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A varejista de moda on-line Shein deve dar mais um passo em sua longa tentativa de abrir capital. A empresa está agendada para participar, na próxima quinta-feira, da audiência do comitê de listagem da Bolsa de Hong Kong, etapa obrigatória para empresas que pretendem realizar uma oferta pública inicial de ações (IPO) na cidade. A informação foi divulgada por fontes ouvidas pela Reuters.
A audiência acontece poucos dias após a companhia receber autorização da Comissão Reguladora de Valores Mobiliários da China (CSRC), eliminando um dos principais entraves regulatórios para a operação. Com o aval de Pequim, a Shein passou a cumprir as etapas finais exigidas para estrear no mercado acionário de Hong Kong.
Caso obtenha aprovação do comitê da bolsa, a empresa poderá iniciar o chamado roadshow com investidores e o processo de formação do livro de ofertas (bookbuilding), que definirá a demanda e o preço das ações antes da estreia no mercado. Segundo fontes consultadas pela Reuters, a listagem poderá ocorrer entre setembro e outubro deste ano.
A expectativa é que o IPO avalie a companhia entre US$ 40 bilhões e US$ 50 bilhões, valor significativamente inferior aos cerca de US$ 100 bilhões atribuídos à empresa durante uma rodada de captação realizada em 2022. Ainda assim, a operação tende a se tornar uma das maiores ofertas públicas do varejo global dos últimos anos.
Fundada em 2012 pelo empresário Sky Xu, a Shein iniciou seus planos de abertura de capital nos Estados Unidos, mas enfrentou resistência de parlamentares e reguladores americanos diante de preocupações relacionadas à cadeia de fornecedores da empresa na China e às condições de trabalho. Posteriormente, a companhia migrou seus planos para Londres, onde também não conseguiu concluir o processo por falta da aprovação das autoridades chinesas.
A opção por Hong Kong ganhou força após Pequim revisar sua posição sobre a operação. Embora a sede global da Shein tenha sido transferida para Singapura em 2022, a empresa continua sujeita às regras chinesas para listagens internacionais devido à forte dependência de sua cadeia de produção localizada na China.
Segundo a Reuters, a companhia apresentou de forma confidencial seu pedido de IPO em Hong Kong há cerca de um ano e aguardava desde então o sinal verde das autoridades chinesas. O avanço regulatório representa uma mudança importante em um processo que se estende há vários anos e passou por diferentes mercados financeiros antes de chegar à atual fase.
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A abertura de capital também pode representar um impulso para o mercado de IPOs de Hong Kong, que busca recuperar protagonismo como destino para grandes listagens internacionais. A chegada da Shein é vista como uma das operações mais relevantes previstas para o mercado asiático em 2026, tanto pelo porte da empresa quanto pela visibilidade global da marca.
A varejista comercializa produtos de moda em cerca de 150 países e construiu um modelo baseado em ciclos rápidos de desenvolvimento e distribuição de novos produtos. Nos últimos anos, porém, a empresa passou a enfrentar maior escrutínio regulatório em diferentes mercados em razão de questionamentos sobre sua cadeia de suprimentos, práticas trabalhistas e padrões de governança corporativa.
Até o momento, a Shein não comentou oficialmente a audiência prevista na Bolsa de Hong Kong nem divulgou detalhes sobre o cronograma da oferta pública. Segundo as fontes ouvidas pela Reuters, os prazos e o tamanho da operação ainda poderão sofrer ajustes conforme o andamento do processo regulatório e as condições de mercado.
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