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Google e Monashees criam fundo para startups de IA no Brasil

O Google e a gestora de venture capital Monashees anunciaram nesta semana, durante o evento Google for Brasil, a criação do Gama Fund, iniciativa conjunta voltada ao financiamento e à aceleração de startups brasileiras com foco em inteligência artificial.

O fundo integra o programa global AI Futures Fund, do Google Labs, que já opera modelo semelhante na Índia em parceria com a Accel. Cada startup selecionada poderá receber co-investimento de até US$ 2 milhões, além de acesso antecipado a modelos do Google DeepMind, créditos em nuvem de até US$ 350 mil e suporte técnico das equipes de engenharia do Google.

A iniciativa prevê, em um primeiro momento, aportes em cerca de cinco startups. O processo seletivo será conduzido de forma conjunta pelas duas organizações e exige consentimento mútuo para cada escolha, visando projetos com potenciais para futuros unicórnios, que são as iniciativas que atingem valor de negócio em US$ 1 bilhão sem ainda terem aberto capital na bolsa. “Quem sabe tenhamos mais unicórnios saindo do Brasil. O Google quer tentar acelerar esse processo”, declara Fábio Coelho, presidente da Google Brasil.

As empresas elegíveis precisam ser fundadas por empreendedores brasileiros, operar no Brasil ou no exterior, e utilizar ou planejar integrar soluções de IA do Google em suas operações principais. O alinhamento com os temas de investimento prioritários do programa e a capacidade de colaboração com engenheiros e pesquisadores do Google também são critérios de avaliação.

“Nosso objetivo é capacitar fundadores locais a construir e escalar empresas de sucesso global a partir do Brasil”, afirma Coelho, destacando que a iniciativa funciona como uma via de mão dupla: as startups recebem recursos e acesso tecnológico, enquanto o feedback das empresas selecionadas alimenta o refinamento dos próprios modelos de IA do Google.

A escolha da Monashees como parceira reflete seu peso no ecossistema latino-americano de tecnologia. Fundada em 2005, a gestora captou US$ 1,5 bilhão, investiu em mais de 150 startups e tem 16 unicórnios em seu portfólio, entre eles 99, Rappi, Neon e Nomad, além de empresas de IA como Runway, Tractian e Moises. “Esta parceria é mais uma expressão de dois pilares da nossa tese: Global Latam e Inteligência Artificial”, disse Eric Acher, CEO e cofundador da Monashees.

Espaço físico e plataforma de geração de empresas

Além do fundo, as duas organizações anunciaram a criação da Gama House, espaço físico a ser instalado no edifício Gabriel 1825, em São Paulo, com previsão de lançamento nos próximos meses. O local será dedicado a startups AI-First e deve sediar hackathons mensais, sessões de programação, mentorias com especialistas globais e turmas de aceleração do Google Cloud. O espaço também abrigará a plataforma Shiva, voltada à identificação de talentos técnicos para a criação de empresas nativas em IA.

Para o ecossistema de tecnologia corporativa brasileiro, o Gama Fund representa um movimento relevante por algumas razões. Em primeiro lugar, o acesso antecipado a modelos como Gemini, Imagen e Veo pode representar vantagem competitiva concreta para as startups selecionadas em um mercado onde a diferenciação técnica entre concorrentes tende a se reduzir rapidamente.

Leia mais: Web Summit Rio 2026: aquisição, GPUs fracionadas e meta de capacitar 3 milhões em IA marcam a semana

Em segundo lugar, o modelo de “co-investimento” com envolvimento direto das equipes de engenharia do Google cria um canal de retorno que pode acelerar o desenvolvimento de aplicações verticalizadas para o mercado brasileiro, algo que os modelos generalistas ainda têm dificuldade de atender com precisão.

O programa também levanta uma questão estratégica para as startups que considerarem participar: ao integrar profundamente as soluções de IA do Google em suas operações como critério de elegibilidade, o Gama Fund cria uma dependência tecnológica que pode limitar escolhas futuras de fornecedores. Para fundadores que avaliam o programa, a análise do custo de migração no longo prazo deve fazer parte da equação desde o início.

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