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Marc Raibert, do RAI Institute: “Mundo perdeu o foco na importância de construir coisas físicas”

“Eu amo robótica. E a razão pela qual estou particularmente feliz por estar aqui é que este evento trata realmente da construção de coisas – não apenas de computação e inteligência artificial, que são ótimas e importantes –, mas de criar coisas físicas. Acredito que o mundo perdeu o foco na relevância da construção de coisas físicas, e a robótica se trata exatamente disso: conectar coisas físicas ao mundo virtual”, afirmou Marc Raibert, diretor-executivo do RAI Institute (Robotics and AI Institute) e fundador da Boston Dynamics, marcando o início de sua palestra no 3DExperience World 2025. O evento anual, promovido pela Dassault Systèmes, é dedicado à comunidade de usuários do SolidWorks e da plataforma 3DExperience e, neste ano, ocorre em Houston, nos Estados Unidos.

Nos últimos 40 anos, a robótica percorreu um longo caminho, mas ainda temos uma longa jornada a percorrer, com a inteligência artificial sendo incorporada para tornar os robôs mais inteligentes, mais ágeis e hábeis, além de mais fáceis de usar. Ou seja, mais parecidos com as pessoas. Com isso, o objetivo é chegar a robôs e outros tipos de sistemas inteligentes que aumentem a produtividade, liberem as pessoas de tarefas perigosas, auxiliem indivíduos com deficiência e contribuam para uma melhor qualidade de vida.

Leia também: Estudo do MIT revela que LLMs funcionam de forma semelhante ao cérebro humano

Nesse sentido, Raibert destacou que “hardware é tão importante quanto software”. Para além da evolução da robótica, que vem incorporando inteligência artificial, o estudioso enfatizou a importância de se construir coisas físicas. “Na combinação do físico e a inteligência é onde as oportunidades vão acontecer”, defendeu. Como exemplo, apontou os avanços da Boston Dynamics, incluindo o robô quadrúpede Spot usado para inspeção industrial e de ambientes perigosos, e o robô humanoide Atlas, capaz de executar tarefas complexas sem intervenção humana.

“Estamos adicionando IA e acho que ela cabe na robótica; acho que robótica e inteligência artificial são codesenvolvidos, não dá para fazer um e não fazer o outro”, disse Raibert, após a palestra em coletiva com os jornalistas presentes. Assim, o futuro aponta para a incorporação de uma série de novas tecnologias à robótica, com “os grandes modelos de linguagem sendo muito importantes para a comunicação com os robôs”.

O RAI Institute tem direcionado seus esforços para o desenvolvimento de futuras gerações de máquinas inteligentes em quatro áreas principais de pesquisa: inteligência cognitiva (capacidade dos robôs de generalizar, estabelecer conexões, usar o senso comum e planejar); inteligência atlética (habilidade de realizar tarefas físicas com percepção, locomoção e equilíbrio); design orgânico (desenvolvimento de hardware que aproxima os robôs das capacidades semelhantes às humanas); e ética (abordando questões relacionadas à coleta de dados, implementação da robótica e seu impacto na sociedade).

Os projetos do instituto incluem aumentar a velocidade e agilidade dos robôs, por meio do aprendizado por reforço, e desenvolver robôs capazes de navegar em ambientes não-estruturados. “A ambição é combinar tudo com inteligência artificial”, concluiu.

*A jornalista viajou para Houston, nos Estados Unidos, a convite da Dassault Systèmes.

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