Oracle aposta no boom de data centers de IA e projeta receita de US$ 90 bilhões até 2027

Crescimento de contratos ligados à IA impulsiona previsão de receita da Oracle e faz ações subirem no mercado.

Author Photo
4:23 pm - 11 de março de 2026
Oracle

A Oracle reforçou suas apostas no mercado de infraestrutura para inteligência artificial (IA) ao projetar que a expansão global de data centers dedicados à tecnologia continuará impulsionando seu crescimento ao menos até 2027. A perspectiva positiva animou investidores e levou as ações da companhia a subir cerca de 8% no after-market.

A projeção foi divulgada após a apresentação dos resultados financeiros do terceiro trimestre fiscal da empresa. Segundo a companhia, a crescente demanda por infraestrutura voltada a cargas de trabalho de IA generativa deve sustentar o avanço da receita nos próximos anos.

A empresa revisou sua estimativa de faturamento para o ano fiscal de 2027, elevando a projeção para US$ 90 bilhões, acima da expectativa de analistas, que apontavam cerca de US$ 86,6 bilhões, segundo dados compilados pela LSEG.

Um dos indicadores que chamou atenção do mercado foi o crescimento das chamadas Remaining Performance Obligations (RPO), métrica que representa receita contratada, mas ainda não reconhecida contabilmente.

Esse indicador avançou 325% em relação ao ano anterior, alcançando US$ 553 bilhões no terceiro trimestre fiscal, superando as estimativas de analistas, que previam cerca de US$ 540 bilhões. No trimestre anterior, a empresa havia registrado US$ 523 bilhões.

Leia mais: Corrida por chips mais avançados pressiona estratégia de data centers da Oracle

De acordo com a Oracle, e segundo informações da Reuters, a maior parte desse aumento está ligada a grandes contratos para infraestrutura de inteligência artificial.

A companhia tem ampliado investimentos em data centers capazes de suportar modelos de IA em larga escala, além de firmar parcerias com empresas como OpenAI e Meta para hospedar cargas de trabalho intensivas em processamento.

Estratégia exige investimentos elevados

A expansão da infraestrutura para IA envolve gastos bilionários e tem sido financiada, em parte, por meio de endividamento. A empresa, no entanto, afirmou que os contratos firmados devem garantir retorno suficiente para sustentar a estratégia sem necessidade de novas captações adicionais.

Analistas veem os resultados como um indicativo relevante sobre a saúde do mercado de inteligência artificial. Segundo Jacob Bourne, analista da eMarketer, a Oracle se tornou uma espécie de termômetro para avaliar a sustentabilidade do atual ciclo de investimentos em IA, especialmente por sua forte exposição financeira ao setor.

Durante a teleconferência com investidores, executivos da Oracle afirmaram que a rentabilidade da divisão de nuvem tende a melhorar com o tempo. Parte dessa expansão virá do aluguel de chips de inteligência artificial fornecidos por parceiros como a Nvidia. Segundo Clay Magouyrk, um dos executivos que lideram a empresa, a expectativa é que essa atividade gere margens entre 30% e 40%.

Além disso, entre 10% e 20% dos gastos dos clientes na nuvem da Oracle devem envolver outros serviços da empresa, incluindo seu tradicional negócio de bancos de dados, que possui margens brutas entre 60% e 80%.

IA também muda desenvolvimento de software

Outro ponto destacado pela companhia é o uso crescente de ferramentas de programação baseadas em inteligência artificial dentro da própria Oracle.

O cofundador e presidente do conselho da empresa, Larry Ellison, afirmou que esses recursos permitem desenvolver novos produtos de software com equipes menores de engenharia.

Segundo ele, a estratégia inclui a criação de sistemas baseados em agentes de IA capazes de automatizar processos completos em setores como saúde e serviços financeiros.

Para Ellison, a adoção dessas ferramentas pode transformar o mercado de software corporativo, mas a Oracle acredita que está posicionada para aproveitar essa mudança.

No terceiro trimestre fiscal, encerrado em 28 de fevereiro, a empresa registrou receita de US$ 17,19 bilhões, acima da estimativa média de analistas, que apontava US$ 16,91 bilhões.

Para o quarto trimestre fiscal, a Oracle projeta lucro ajustado entre US$ 1,96 e US$ 2,00 por ação, também acima das previsões do mercado.

A companhia ainda espera crescimento de receita entre 19% e 21% no período, com avanço entre 46% e 50% na divisão de nuvem.

Siga o IT Forum no LinkedIn e fique por dentro de todas as notícias!

Author Photo
Redação

A redação contempla textos de caráter informativo produzidos pela equipe de jornalistas do IT Forum.

Author Photo

Newsletter de tecnologia para você

Os melhores conteúdos do IT Forum na sua caixa de entrada.