No futuro, nosso cérebro vai controlar o movimento dos carros?

Para o neurocientista brasileiro, Miguel Nicolelis, que falou na abertura do IT Forum, esse cenário é perfeitamente possível

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7:51 am - 28 de abril de 2018

Muito se fala de carros autônomos, que funcionarão sem a completa interferência do controle humano. Para Miguel Nicolelis, brasileiro e um dos 20 maiores cientistas do mundo, no futuro, no entanto, pode ser possível que carros sejam controlados pelo cérebro. Isso mesmo, pelo poder do pensamento.

Ao palestrar na abertura do IT Forum 2018, que celebra seus 20 anos de história, o também professor do Departamento de Neurobiologia e codiretor do Centro de Neuroengenharia da Duke University, nos Estados Unidos, mostrou que experimentos feitos com macacos indicam que esse cenário pode, sim, se tornar realidade. Nicolelis foi responsável pelo primeiro capítulo da História do Amanhã, tema do encontro neste ano.

Em alguns vídeos de testes realizados nesse sentido, ele mostrou que um macaco aprendeu a usar o poder da mente para calcular vetores e fazer uma cadeira de rodas eletrônica se deslocar até um recipiente com uvas, onde ele encontrou recompensa pelo seu esforço.

“Descobrimos que isso é possível e isso seria claramente aplicável para restaurar lesões do sistema nervoso central, como medular, onde o paciente consegue andar. Fizemos isso há quatro anos com o projeto Andar De Novo ao construir um exoesqueleto de membros inferiores controlado pela mente de pacientes com lesões medulares”, esclareceu ele.

Você deve se lembrar da materialização desse quadro na última Copa do Mundo, realizada no Brasil, quando um paraplégico deu o chute inicial na abertura do evento de futebol utilizando o exoesqueleto, equipamento desenvolvido pela equipe de Nicolelis. De lá para cá, sete pacientes conseguiram, depois de anos paralisados, recuperar os movimentos e são agora paralisados parciais.

Maior criação da humanidade

Na visão de Nicolelis, o cérebro é, sem dúvidas, a maior criação da humanidade e por isso ele tem poder transformador. Afinal, conta com 86 bilhões de neurônios e campos eletromagnéticos. Em milhares de anos de existência, o cérebro humano mostrou ser um fluxo contínuo, mudando a todo momento.

E o cérebro é tão incrível que pode ser combinado a outros para executar tarefas conjuntas. Nicolelis explica. “É possível cérebros atuarem simultaneamente para realizar um objetivo motor único. Chamamos isso de ‘brainet’”, contou ele. “A indústria de neurotecnologia será maior do que a indústria de cardiologia nos próximos anos”, sentenciou.

A brainet surgiu de um experimento realizado em macacos. Dois macacos tinham de pegar o centro de um desenho apenas com o poder da mente. Caso conseguissem realizar a tarefa juntos ganhavam uma gota de suco de laranja. “Toda vez que falamos com alguém nosso cérebro se sincroniza”, comentou.

Ao final de sua apresentação, Nicolelis lembrou: “Seja lá qual for o futuro, o amanhã ninguém pode prever, mas uma coisa é certa. Se optarmos por um futuro no qual a máquina domina, seremos apenas seres robotizados. Isso porque, o cérebro humano é analógico digital, com a maior parte das funções no analógico”, finalizou ele.

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