan conta com 10 mil clientes.

Apenas na vertical legaltech são mais de 4.700, sendo entre eles, empresas como Ford, Samsung, Cielo. A Checklist Fácil tem mais de 1.000 clientes, entre eles: Heineken, Toyota, Saint-Gobain, Gerdau, entre outros. Quando falamos de Justiça no setor público, são mais de 90 clientes entre Tribunais de Justiça, Ministérios Públicos, Procuradorias e Defensorias.

“Além disso, quando a gente adquire uma empresa, não estamos adquirindo cartela de cliente, mas o conhecimento. Estamos trazendo gente que acreditamos que ficará na empresa por muito tempo. Por isso, a equipe cresce. A equipe cresce. A gente não faz projeção de crescimento de equipe, mas naturalmente cresce”, diz Eduardo. Antes, a Softplan tinha em torno de 2.000 funcionários. O conjunto das cinco companhias adquiradas já somam 500 novos colaboradores.

 

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