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Raymond Kurzwiel: modelos de linguagem deveriam chamar modelos de eventos

Raymond Kurzwiel é um futurista estadunidense autor de três livros: The Age of the Intelligent Machines (1987), The Age of Spiritual Machines (1999) e The Singularity Is Near: When Humans Transcend Biology (lançado em 2005 como uma atualização dos dois livros anteriores). Ele foi um dos convidados do último domingo (10) do SXSW e comentou sobre suas previsões.

Logo no início de seu painel, o autor foi perguntado se mantinham suas previsões e o que o surpreendeu nos últimos dois anos sobre a Inteligência Artificial – uma vez que o livro não cobre, por exemplo, modelos de linguagem. “Eu esperava que isso acontecesse. Quer dizer, fiz uma previsão em 1999 de que isso [as máquinas tão inteligentes como os humanos] não aconteceria até 2029. E anda não chegamos lá. Mas vamos, e parece que pode ser um ou dois anos antes do previsto”, acredita.

Em seus livros, Kurzwiel também fala sobre como a mente humana é construída. Fazendo um paralelo, muitos dos sistemas de IA estão sendo construídos com base no que se entende de redes neurais. Ou seja, nossa compreensão sobre o cérebro ajudou a IA nos últimos dois anos.

Leia mais: 16 macrotendências apresentadas por Amy Webb no SXSW 2024

Entretanto, segundo o especialista, o cérebro tem uma quantidade diferente de conexões de acordo com o que a parte do corpo. Por exemplo, a área perto dos olhos tem conexões para lidar com a visão.

“Nos modelos de linguagem, todas as conexões são iguais. Por isso, temos que conseguir conexões até o ponto que corresponde aproximadamente ao que o cérebro faz e, para isso, são trilhões de conexões. Hoje, a capacidade [computacional] é de 400 bilhões. As próximas serão de trilhões ou mais”, comenta.

Ele é perguntado, então, se a construção desses modelos é mais eficiente do que a construção dos nossos cérebros. “Nós os tornamos tão eficientes quanto possível, mas não importa como eles estão organizados. Na verdade, podemos criar certos softwares que irão realmente expandir a quantidade de conexões para a mesma quantidade de cálculo. Na verdade, tem a ver com quantas conexões são usadas para computadores inteligentes.”

Ou seja, segundo o especialista, o aprendizado é importante. Seria possível ter trilhões de conexões, mas se essas conexões não fossem capazes de aprender, não seriam eficazes. “Na verdade, precisamos ser capazes de coletar todos esses dados. É o que fazemos na Internet e em outras fontes. Nós não deveríamos chamá-los de grandes modelos de linguagem, porque tratam de muito mais do que linguagem. É linguagem, mas você pode ter fotos, ou pode ter coisas que afetam doenças que não têm nada a ver com linguagem.”

Ele cita o exemplo de usar biologia simulada para entender diferentes maneiras em que uma doença é afetada e frisa que isso não tem nada a ver com linguagem. Para ele, deveria chamar “grande modelo de eventos”.

Entre as suas previsões para os próximos anos, o futurista disse que será possível conectar os cérebros diretamente à nuvem, aumentando significativamente nossa inteligência e expandindo nossa consciência. “Até 2045, seremos capazes de fazer backup de nossas mentes, garantindo a continuidade de nossa existência, mesmo em face de eventos catastróficos. Devemos avançar em direção à singularidade de forma ética e responsável.”

O painel terminou com uma visão otimista, no qual a tecnologia se tornará uma extensão natural de nossa própria inteligência, capacitando-nos a alcançar feitos anteriormente inimagináveis. Kurzweil enfatizou a importância de continuar avançando em direção à singularidade de forma ética e responsável, garantindo que os benefícios sejam compartilhados por toda a humanidade.

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