Marco Santoro, Intelbras e Alan Fernandes, Santander (Imagem: divulgação)
Uma parceria com a Intelbras, iniciada em 2017 para conter uma onda de arrombamentos de caixas eletrônicos e assaltos a agências, transformou a infraestrutura de segurança do Santander. Os prejuízos financeiros do banco com incidentes físicos, que chegaram a R$ 77 milhões em 2016, fecharam 2025 abaixo de R$ 1 milhão, uma queda que, somada aos custos de recomposição de agências e caixas eletrônicos, representaria economia superior a R$ 300 milhões.
Segundo o gerente de segurança do Santander, Alan Fernandes, um avanço nessa magnitude seria impossível de imaginar antes. “A conta está aí e o resultado é impressionante”, afirma. Em 2025, diz o executivo, o banco chegou a passar um mês inteiro sem registrar perda por incidente físico.
Os números fazem parte de um projeto de modernização tecnológica conduzido em conjunto com a Intelbras, hoje responsável por 100% do parque de câmeras e sistemas de gravação (DVR/NVR) das agências do banco no País. Segundo dados divulgados pelas duas empresas, o número de ocorrências de segurança caiu de 5.832 em 2019 para 1.196 em 2024, redução de 80%, enquanto a disponibilidade dos sistemas subiu para 99,6%.
A relação entre as duas empresas começou de forma pontual, mas evoluiu para o desenvolvimento conjunto de produtos, segundo o gerente de projetos integrados da Intelbras, Marco Santoro. Ele conta que o banco chegou a enviar técnicos à sede da fabricante catarinense para ajudar a aperfeiçoar o então DVR da empresa, hoje evoluído para NVR e replicado para outras instituições financeiras.
Fernandes descreve a evolução como um processo gradual de confiança. “Foi um namoro que virou casamento. Fomos criando os projetos juntos. Hoje não consigo enxergar nenhum desafio nosso em que eles não embarquem na loucura conosco”, afirma.
Da câmera, a parceria avançou para sensores de alarme, controle de acesso e, mais recentemente, para a construção da sede administrativa do Santander em Piracicaba (SP), inaugurada com 100% da infraestrutura de segurança fornecida pela Intelbras, incluindo o sistema de alarme de incêndio, item em que, segundo Fernandes, bancos costumavam preferir fornecedores internacionais. “É o único prédio em que hoje não tenho problema com alarme de incêndio”, diz.
Para Santoro, o fator orçamentário sustentou a parceria ao longo dos anos. “Não adianta ter uma solução robusta que não caiba no orçamento nem garanta o retorno do investimento”, explica, ao destacar que cada equipamento avaliado pelo banco precisa ser multiplicado pela escala de milhares de agências e caixas eletrônicos.
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Entre as aplicações de inteligência artificial já em operação, o Santander automatizou o fechamento das portas de suas agências por meio de câmeras e sensores da Intelbras. O sistema varre o ambiente e, ao não detectar a presença de pessoas, envia o comando de fechamento, processo que antes exigia verificação manual, agência por agência.
Segundo Fernandes, a mudança reduziu de cerca de três horas para 15 minutos o tempo necessário para fechar todas as unidades. “Antigamente começava a fechar as portas às 22 horas e terminava na madrugada. Hoje, em 15 minutos, fecho todas”, relata. O sistema também emite avisos sonoros automáticos antes do fechamento.
Os executivos citam ainda analíticos de reconhecimento facial e de identificação de comportamentos suspeitos em caixas eletrônicos e tesourarias, projetos que usam IA generativa para treinar o reconhecimento de padrões a partir das imagens capturadas nas agências. O uso de biometria facial por instituições financeiras é objeto de regras específicas de proteção de dados pessoais previstas na LGPD.
Santoro detalha o treinamento: “A IA é treinada com exemplos de comportamentos suspeitos, como permanência acima da média no caixa eletrônico ou determinados gestos. O sistema aprende e a plataforma se torna cada vez mais analítica e inteligente.”
Fernandes complementa que a prioridade não é multiplicar o número de analíticos, mas aperfeiçoar os existentes. “Mais do que criar novos analíticos, prefiro aperfeiçoar os que temos e torná-los cada vez mais precisos.”
Para Santoro, o desenvolvimento de soluções sob medida para o Santander gerou tecnologia que hoje compõe o portfólio da Intelbras para outras verticais, como indústria, varejo, mineração e cidades inteligentes, além de outros bancos e cooperativas de crédito.
Um exemplo é o software de gestão Defense, reescrito para suportar até 60 mil câmeras simultâneas, o dobro da capacidade prevista no início do projeto, à medida que a rede do banco cresceu.
Segundo o executivo, o retorno financeiro veio somado a um ganho que considera ainda maior, e difícil de mensurar. “Além do retorno financeiro, poder replicar essas soluções para outras verticais é o troféu deste projeto”, afirma.
Ele reconhece, no entanto, que o processo não seguiu à risca o planejamento original. “Dizer que um projeto desta magnitude saiu 100% planejado não seria genuíno.”
Fernandes reforça que a proximidade entre as equipes, com um time da Intelbras dedicado ao segmento bancário, acelera o desenvolvimento das soluções. “Preciso fazer com que a segurança se transforme em investimento e em negócio”, diz, ao defender que a tecnologia também deve gerar valor para todas as áreas.
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