All Rights ReservedView Non-AMP Version
IT Forum
  • Homepage
  • Inteligência Artificial
Notícias

Corrida por modelos mais avançados compromete estabilidade da IA, diz pesquisadora do MIT

Ana Trišović, cientista de pesquisa do MIT CSAIL. Imagem: Divulgação/StartSe

“Ninguém pode introduzir uma atualização silenciosa e comprometer todo o seu fluxo de dados.” A afirmação é de Ana Trišović, cientista de pesquisa do MIT CSAIL, o Laboratório de Ciência da Computação e Inteligência Artificial do Instituto de Tecnologia de Massachusetts, em entrevista ao IT Forum nesta quinta-feira (14), durante o AI Festival, evento promovido pela StartSe. Para Ana, é também o risco menos debatido da crescente dependência corporativa de modelos proprietários de inteligência artificial (IA).

A esteira que nunca para

Ana cunhou uma expressão para descrever o ritmo atual de evolução dos modelos de inteligência artificial: esteira de capacidades. A imagem é precisa. Há alguns anos, um modelo competitivo como o GPT-1 permanecia em uso por longos períodos. Hoje, o ciclo de substituição se mede em meses.

As melhores notícias de tecnologia B2B
Acompanhe todas as novidades diretamente na sua caixa de entrada

“Estamos nessa esteira em que apenas queremos usar modelos melhores e passamos de um para outro muito rapidamente”, observa. “Isso cria um problema enorme para a reprodutibilidade e para a infraestrutura de pesquisa.”

O risco é concreto. Uma análise conduzida com determinado modelo em janeiro pode produzir resultados impossíveis de replicar em junho, não porque a metodologia mudou, mas porque o modelo foi atualizado sem aviso, o preço subiu ou o fornecedor simplesmente descontinuou o produto. Para a ciência, que depende da verificação independente de resultados, trata-se de um problema estrutural.

Ana propõe reduzir a dependência de modelos proprietários em favor dos de código aberto. Modelos abertos podem ser controlados, personalizados com dados próprios e mantidos estáveis no tempo, sem que nenhum fornecedor externo possa alterar seu comportamento ou seu custo unilateralmente.

“Ninguém pode aumentar o preço para você. Ninguém pode introduzir uma atualização silenciosa e comprometer todo o seu fluxo de dados”, afirma. “Muitas vezes, um modelo de código aberto é suficientemente bom para o seu caso de uso. E é o que vai tornar a sua operação mais competitiva a longo prazo.”

Essa defesa do código aberto, porém, não deve ser confundida com resistência à adoção. Nesse ponto, Ana é explicitamente otimista.

Leia também: “Brasil já está à frente de muitos países no comércio agêntico”, diz professor de Harvard no AI Festival

Otimismo sem ingenuidade

Questionada sobre o que a preocupa mais, a rapidez com que os modelos se disseminam ou a dificuldade de construir mecanismos de governança que acompanhem esse ritmo, Ana rejeitou a premissa.

“Não estou preocupada. Sou positiva. Gosto da velocidade de adoção dos modelos”, diz. “Quem não adotar ficará para trás em muitos aspectos. Quem adotar terá vantagem competitiva.”

Para a pesquisadora, a inteligência artificial já não é apenas uma ferramenta auxiliar da ciência. É parte do método científico. Nos laboratórios e nas publicações acadêmicas, a curva de adoção é exponencial e abrange praticamente todos os campos do conhecimento.

Esse otimismo não dispensa o trabalho técnico. Ana aponta que ainda há muito a construir em termos de marcos de referência para reprodutibilidade, personalização de modelos e criação de infraestrutura própria para cada caso de uso. A diferença entre sua posição e a dos céticos está no diagnóstico: para ela, esses são problemas a resolver, não razões para frear a adoção. Há, contudo, um domínio em que traça uma linha mais nítida.

Quando a máquina entrevista pessoas

O recrutamento. Ana acompanhou casos em que empresas tentaram substituir entrevistadores humanos por modelos de inteligência artificial, e o resultado, na maioria das vezes, foi problemático.

“Empresas querem otimizar tudo que podem otimizar. Pensam: talvez não precisemos de tantas pessoas no setor de recursos humanos, podemos usar um modelo. E então isso pode se voltar contra elas”, pondera. “Terão de se ajustar.”

Para a pesquisadora, o aprendizado ainda está em curso e não há uma resposta definitiva sobre onde os modelos vão se estabelecer nesse processo. Ela acredita que versões futuras serão mais capazes de avaliar candidatos, mas defende que a decisão final precisa continuar com pessoas.

O trabalho colaborativo envolve dimensões que nenhum currículo registra e que modelos de linguagem não conseguem capturar: como alguém se comporta presencialmente, com que facilidade integra uma equipe, que tipo de criatividade demonstra em situações imprevistas.

“O trabalho colaborativo não é apenas o que está em um currículo. É como a pessoa se apresenta pessoalmente, como é trabalhar com ela, o quanto é criativa”, afirma. “Isso é algo que um modelo não consegue avaliar. É algo que um ser humano precisa avaliar.”

Ana encerra com uma expectativa: que a curva de aprendizado atual leve as organizações a um equilíbrio em que a inteligência artificial amplie a capacidade humana de selecionar talentos, sem substituí-la. Para ela, esse é um dos poucos pontos em que a cautela é necessária.

Siga o IT Forum no LinkedIn e fique por dentro de todas as notícias!

Next Com aquisição da Securiti AI, Veeam aposta em camada unificada para conter riscos da IA autônoma »
Previous « Forlex firma acordo de US$ 32 milhões com a AWS e inicia expansão para os EUA
Share
Published by
Pamela Sousa
Tags: AI FestivalIAmit
1 mês ago

    Related Post

  • Movida lança agente de IA no WhatsApp em parceria com a Meta e aposta em nova experiência de locação
  • Oracle nomeia Marcelle Paiva como nova VP de vendas, Data&AI Hub na América Latina
  • Mercado de IPOs de tecnologia ganha força com avanço da IA

Recent Posts

  • Notícias

Movida lança agente de IA no WhatsApp em parceria com a Meta e aposta em nova experiência de locação

A plataforma de locação de automóveis Movida lançou um agente de inteligência artificial integrado ao…

3 dias ago
  • Notícias

Oracle nomeia Marcelle Paiva como nova VP de vendas, Data&AI Hub na América Latina

A Oracle anunciou Marcelle Paiva como nova vice-presidente de vendas, Go-to-Market (GTM) e ecossistema para…

3 dias ago
  • Notícias

Mercado de IPOs de tecnologia ganha força com avanço da IA

O mercado de ofertas públicas iniciais voltou a ganhar tração em 2026, impulsionado principalmente pelo…

3 dias ago
  • Notícias

Oracle adiciona US$ 85 bilhões em contratos de IA e encerra trimestre com carteira recorde de US$ 638 bilhões

A Oracle encerrou o quarto trimestre e o ano fiscal de 2026 com resultados recordes,…

3 dias ago
  • Notícias

Disputa entre Anthropic e OpenAI expõe divergências sobre o futuro da inteligência artificial

A disputa entre Anthropic e OpenAI ganhou novos contornos e se tornou um dos principais…

3 dias ago
  • Notícias

Marketing B2B precisa se reorganizar para atender compradores mais autônomos, diz Forrester

As áreas de marketing B2B precisam rever sua estrutura operacional para acompanhar a transformação do…

3 dias ago
All Rights ReservedView Non-AMP Version
  • L