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Na separação da HP em duas empresas, o que muda e como fica a HP Brasil

A divisão da HP em duas empresas segue um ritmo constante no Brasil. O fluxo mantém a cadência estabelecida globalmente pela corporação. Aos poucos, avanços são contabilizados e as novas organizações começam a ganhar forma. Já é possível ver algumas certezas.

Dentre os rumos já definidos há a clareza de que Claudio Raupp, atual vice-presidente de PPS, assumirá a liderança de Inc. Da mesma forma, Luciano Corsini, hoje vice-presidente de ES e presidente da provedora no Brasil, responderá por Enterprise. Os nomes dos executivos foram confirmados há alguns dias.

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Mas há muito ainda para definir até agosto, quando as empresas começam a operar internamente de maneira separada, no que pode ser considerado uma espécie de teste de campo para chegar com tudo ajustado quando a separação de fato ocorrer, em 1º de novembro.

A pressão pelo prazo faz a HP correr. Não raro, se ouve a CEO Meg Whitman dizer que o momento é de priorizar a velocidade em detrimento da elegância. “Vamos tomar as melhores decisões possíveis para que a separação esteja pronta na data prevista”, endossa Raupp.

O executivo cita que nesse momento as empresas tocam temas como a criação de entidades legais no Brasil. Em paralelo ao processo burocrático, um comitê toca aspectos que versam sobre como se dará a divisão em termos práticos. Por “termos práticos” entenda-se desde elementos básicos do dia a dia da operação, passando por pessoas e sistemas, chegando até contratos com fornecedores e espaço físico a ser ocupado.

Raupp explica que as estruturas de vendas, produtos, supply chain e marketing, por exemplo, já operam de forma bastante independente devido a própria estrutura verticalizada adotada historicamente pela HP. Já os profissionais que atuam em áreas de apoio e então compartilhadas (como recursos humanos, contabilidade, advocacia, finanças) ainda passam por um processo de compreensão de perfil para saber o crachá de qual empresa usarão já a partir de agosto.

A divisão dá a ideia de que vagas serão criadas para suprir o que atualmente vinha sendo compartilhado de backoffice. Mas o plano, pelo menos inicialmente, não é abrir grandes contratações para simplesmente replicar duas estruturas. A mensagem é que esse processo tende a abrir oportunidades contratação, mas especialmente, oportunidades para promoção de funcionários da casa para ocuparem cargos que serão espelhados nas estruturas.

Fora isso, há toda uma definição sobre como ficará a divisão física dos espaços que a organização ocupa. A HP mantém operações em uma dezena de locais espalhados pelo Brasil. Para se ter uma ideia, em São Paulo, há os andares no Centro Empresarial Nações Unidas (Cenu), os data centers da antiga EDS em Barueri, sites em Campinas, Imigrantes, Araraquara. Há, também, o laboratório no Tecnopuc em Porto Alegre (RS) e escritórios em Brasília, Rio de Janeiro e Espírito Santo, para listar apenas os que é possível lembrar agora.

De acordo com Raupp, está em estudo como se dará exatamente essa divisão pois, tirando uma ou outra exceção, há muitos funcionários e questões compartilhadas entre Inc e Enterprise nesses espaços. A certeza é que haverá uma divisão física, até por uma questão regulatória imposta por mecanismos que regulam a competição de mercado.

“Tem que acreditar que existe uma separação mesmo”, reforça o executivo, citando, contudo, que haverá colaboração entre as áreas em diversos níveis. “Tem patentes e propriedade intelectual que servem aos dois negócios”, ilustra, para definir: “E é interessante citar que uma empresa nasce como maior cliente da outra e vice-versa. O DNA vai ser mantido. Não estamos fazendo esse movimento porque a estratégia tem que mudar, mas para ganhar agilidade”.

Assim como em termos globais, a HP Inc e Enterprise no Brasil terão basicamente mesma proporção de receitas e resultados financeiros. A divisão corporativa com relação aos recursos humanos, até por conta da oferta de serviços, tende a ficar com um percentual maior dos cerca de 7,5 funcionários que a fabricante emprega no País. Localmente, os contratos com fornecedores ainda serão revistos. “Tudo a seu tempo”, resume Raupp.

Impacto nos negócios

Enquanto corre para operacionalizar uma das maiores divisões de empresas da história do mercado de tecnologia, a empresa luta para não perder negócios e manter os resultados. Executivos da HP afirmam que as projeções de crescimento – definidas antes do anúncio do split off em outubro de 2014 – são mantidas.

“Trabalhamos para que não haja impacto operacional, mas é preciso ficar atento porque é uma separação de grande porte”, pondera Raupp. A ideia é que cada empresa direcione investimentos e estratégias para capturar oportunidades de crescimento. “Há uma estimativa de expansão no longo prazo a partir de investimento, foco no negócio e velocidade na tomada de decisão”, acrescenta.

A corporação, de certa forma, se prepara para isso com um esforço na cobertura via canais e, talvez tão importante quanto, com a retomada nos investimentos em pesquisa e desenvolvimento (P&D). “Nos últimos três anos e meio fizemos muito em termos de inovação. O resultado começa a aparecer nas linhas do core de ambas as divisões”, comenta o vice-presidente.

A partir de primeiro de agosto a estrutura interna já estará preparada, com todas as questões e posições praticamente definidas. Depois disso, HP Inc e HP Enteprise terão mais um trimestre para fazer ajustes finos e seguir seu rumo, cada uma com suas próprias pernas, a partir de novembro de 2015.

*O jornalista participa do HPC, em Las Vegas (EUA), a convite da HP Brasil.

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Redação
11 anos ago

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