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Do Brasil à América Latina: o mercado de pagamentos digitais além da fronteira

Nos últimos anos, tenho observado de perto como a colaboração entre fintechs e bancos tem transformado o setor de pagamentos, especialmente no Brasil e na América Latina.

O que antes parecia uma rivalidade entre duas abordagens completamente diferentes – a inovação ágil das fintechs e a solidez dos bancos tradicionais – agora se revela uma parceria estratégica, que atende à crescente demanda dos consumidores por serviços de pagamento mais rápidos, seguros e convenientes. Essa convergência está moldando o futuro financeiro da região de maneira impressionante.

Tradicionalmente, bancos e fintechs eram vistos como adversários. As fintechs, com sua capacidade de inovação tecnológica, desafiaram os modelos bancários convencionais, enquanto os bancos possuíam a infraestrutura e a confiança dos consumidores. Mas tenho percebido há algum tempo que essa visão tem mudado rapidamente.

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Ambas as partes perceberam que, ao colaborarem, podem desenvolver soluções muito mais eficazes e robustas. Bancos trazem sua experiência regulatória e a confiança que conquistaram ao longo do tempo, enquanto as fintechs oferecem um olhar inovador e focado no digital. E a união, na minha visão, resulta em uma oferta diversificada, que vai de carteiras digitais e pagamentos instantâneos, como o PIX, até novos serviços de crédito, mais acessíveis e personalizados.

No Brasil, a colaboração está em franco crescimento e um exemplo claro é o sucesso do PIX, que apenas em julho desse ano transacionou R$ 1,8 trilhão entre consumidores e estabelecimentos comerciais. A rapidez com que a plataforma foi adotada demonstra o poder da colaboração para oferecer ao consumidor soluções mais ágeis e convenientes.

Quando expandimos o olhar para a América Latina, a sua importância é ainda mais evidente. A região é marcada por grandes desigualdades econômicas e uma vasta população sub-bancarizada.

De acordo com um estudo da Statista que analisei há pouco tempo, mais de 45% da população latino-americana ainda não tem acesso a serviços bancários tradicionais. Esse vácuo tem sido preenchido por fintechs, que, ao se associarem com bancos, conseguem ampliar o alcance de suas soluções financeiras.

Ao refletir sobre o futuro, vejo algumas tendências promissoras. A Inteligência Artificial e o Machine Learning certamente desempenharão um papel importante, permitindo que bancos e fintechs ofereçam serviços mais personalizados e eficientes, ajudando também a melhorar a análise de dados, tornando as soluções financeiras mais precisas e alinhadas às necessidades de cada usuário.

Outra tecnologia que ganhará espaço é o blockchain, um sistema de contabilidade descentralizado e distribuído. Ele trará mais segurança e transparência às transações, permitindo a transferência de ativos digitais de maneira segura de uma parte para outra, sem a necessidade de intermediários ou terceiros.

Inclusive, o mercado global de finanças baseadas em blockchain foi avaliado em US$ 792,3 milhões em 2022 e deve alcançar US$ 79,3 bilhões até 2032, crescendo a uma taxa composta de crescimento anual (CAGR) de 60,5% entre 2023 e 2032, segundo Allied market Research.

Acredito que o maior impacto desta colaboração será a inclusão financeira. A união entre a inovação tecnológica das fintechs e a infraestrutura dos bancos tradicionais permitirá a criação de produtos mais acessíveis, levando milhões de consumidores para dentro do sistema financeiro formal. Essa inclusão não só transforma a vida das pessoas, como também contribui para o desenvolvimento econômico regional, gerando um ciclo virtuoso de crescimento e inovação.

Ao olhar para o que está por vir, fico entusiasmado. O mercado de pagamentos na América Latina está apenas começando a explorar o potencial da colaboração entre fintechs e bancos. Nos próximos anos, veremos um aumento significativo dessas parcerias, com soluções cada vez mais sofisticadas, acessíveis e seguras.

E a dinâmica de cooperação é um exemplo claro de como a disrupção tecnológica pode ser aproveitada para criar um ecossistema colaborativo, onde todos ganham – dos grandes bancos às pequenas fintechs, e, principalmente, os consumidores.

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