O governo da Holanda anunciou que vai renunciar ao controle temporário que havia assumido sobre a Nexperia, fabricante de chips de origem chinesa com sede em Nijmegen. A medida reduz a tensão que vinha se acumulando entre os dois países e que já provocava gargalos no fornecimento de semicondutores para a cadeia automotiva global, segundo a ABC News.
A intervenção original ocorreu em setembro, quando o Ministério de Assuntos Econômicos alegou preocupação com segurança nacional e falhas graves de governança. A companhia, pertencente à chinesa Wingtech, detém tecnologias consideradas estratégicas para a indústria europeia.
O temor era de que uma eventual transferência de conhecimento sensível comprometesse a autonomia tecnológica do bloco. A decisão, contudo, acendeu alertas do outro lado: montadoras na América do Norte, Japão e Coreia do Sul reportaram risco de ruptura na oferta de componentes, e a Honda chegou a suspender a produção do modelo HR-V em uma fábrica no México.
O ministro Vincent Karremans afirmou que a suspensão da ordem foi um “sinal de boa vontade” após uma série de conversas consideradas construtivas com autoridades chinesas. Segundo ele, Pequim adotou ações para garantir o fluxo de chips para a Europa e demais mercados, um recuo que ocorre logo após o fim do embargo imposto pela própria China às exportações de componentes fabricados na unidade chinesa da Nexperia.
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Esse bloqueio havia sido instaurado no início de outubro, em resposta ao endurecimento de restrições comerciais pelos Estados Unidos. Washington colocou a Wingtech na lista de entidades sob controle de exportação e estendeu a medida a subsidiárias da companhia. Uma disputa interna se seguiu, culminando na saída do fundador da Wingtech, Zhang Xuezheng, da liderança da Nexperia, uma exigência colocada por autoridades norte-americanas para evitar novas barreiras.
Embora o gesto holandês alivie o ambiente diplomático, ainda não está claro quem assume a gestão efetiva da Nexperia daqui em diante. A própria empresa não respondeu às solicitações de comentário, e o comunicado de Karremans não detalha como ficará o comando corporativo.
Internamente, sinais de atrito continuam. A subsidiária chinesa acusou a matriz na Holanda de interromper o envio de wafers necessários à produção local, o que poderia comprometer entregas de chips finalizados.
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