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Ex-Meta acusa empresa de colaborar com governo chinês para censura e vigilância

Sarah Wynn-Williams, ex-diretora de Políticas Públicas Globais do Facebook, agora Meta, acusou a empresa em um depoimento contundente ao Senado dos Estados Unidos nesta quarta-feira (9). Segundo ela, a Meta teria colaborado ativamente com o Partido Comunista Chinês (PCC), em um esforço que, de acordo com suas palavras, comprometeu a segurança nacional dos EUA e traiu os valores norte-americanos.

De acordo com o TechCrunch, ela apresentou documentos aos senadores e relatou que o Facebook desenvolveu ferramentas personalizadas de censura para o regime chinês.

Um dos mecanismos dava a um “editor-chefe” controle absoluto sobre a moderação de conteúdo, com o poder até de desligar completamente o serviço em datas específicas, como o aniversário do massacre da Praça da Paz Celestial, ou em regiões inteiras do país.

A ex-executiva, que trabalhou na empresa até 2017, detalhou ainda que o sistema incluía “contadores de viralidade” que acionavam uma revisão automática sempre que uma postagem ultrapassava 10 mil visualizações. Segundo ela, esses recursos também teriam sido ativados em Hong Kong e Taiwan, não apenas na China continental.

A Meta negou todas as alegações. Em nota enviada ao TechCrunch, o porta-voz Ryan Daniels classificou o testemunho como “desconectado da realidade” e cheio de “afirmações falsas”.

Ele afirmou que, embora Mark Zuckerberg, CEO da Meta, tenha se mostrado publicamente interessado em oferecer serviços na China no passado, a companhia atualmente não opera seus produtos, como Facebook e Instagram, no país.

Leia também: China proíbe exportações para 12 empresas de tecnologia dos EUA e eleva tarifas para 84%

Livro revela bastidores

A polêmica ocorre poucos dias após a publicação do livro de memórias de Sarah, Careless People: A Cautionary Tale of Power, Greed, and Lost Idealism, no qual ela detalha sua experiência na empresa.

A Meta tentou conter os efeitos da obra e chegou a obter uma decisão arbitral favorável, alegando que a autora violou um acordo de não difamação. O efeito, porém, foi o oposto: o livro alcançou o segundo lugar na lista de mais vendidos do The New York Times na categoria não-ficção.

A Meta disse à reportagem que a decisão judicial não impede Sarah de depor perante o Congresso e que não pretende interferir em seus direitos legais. A companhia também reiterou que não esconde sua atuação comercial na China. Em documentos oficiais, admite gerar receita publicitária no país, ainda que seus serviços estejam formalmente banidos ali.

Segundo o próprio relatório anual da empresa, a Meta faturou US$ 18,3 bilhões em 2024, crescimento frente aos US$ 13,69 bilhões em 2023 e US$ 7,4 bilhões em 2022.

Além da publicidade

Para Sarah, porém, a relação da Meta com o governo chinês vai além da publicidade. Em uma das mensagens compartilhadas com os senadores, executivos da empresa supostamente discutiam fornecer ao PCC dados de usuários na China e em Hong Kong, uma prática que, segundo ela, também poderia expor dados de cidadãos norte-americanos que interagissem com esses perfis.

A executiva disse ainda que a Meta teria informado autoridades chinesas sobre avanços em tecnologias sensíveis como inteligência artificial (IA) e reconhecimento facial.

Em resposta direta ao CEO da Meta, ela concluiu seu depoimento com críticas duras. “O maior truque de Mark Zuckerberg foi se envolver na bandeira americana e se declarar patriota, enquanto passava a última década construindo um negócio de 18 bilhões de dólares na China, e continua fazendo o mesmo agora com a inteligência artificial.”

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