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Nvidia e AMD vão repassar 15% da receita de vendas de chips para a China ao governo dos EUA

Nvidia e AMD concordaram em repassar 15% da receita obtida com a venda de determinados chips avançados de inteligência artificial para a China ao governo dos Estados Unidos. A informação foi confirmada por um representante do governo norte-americano à Reuters neste domingo (11) e representa um passo raro de intervenção direta na gestão comercial de empresas privadas.

O acordo envolve modelos como o H20 da Nvidia e o MI308 da AMD, autorizados recentemente a serem exportados para a China após meses de restrições. Segundo o Financial Times, a taxa foi imposta como condição para concessão das licenças de exportação, embora a administração Trump ainda não tenha definido o destino dos recursos arrecadados.

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Impacto financeiro e risco de precedente

Analistas alertam que a medida deve afetar as margens brutas das companhias, com estimativas de queda entre 5 e 15 pontos percentuais nas vendas destinadas à China. Isso pode reduzir em cerca de um ponto percentual as margens globais das duas empresas. Em 2024, a China representou 13% da receita da Nvidia (US$ 17 bilhões) e 24% da receita da AMD (US$ 6,2 bilhões).

Mesmo com a reabertura parcial das exportações, Nvidia e AMD já haviam projetado perdas bilionárias devido às restrições. A Nvidia estimou que a suspensão das vendas do H20 poderia retirar até US$ 8 bilhões de sua receita no trimestre encerrado em julho. Já a AMD calculou um impacto anual de US$ 1,5 bilhão.

Segurança nacional e negociações com Pequim

O governo norte-americano afirma não considerar que a venda dos modelos autorizados comprometa a segurança nacional, já que se trata de produtos menos avançados que os chips de última geração. De acordo com o secretário de Comércio, Howard Lutnick, a retomada parcial das vendas integra negociações mais amplas com a China, incluindo o acesso a minerais raros, mantendo empresas chinesas dependentes da tecnologia dos EUA.

Críticos, no entanto, questionam a lógica da medida. Especialistas como Martin Chorzempa, do Peterson Institute for International Economics, afirmam que a cobrança cria incentivos para controlar exportações visando arrecadação, e não apenas por preocupações de segurança. Analistas da Bernstein também classificaram o movimento como um “escorregador perigoso”, levantando dúvidas sobre se a prática pode se expandir para outros setores e mercados.

A China reagiu reafirmando sua oposição às restrições dos EUA, acusando Washington de usar medidas tecnológicas e comerciais para “conter e suprimir” o país. As limitações à exportação de chips avançados fazem parte de uma estratégia de sucessivas administrações norte-americanas para reduzir o acesso de Pequim a tecnologias críticas que possam fortalecer seu setor militar.

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