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E-commerce cresce na esteira da mobilidade

Como será a mobilidade do futuro? Para falar sobre o tema, o Chief Operating Officer (COO) e cofundador do Mercado Livre, Stelleo Tolda, participa do SPIN Summit Brazil 2018, evento de inovação e tecnologia que reúne executivos do Brasil, Estados Unidos e Israel para discutir o ecossistema de startups e para fomentar negócios entre os três países.

Para Tolda, o mercado eletrônico tem acompanhado os avanços da tecnologia e da mobilidade, impulsionando de forma orgânica o uso dos smartphones para comprar produtos. “Mais de 55% das vendas do Mercado Livre são feitas pelos celulares”, diz. No mundo, segundo Stelleo, a China lidera esse movimento, com 80% das transações do comércio eletrônico via celulares.

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Ele destaca que as vendas do e-commerce no Brasil ainda têm um grande potencial de crescimento. Enquanto respondem por apenas 5% do total de negócios realizados no varejo brasileiro, na China já representam 20%.

Sobre a mobilidade urbana no comércio digital, afirma que a expectativa das pessoas passa por uma entrega mais rápida dos produtos adquiridos pela internet. “No caso do Mercado Livre, que é um marketplace, muitas vezes o produto sai do vendedor diretamente para o comprador, principalmente quando o vendedor é uma pessoa física que está comercializando um determinado item. Essa operação traz um benefício muito grande no que diz respeito ao tempo de entrega”, explica.

Em outros casos, quando se trata de um grande vendedor, os itens vão para um centro de triagem ou para um centro de distribuição antes de serem enviados a quem os adquiriu. “Em todas essas hipóteses, independentemente de a negociação ser feita via celular ou computador, estamos sempre focados em desenvolver ferramentas para proporcionar cada vez mais uma melhor experiência, tanto para o comprador quanto para o vendedor”, ressalta.

Desafio de mobilidade

De acordo com Tolda, o desafio do Brasil é desenvolver ainda mais a última etapa do transporte, chamada de “last mile”, em referência à proximidade com o comprador, em que o caminho é apostar na capilaridade, aproveitando os recursos de mobilidade já existentes no País. “Uma parte da solução seria investir em meios de transporte que o Brasil já possui, por exemplo, veículos, motos e vans. A rede de logística é complexa e precisa de apoio. Não podemos depender apenas do transporte rodoviário. Por isso, estamos trabalhando em outros meios”, explica.

Na operação do Mercado Livre no Brasil, principal país em que a empresa atua, 50% das mercadorias são entregues em 48 horas, segundo o COO. Na Argentina, o número é um pouco superior, principalmente em virtude da concentração de vendedores e compradores na região de Buenos Aires. O México lidera com 80% de produtos entregues nesse prazo, e isso ocorre por alguns motivos — além da presença consolidada de empresas globais de entrega como FedEx e DHL, utilizam outras malhas, como a ferroviária e a aérea.

De acordo com o executivo do Mercado Livre, a logística de transporte de mercadorias por meio de drones ainda é uma utopia. “Em nenhum mercado do mundo está acontecendo a entrega em volume por esse dispositivo. Podemos citar apenas uma empresa na China, que envia pacotes para áreas rurais, mas em um raio bem limitado”, afirma. “Os drones viraram ferramentas de marketing para mostrar que uma empresa é avançada”, complementa.

Tolda ainda destaca que a entrega de mercadoria com esse tipo de plataforma vai demorar muito tempo para chegar nas regiões urbanas. “Vemos atualmente apenas dois casos em que há uma boa utilização de drones: para imagens e para uso militar”, explica.

Fintechs

Área em franco desenvolvimento, o acesso ao dinheiro de forma mais democrática, fora do sistema bancário tradicional, também recebe a atenção do Mercado Livre. De acordo com o COO, a empresa já atua no financiamento aos vendedores, com tecnologia que permite o uso do celular como carteira digital. A novidade é que, em breve, passará a oferecer empréstimo também aos compradores. Dessa forma, possibilitará a compra de um produto no momento em que ele desejar — mesmo que ultrapasse seu limite do cartão de crédito, por exemplo.

 

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Redação
8 anos ago

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