Pesquisadores no Brasil usarão IA para diagnosticar covid-19 pela tosse

Parceria com Intel, Instituto Butantã e Fiocruz usará dados de voluntários para encontrar padrões na tosse de pacientes com covid-19

Author Photo
10:31 am - 14 de julho de 2020

O Instituto Butantan e a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) firmaram parceria na última semana para desenvolver uma pesquisa que busca auxiliar o diagnóstico da COVID-19 através da tosse. A expectativa é que a parceria consiga desenvolver uma ferramenta de apoio alimentada com inteligência artificial para o diagnóstico a distância. Além da COVID-19, a ferramenta poderia ser útil para diagnosticar outras doenças pulmonares por meio de um sistema de reconhecimento de tosse, índices clínicos e epidemiológicos.

A primeira fase da pesquisa é a coleta de áudio gravado da tosse de voluntários, que será utilizado para “treinar” um modelo baseado em inteligência artificial desenvolvido pela Intel. Segundo a gigante de tecnologia, a coleta de dados é necessária para treinar a tecnologia e atingir maior precisão na exatidão dos resultados. Para isso, serão coletadas, pelo menos, 900 amostras, sendo 300 de indivíduos saudáveis, 300 pessoas com exames positivos para COVID-19 e 300 voluntários com outras doenças pulmonares. Na segunda fase, com as amostras coletadas, a previsão é que o serviço fique à disposição em 30 dias. Os interessados que tiverem mais de 18 anos podem participar e ajudar na otimização da ferramenta virtualmente e de forma anônima, por meio do portal SoundCov.

A ferramenta por si só não excluirá outros métodos de diagnóstico. Ela funcionará como apoio, por meio do teste de tosse e de um questionário padrão com perguntas sobre os sintomas do usuário.

“Através de IA, buscamos criar uma ferramenta para identificar e oferecer um diagnóstico provável de um paciente com suspeita de COVID-19”, explica o infectologista e pesquisador da Fiocruz, Julio Croda. O coordenador da pesquisa esclarece ainda que a solução, por meio de sinais, sintomas e reconhecimento da tosse, fornecerá uma pontuação que indicará se o paciente deve se manter em isolamento social por 14 dias e buscar um serviço de saúde para confirmação laboratorial do diagnóstico.

Dimas Tadeu Covas, do Instituto Butantan, classifica a iniciativa como inovadora e destaca a importância da incorporação da inteligência artificial (IA) como ferramenta auxiliar de diagnóstico. “Na pandemia, a IA é mais uma forma de ampliar o acesso da população à saúde. Ao mesmo tempo, a ferramenta aumentará a rastreabilidade de infectados”, explica o diretor, membro do Comitê de Saúde do governo do Estado de São Paulo.

A parceria foi uma ação do Movimento Brasil Competitivo (MBC) junto ao governo de São Paulo, por meio da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, para colocar à disposição soluções de tecnologia no combate à COVID-19. “Nosso papel, neste momento de crise, é promover a aproximação dos setores público e privado, permitindo a criação de soluções inovadores no combate ao coronavírus”, destaca Tatiana Ribeiro, diretora executiva do MBC.

A pesquisa conta ainda com a participação da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) e da Universidade de São Paulo (USP).

Inteligência Artificial no combate à covid-19

Estudos apontam que a tosse de diferentes síndromes respiratórias tem características distintas. Através da tecnologia, essas peculiaridades podem ser detectadas por similaridades sonoras, e então processadas e classificadas. Com essas informações, os recursos podem ser usados para treinar um sistema de IA para realizar o diagnóstico preliminar baseado apenas na tosse.

A infraestrutura e ferramentas de IA para o treinamento dos algoritmos de reconhecimento da tosse foi disponibilizada pela Intel Brasil. As amostras, explica o Diretor de Políticas Públicas da Intel Brasil, Emilio Loures, preservam a identidade dos participantes e são por meio delas que irá se treinar a ferramenta.

“A Intel acredita que a tecnologia tem o poder de transformar a vida das pessoas e tem como um dos principais objetivos auxiliar tanto nos desafios que o mundo enfrenta agora com a COVID-19, quanto nos que enfrentará no futuro. Através de inovações tecnológicas, a Intel se compromete a fomentar, cada vez mais, um ecossistema que permita a humanidade a avançar, melhorar a qualidade de vida e as experiências das pessoas” complementa Loures.

 

Newsletter de tecnologia para você

Os melhores conteúdos do IT Forum na sua caixa de entrada.