Na semana de estreia do Brasil na Copa do Mundo, o Google anunciou nesta quarta-feira (10) uma parceria de dois anos com a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) para centralizar e analisar dados das seleções masculina e feminina com inteligência artificial generativa. O acordo foi apresentado durante o Google for Brasil 2026, em São Paulo.
O projeto resolve um problema operacional concreto: as comissões técnicas gastam cerca de 70% do tempo compilando planilhas com informações dispersas entre relatórios médicos, estatísticas de desempenho e observações técnicas. O Google Cloud vai criar um repositório centralizado na nuvem para integrar todos esses dados em uma única plataforma, eliminando o trabalho manual de consolidação antes de cada partida ou treino.
O acesso à plataforma se dará pelo Gemini, assistente de IA do Google que permite consultas em linguagem natural. Um analista poderá perguntar diretamente ao sistema como o nível de desgaste físico de um atleta se compara ao desempenho dele na partida anterior e receber a resposta com base nos dados já consolidados, sem precisar cruzar arquivos manualmente. Em etapas seguintes, o sistema deve oferecer sugestões preditivas à comissão.
Para quem acompanha o dia a dia de uma seleção em Copa do Mundo, o impacto é direto: decisões sobre escalação, gestão de carga e recuperação de atletas passam a ter base de dados unificada e consultável em tempo real, em vez de depender de relatórios fragmentados produzidos por diferentes áreas.
“Estamos construindo uma estrutura que coloca o Brasil na vanguarda da análise de desempenho no esporte mundial”, afirma o presidente da CBF, Samir Xaud. A gerente-geral do Google Cloud Brasil, Milena Leal, define o escopo. “Na prática, vamos organizar informações técnicas que estão espalhadas para criar estratégias para a comissão técnica.”
No mesmo evento, o Google anunciou que o Palmeiras se torna o primeiro clube da América Latina a implementar o TacticAI, tecnologia desenvolvida pelo Google DeepMind. A ferramenta, antes restrita a lances de bola parada como escanteios e pênaltis, foi refinada para operar com a bola em movimento, gerando previsões de dinâmica de campo com até oito segundos de antecedência.
O departamento de ciência de dados do clube opera um software que permite deslocar virtualmente atletas para observar projeções de trajetória da bola e o comportamento tático decorrente. Hoje usado em análise pré e pós-jogo, o recurso deve passar a ser utilizado ao longo dos 90 minutos de partidas competitivas.
Para o Google Cloud, as duas iniciativas seguem o modelo de parcerias com outras organizações esportivas globais, entre elas a Fórmula E, a Major League Baseball e a equipe olímpica americana de esqui e snowboard.
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