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O que um ex-fraudador e uma caçadora de fraudes ensinam sobre crimes virtuais?

De um lado, Frank Abagnale, ex-golpista cuja vida inspirou o filme “Prenda-me se for Capaz”. Do outro, Tatiana Zambrano, líder de execução de fraudes no banco canadense Trios. O objetivo? Transformar uma conversa sobre segurança digital financeira em um jogo impossível de ignorar.

Logo no início da brincadeira no palco do SAS Innovate 2025*, que acontece em Orlando, nos Estados Unidos, a provocação: “Se você assistiu ‘Prenda-me se for Capaz’, com quem você se identifica?”, perguntou o mediador. “Comigo mesmo”, respondeu Frank, sem pestanejar. E completou: “Para pegar um fraudador, você precisa pensar como um”.

O jogo seguiu com rodadas temáticas, como identidade, futuro, inovação, mas o clima era tudo, menos fictício. O que ficou em evidência foi um retrato nu e cru do novo cenário das fraudes: global, automatizado e sem empatia.

“Antigamente, o fraudador olhava no olho da vítima. Havia alguma empatia, por mais distorcida que fosse. Hoje, a distância emocional é total. Eles nem veem quem estão lesando, e isso torna tudo mais perigoso”, alertou Abagnale.

Tatiana confirmou com a propriedade de quem enfrenta esse desafio diariamente. “A falta de empatia permite operar em escala. E para combater isso, a sofisticação tem que ser ainda maior. Eles não têm compliance nem regulação para seguir. Nós temos. Então temos que ser mais rápidos.”

Na categoria ‘futuro’, o ex-golpista foi direto. “Se eu fizesse hoje o que fiz há 50 anos, ganharia 200 milhões em vez de dois. A tecnologia não só facilita serviços, ela também facilita o crime.”

Já Tatiana, ao ser questionada sobre inovação nesse contexto, falou da corrida contra o tempo com os fraudadores que já estão usando IA generativa para enganar sistemas e pessoas. “É uma corrida armamentista. Se não usarmos IA generativa para nos proteger, vamos perder.”

A brincadeira terminou, mas o recado foi claro. A fraude não é um jogo. É um risco sistêmico que se reinventa ao ritmo da tecnologia. E para vencê-lo, será preciso mais do que firewalls e campanhas de conscientização. É preciso pensar como eles, antecipar movimentos e inovar mais rápido.

*A jornalista viajou a convite do SAS

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