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Investimentos em startups caem 47% no 2º semestre de 2022

As incertezas em torno das startups e investimentos nela feitos não é são segredo para o mercado. Para entender o cenário, o Distrito lançou nessa segunda (16), em coletiva de imprensa, o Inside Venture Capital 2s2022, que desdobra os principais responsáveis pelas mudanças e os principais números do ano passado.

De acordo com o documento, primeiramente, houve o ajuste de mercado das startups após a normalização da demanda por serviços e produtos tecnológicos, inflados artificialmente durante anos. Essa “correção”, como vem sendo chamado o processo por alguns especialistas, está no cerne das ondas de layoffs em empresas de tecnologia e tem impacto direto sobre o valuation das companhias, o que implica diretamente nas decisões de investidores de risco.

Além disso, a alta da inflação global e o decorrente aumento da taxa de juros empurraram o capital para títulos mais seguros, sobretudo num contexto de tantas indefinições – de pandemia a guerras –, o que acabou por diminuir o apetite dos investidores por risco.

Leia também: Startups brasileiras acreditam no valor da diversidade – mas não a praticam

O segundo semestre de 2022 teve um total de US$ 1,54 bilhão de investimentos, representando uma queda de 46,93% em relação ao período anterior e uma variação ainda maior se comparado com os semestres de 2021.

“Quando falamos desse momento difícil, isso acontece especialmente para aquelas empresas que precisam de rodadas muito grandes, que já estavam queimando muito caixa e que precisaram começar a focar em áreas específicas. Mas as startups early stage, aquelas que criam pipeline para os investidores, não sofreram tanto”, comenta Carolina Strobel, sócia da Antler.

Por outro lado, o tíquete médio em investimentos semente (pré-seed +seed) teve o crescimento mais surpreendente no estágio seed, um crescimento de 29,82% em comparação a 2021. Esse pode ser um reflexo dos investimentos do primeiro semestre de 2022, que já estavam sendo acordados no segundo semestre de 2021.

Contudo, o tíquete médio do primeiro semestre do ano era de US$ 2,3 milhões, não muito acima dos US$ 2,2 milhões do tíquete médio dos 12 meses de 2022.

Comparação relativa

Gustavo Gierun, sócio do Distrito, frisa também que os investimentos de 2022, se comparados com 2020, apresentaram crescimento. É importante essa comparação pois, em 2021, houve um boom necessário nas empresas de tecnologia devido à pandemia do novo coronavírus.

“Em 2022, o número de transações foi maior do que nos outros anos. A roda continua girando, as transações continuam acontecendo, mas com um volume investido muito menor. Comparando o volume investido no segundo semestre de 2022, ele é menor de 2019 e 2020. Normalmente o segundo semestre é mais forte, com mais investimentos e não foi o que vimos no ano passado”, pondera ele.

Entre os setores que mais receberam investimentos em 2022, estão em primeiro lugar as FinTechs (R$ 1,7 bi), seguidas de RetailTech, EnergyTech e Real State e HealthTech. De acordo com o documento, o setor de energia mostra um amadurecimento e deve chamar atenção para os próximos anos, conforme a pauta verde se torna cada vez mais relevante.

“O Brasil tem uma vocação natural para fintech, para health, para retail e clean tech. Eu não tenho dúvida que isso fará parte do portfolio também em 2023 e é natural que o faça. Dentro de uma indústria, a gente sempre tem um perfil mais ousado e um mais conservador e nesse momento que os fundos buscam as empresas que vão dar resultado, elas olham em geral para os modelos mais provados”, comenta Carolina.

No mercado de M&As, comparando o primeiro semestre de 2021 com o mesmo período de 2022, houve um aumento de pouco mais de 4%. Uma possível justificativa para tal é a chamada “mentalidade de desconto” que, por conta da diminuição dos valuations durante  primeiro semestre do ano, permitiu abordagens baseadas em aquisições mais agressivas.

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