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Meta revive reconhecimento facial para conter fraudes, mas esbarra em privacidade

Depois de três anos fora de cena, a Meta está reativando seu software de reconhecimento facial, desta vez para combater fraudes envolvendo celebridades. Chamado de “celebrity bait”, o golpe consiste em usar imagens de figuras públicas para dar credibilidade a anúncios falsos. A iniciativa, anunciada na terça-feira (21), busca comparar automaticamente fotos de perfil com imagens usadas em campanhas suspeitas. Se houver coincidência, o anúncio será removido.

A ideia é inscrever cerca de 50 mil celebridades e figuras públicas na fase de testes. Elas serão informadas da inclusão e, se preferirem, poderão optar por sair do programa. O lançamento global está previsto para dezembro, mas há restrições: países da União Europeia e o Reino Unido, com regulação mais rígida sobre privacidade, ficarão de fora.

Leia também: A arquitetura da falha: como os apagões cibernéticos revelam fragilidades digitais

“A proposta é simples: impedir que fotos dessas pessoas sejam exploradas em fraudes publicitárias”, explicou Monika Bickert, vice-presidente de política de conteúdo da Meta. No entanto, o retorno do reconhecimento facial reacende discussões sobre o uso ético de biometria e os limites da vigilância digital.

De volta ao futuro da biometria

Desde que desativou seu sistema em 2021 e apagou os dados faciais de um bilhão de usuários, a Meta enfrenta uma série de processos. Em agosto de 2024, foi condenada a pagar US$ 1,4 bilhão ao Texas por uso ilegal de dados biométricos. Além disso, responde a ações judiciais por não proteger imagens de celebridades de forma adequada.

O retorno da tecnologia inclui uma promessa: toda informação facial gerada durante os testes será apagada, independentemente de fraudes serem detectadas. “Antes de reativarmos a ferramenta, passamos por uma revisão rigorosa com reguladores e especialistas externos”, garantiu Bickert.

Entre privacidade e segurança

O projeto se apresenta como uma solução para um problema crescente, mas esbarra no escrutínio regulatório de mercados como o europeu e brasileiro, onde o uso de biometria é altamente restrito. Enquanto isso, a Meta tenta ajustar sua imagem pública em meio a multas bilionárias e críticas sobre falta de transparência.

Com uma base de 50 mil figuras públicas em fase de teste, a empresa espera evitar mais processos e mostrar que o novo sistema é seguro — ao menos até onde as fronteiras da privacidade permitem.

Inicialmente, a Meta afirmou que o Brasil ficaria de fora do lançamento dos recursos por “desafios regulatórios”. A informação, depois, foi corrigida pela própria empresa.

Com informações da Reuters

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