92% das companhias planejam investir em IA para marketing, enquanto metade não prevê recursos para saneamento de dados na área
A corrida das empresas brasileiras pela inteligência artificial avança em ritmo superior à preparação de suas estruturas de dados. Embora 92% das organizações pretendam investir em IA para marketing em 2026, metade não planeja destinar recursos ao saneamento das informações utilizadas pela área.
O cenário é apresentado nos primeiros benchmarks nacionais de Maturidade Tecnológica em Marketing B2B (IMTM) e Vendas B2B (IMTV), elaborados pela Live University | Ibramerc (Instituto Brasileiro de Inteligência de Mercado). Os resultados foram anunciados durante o Fórum B2B da instituição.
Em vendas, 81% das empresas afirmam que investirão em inteligência artificial em 2026. Ao mesmo tempo, 40% não pretendem aplicar recursos na qualidade dos dados da área, condição considerada necessária para que as novas ferramentas produzam resultados.
O levantamento também identificou dificuldades na integração entre sistemas internos e externos. Entre as plataformas analisadas estão o ERP (Enterprise Resource Planning), utilizado na gestão de operações, finanças, estoque e contabilidade, e o CRM (Customer Relationship Management), voltado aos processos de vendas, marketing e relacionamento com clientes.
Na área de marketing, 39% dos participantes relatam falta de integração entre esses ambientes. Em vendas, o problema atinge 50% das organizações.
Além das limitações tecnológicas, o estudo aponta obstáculos relacionados à maneira como as soluções são implementadas. O alinhamento entre marketing e vendas, o envolvimento da liderança e a adoção de uma metodologia estruturada aparecem entre os principais fatores para o sucesso da transformação tecnológica.
As próprias áreas, no entanto, reconhecem o desalinhamento interno como uma das maiores barreiras para que os novos sistemas entreguem os resultados esperados.
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A preparação dos profissionais é outro ponto de atenção. A capacitação está entre os principais entraves à adoção de tecnologias, diante da dificuldade de conciliar treinamentos com a pressão pelo cumprimento de metas comerciais.
Para Alex Silva, diretor da Live University | Ibramerc, a ausência de um processo contínuo de desenvolvimento das equipes pode limitar o aproveitamento de ferramentas de IA, CRM e automação, reduzindo o retorno sobre os investimentos.
Os índices também mostram diferenças no estágio de evolução das duas áreas. O Índice de Maturidade Tecnológica em Vendas B2B (IMTV) foi classificado como “em desenvolvimento”, enquanto o Índice de Maturidade Tecnológica em Marketing B2B (IMTM) alcançou o nível “estruturado”.
O resultado indica que o marketing avançou mais rapidamente na adoção de ferramentas digitais. As operações de vendas, por sua vez, ainda enfrentam dificuldades na integração de dados, padronização de processos e utilização estratégica das informações.
“O mercado tem adquirido cada vez mais plataformas, mas sem uma arquitetura tecnológica definida elas acabam funcionando de forma isolada. O resultado é uma multiplicação de ferramentas que não conversam entre si e dificultam a geração de inteligência para o negócio”, afirma Silva.
Segundo o executivo, antes de incorporar novas soluções de inteligência artificial, as companhias precisam assegurar a qualidade dos dados, a integração entre sistemas e a governança das informações.
Criado para avaliar como as empresas brasileiras utilizam dados, automação, inteligência artificial e integração entre marketing, vendas e operações, o estudo busca estabelecer indicadores, tendências e boas práticas para a transformação digital.
Os resultados revelam um descompasso entre o interesse por novas tecnologias e a capacidade das organizações de extrair valor delas. No IMTM, a IA generativa já está presente em níveis mais avançados em 58% das empresas, enquanto a IA analítica aparece em apenas 20%.
No IMTV, 30% das organizações possuem IA generativa em estágios avançados, mas somente 13% contam com recursos para analisar o material produzido.
“Estamos na era em que a IA deixou de ser promessa e passou a integrar a estratégia das empresas. Mas ainda existe uma lacuna importante entre investir em tecnologia e ter condições para que ela agregue valor aos processos”, declara o CEO da Live University Henrique Gasperoni. “Sem governança, a IA tende a ampliar os problemas já existentes, ao invés de melhorar os resultados. O objetivo do estudo é justamente oferecer um diagnóstico do cenário atual para refletirmos sobre onde chegamos e como podemos direcionar os investimentos com mais eficiência”, finaliza.
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