Notícias

Setor de eletroeletrônicos cresce no primeiro semestre, mas tem “cautela” para a segunda metade do ano

Um misto de otimismo e cautela. É assim que o setor de eletroeletrônicos brasileiro vê seu desempenho no mercado nacional neste ano, segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Produtos Eletroeletrônicos (Eletros), que representa 33 empresas do segmento que atuam no país. As expectativas para o ano de 2024 foram compartilhadas com a imprensa nesta segunda-feira (15), durante a abertura da Eletrolar Show, maior feira de eletroeletrônicos e eletrodomésticos da América Latina, que acontece nesta semana em São Paulo.

No primeiro semestre do ano, a venda de eletroeletrônicos apresentou alta de 34% em relação ao mesmo período do ano passado. Entre janeiro e junho, foram comercializadas 51.530.634 unidades de aparelhos eletroeletrônicos no país, ante 38.341.825 entre os seis primeiros meses de 2023.

Jorge Nascimento, presidente executivo da Eletros, apontou que o resultado significa uma retomada “importante” do consumo no país, que traz um “alívio” para as companhias do setor após o período desafiador dos últimos cinco anos. “A gente tem aqui um entusiasmo controlado”, afirmou.

O setor de melhor desempenho no período foi o de ar-condicionados, que cresceu 88% em relação ao mesmo período do ano passado. O Brasil é hoje o segundo maior polo produtor de aparelhos de ar-condicionado do mundo, atrás apenas da China. Todos os modelos comercializados no país são de fabricação nacional.

Leia também: Iniciativas de TI verde mais rentáveis são subutilizadas por empresas, alerta Gartner

O desempenho positivo dessa linha de produtos no semestre se deve à onda de calor que atingiu o país ao longo dos últimos meses. “A climatização e a ventilação cresceram muito em decorrência do El Niño. Isso fez com que esse produto tivesse uma entrada maior na casa das pessoas”, pontuou Nascimento. Apesar do crescimento, esses equipamentos estão presentes em apenas 17% dos lares brasileiros atualmente.

O segundo maior índice de crescimento ficou por conta da linha portátil, que avançou 40% no período. A linha marrom, de televisores, cresceu 20%; a linha branca, de geladeiras, máquinas de lavar roupa e fogões, 16%; e os produtos da linha TIC-Amazônia, de monitores fabricados na Zona Franca de Manaus, cresceram 14%.

Os resultados positivos são atribuídos pela Eletros a uma série de fatores macroeconômicos, incluindo o aumento da geração de emprego, o crescimento da renda, o controle da inflação e a redução das taxas de juros. Este último, em especial, é fundamental para as vendas de produtos da linha branca, de maior valor agregado. “São produtos de maior volume e mais caros. A população, para ter acesso a eles, precisa, geralmente, comprar de forma parcelada. Com juros elevados, a gente tem uma dificuldade”, disse o presidente da associação.

Prudência e cautela para o segundo semestre

O segundo semestre do ano é, tradicionalmente, o de maior volume de vendas para o setor de eletroeletrônicos, impulsionado por eventos como o feriado de compras Black Friday. Em 2024, no entanto, a Eletros vê a segunda metade do ano com “prudência e cautela” e observa que alguns fatores macroeconômicos e pontuais ainda podem impactar as empresas do segmento até o final do ano.

De acordo com Jorge Nascimento, a associação enxerga que uma nova redução da taxa de juros, além da que já foi feita desde o ano passado, seria benéfica para o crescimento do país. O presidente, ainda assim, defendeu “equilíbrio” na política fiscal, ressaltando que o controle dos juros não é o único fator relevante para o desempenho do setor.

“Nós não podemos focar somente numa redução de taxa de juros e ter um descontrole da inflação ou até mesmo um desajuste fiscal. A gente está sempre buscando o ponto de equilíbrio. É importante que se tenha redução de juros, mas é importante que se controle a inflação”, afirmou.

Além da questão macroeconômica, o setor se preocupa com o potencial impacto climático esperado para o segundo semestre nos negócios. Entre eles, está a seca prevista para a região Amazônica, que pode ser ainda mais severa do que a registrada em 2023.

“Em relação à seca na região Amazônica, ainda que o Poder Público tenha agido antecipadamente neste ano, ou seja, antes do agravamento do fenômeno climático, é preciso o máximo de celeridade nas obras de dragagem dos rios mais afetados. As limitações na navegação não afetam apenas as indústrias instaladas na Zona Franca de Manaus, mas podem gerar mais uma grave crise humanitária”, avaliou Nascimento. O presidente da Eletros, ainda assim, garantiu que “não haverá risco de desabastecimento” do setor no país, apesar do risco antecipado.

Siga o IT Forum no LinkedIn e fique por dentro de todas as notícias!   

Recent Posts

SpaceX, Anthropic e OpenAI enfrentam riscos em possíveis IPOs

SpaceX, Anthropic e OpenAI estão no radar de Wall Street para possíveis aberturas de capital…

2 horas ago

Sistemas legados: como tomar decisões para garantir resiliência em setores críticos

por Eduardo Honorato Falar sobre infraestruturas críticas na Era Digital tem sua própria complexidade dentro…

5 horas ago

Sem equipes preparadas, IA não entrega transformação

A adoção de inteligência artificial (IA) nas empresas não depende apenas da disponibilidade de ferramentas.…

7 horas ago

Cohesity obtém patente para aplicar IA diretamente em dados de backup corporativos

A Cohesity anunciou a concessão da Patente Nº 12.619.501 pelo Escritório de Patentes e Marcas…

1 dia ago

Para Diogo Cortiz, maior desafio da IA é a falta de capacidade crítica para questionar suas respostas

Diogo Cortiz, professor da PUC-SP e doutor em Tecnologias da Inteligência e Design Digital, tem…

1 dia ago

Agentes de IA vão dar “superpoderes” a profissionais de TI, diz DJ Sampath, da Cisco

DJ Sampath chegou aos Estados Unidos há 30 anos com oito dólares no bolso e…

1 dia ago