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Agentes de IA mudam o C-level, mas decisão humana permanece no centro, defendem Dell e Whirlpool

O surgimento da inteligência artificial (IA) e a proliferação de agentes autônomos estão redefinindo os papéis de liderança, exigindo que CEOs, CIOs e CTOs equilibrem inovação tecnológica com uma profunda transformação cultural. Esse foi o tema abordado durante o painel do VTEX Day, na última quinta-feira (16), direcionado por Diego Puerta, presidente da Dell Technologies no Brasil, e Roberta Nogueira, CIO da Whirlpool na América Latina.

Durante a discussão, os executivos reforçaram que a IA não deve ser vista apenas como uma ferramenta de TI, mas como um motor para redesenhar o modo como as empresas fazem negócios.

Para Puerta, um dos maiores riscos atuais é a “automação do inútil”, ou seja, o erro de usar tecnologia de ponta para acelerar processos que sequer deveriam existir.

“O mantra que temos é: AI escala, o homem decide. O trabalho repetitivo e pouco excitante precisa ser revisto, abrindo oportunidades em frentes onde a racionalidade e o contexto humano são insubstituíveis”, afirma o executivo.

Puerta comparou o momento atual a dilemas passados, como o temor de que o e-commerce acabaria com as lojas físicas, ressaltando que a combinação entre homem e máquina pode gerar ganhos maiores.

A capacitação humana durante a era das maquinas

Na Whirlpool, a estratégia de implementação da IA passa pela conexão direta com a vida das pessoas na operação. Roberta Nogueira destacou a “Fábrica do Futuro” na planta de Rio Claro (SP), que funciona como um hub de automação e robótica.

“Capacitamos o time de manufatura, que conhece profundamente a operação, para que eles mesmos identifiquem onde a IA pode otimizar os dados da produção. Quando o funcionário vê valor real no trabalho dele, a mudança ocorre naturalmente”, explica a CIO.

Questionada sobre a similaridade entre a revolução da IA e a robotização das fábricas, Roberta pontuou que a IA traz algo distinto, como a capacidade de organizar fluxos de informação e encontrar padrões em uma velocidade impossível para o cérebro humano.

“A IA resolve problemas que antes não tínhamos sequer capacidade computacional para descobrir que existiam, mas ainda é função humana tomar as decisões”, completa.

Casos reais da relevância humana

O debate também trouxe exemplos pragmáticos de eficiência. Puerta compartilhou um caso de sucesso em um grande terminal portuário, onde agentes de IA foram usados para otimizar o uso do espaço físico limitado, processando variáveis como fluxo de navios, clima e safra em tempo real. O resultado foi um ganho de eficiência gigantesco sem retirar o poder de decisão dos operadores experientes.

Já no setor de consumo, Roberta Nogueira detalhou como a Brastemp utiliza agentes para personalizar a jornada de compra. A tecnologia ajuda a entender as nuances de cada configuração familiar para sugerir o produto ideal para o espaço e a rotina do cliente.

Leia mais: VTEX Day 2026: Mariano Gomide anuncia ciclo de lançamentos focados em IA

“O consumidor é diferente e a IA nos permite tratar essa complexidade de forma tranquila, garantindo que o produto atenda à necessidade real de quem compra”, afirma Roberta.

O painel encerrou com uma visão otimista sobre o futuro do trabalho; embora a proporção de pessoas necessárias para certas tarefas possa mudar, o elemento humano, necessário para ética e contexto, permanece como o pilar central da estratégia corporativa.

“Os negócios continuam sendo feitos entre pessoas. A IA pode dobrar nossa produtividade e até melhorar nossa qualidade de vida, mas a essência do relacionamento profissional ainda é o que sustenta a empresa”, conclui Puerta.

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