Notícias

Empresas devem entender proporções de ciberataques destrutivos

Novos ataques, técnicas e modelos de ciberataques surgem a todo momento, mas a Inteligência Artificial não é a grande responsável por isso. Ao menos não por enquanto, diz Eli Smadja, gerente da Check Point Software Technologies, em entrevista ao IT Forum.

“Mas, com certeza, isso acontecerá. É apenas uma questão de tempo. E, para ser sincero, acho que será um grande desafio entender como esse ataque é construído a partir de uma IA e não apenas de alguém desconhecido desenvolvendo algo”, reflete o executivo.

Por outro lado, mesmo estando no início do ano, já é possível observar muitas operações destrutivas no cenário de ciberataques. Normalmente, os crimes para ganhar dinheiro são os mais comuns, mas ultimamente, alguns países (como Irã, Rússia e Ucrânia) estão realizando ações destrutivas e isso mostra, segundo Smadja, como o futuro será.

Leia mais: Gil Shwed: o ano da IA foi transformado em arma para cibercriminosos

“Podemos ver que é uma espécie de tendência e que alguns também alguns grupos civis, não apenas grupos de estados-nação, fazendo esta operação massiva em nome de algumas crenças. Eu acho que isso é realmente assustador ver muitas ferramentas que, por exemplo, limpa todo o sistema, algo que há dois anos era muito rara. Agora você pode encontrar muitos desses ataques por toda parte”, alerta o especialista.

Parte disso, diz ele, consiste em obter controle ou acesso e manter a persistência em áreas estratégicas em tempos de guerra, como estamos a ver agora. “Entretanto, eu acho que os estados que estão por trás disso estão apenas esperando para o dia em que eles vão querer fazer isso.”

E, apesar de ser um problema distante, esse também deve ter um olhar corporativo. Para Smadja, as empresas ainda não entendem a proporção dos ciberataques. “Infelizmente, é como a natureza humana: até que você veja sangue, você não entende o que precisa para se preparar e como reagir. E, para ser honesto, estar totalmente preparado não é uma opção.”

Ele adverte que atacar um estado-nação não é tão simples. Por outro lado, atacar empresas é um caminho para chegar a um resultado governamental. Ou seja, atacar uma instituição com relação a dados públicos do governo pode ser perfeito a um atacante.

O ataque destrutivo, explica Smadja, destrói a rede com todas as informações. Ou seja, ele limpa a rede e, por isso, é o pior ataque que pode existir, pois se torna inviável reconstruir o sistema e, mesmo que tenha um backup, recuperar tudo o que foi perdido é complexo.

“Você pode levar meses apenas para reconstruir os servidores e fazer todas as configurações. Então, eu acho que os limpadores destrutivos são o pior ataque que pode ser. Se você sofrer um ataque de ransomware, posso ajudá-lo a recuperar os dados se você não tiver backup”, comenta ele.

Outra preocupação para 20224 são dois grandes eventos: as Olimpíadas e as eleições que acontecem em diversos países, como as eleições municipais do Brasil e a presidencial nos Estados Unidos.

“É claro que acho que as eleições sempre trazem ataques, mesmo em Israel, onde estão as eleições agora e isso vai acontecer no EUA e em outros países. Penso, novamente, que a cibernética é a arma mais eficaz e, definitivamente, em momentos como os Jogos Olímpicos, quando você pode realizar um ataque de influência significativo, tenho certeza que alguém vai tentar”, finaliza.

Siga o IT Forum no LinkedIn e fique por dentro de todas as notícias! 

*a jornalista viajou a convite da Check Point

Recent Posts

Movida lança agente de IA no WhatsApp em parceria com a Meta e aposta em nova experiência de locação

A plataforma de locação de automóveis Movida lançou um agente de inteligência artificial integrado ao…

18 horas ago

Oracle nomeia Marcelle Paiva como nova VP de vendas, Data&AI Hub na América Latina

A Oracle anunciou Marcelle Paiva como nova vice-presidente de vendas, Go-to-Market (GTM) e ecossistema para…

19 horas ago

Mercado de IPOs de tecnologia ganha força com avanço da IA

O mercado de ofertas públicas iniciais voltou a ganhar tração em 2026, impulsionado principalmente pelo…

19 horas ago

Oracle adiciona US$ 85 bilhões em contratos de IA e encerra trimestre com carteira recorde de US$ 638 bilhões

A Oracle encerrou o quarto trimestre e o ano fiscal de 2026 com resultados recordes,…

19 horas ago

Disputa entre Anthropic e OpenAI expõe divergências sobre o futuro da inteligência artificial

A disputa entre Anthropic e OpenAI ganhou novos contornos e se tornou um dos principais…

20 horas ago

Marketing B2B precisa se reorganizar para atender compradores mais autônomos, diz Forrester

As áreas de marketing B2B precisam rever sua estrutura operacional para acompanhar a transformação do…

20 horas ago