Indústria de data centers priorizará IA e sustentabilidade em 2024

Especialistas da Vertiv apontam tendências que pautarão o roadmap deste mercado no próximo ano

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3:30 pm - 04 de dezembro de 2023
Imagem: Shutterstock

A grande demanda por capacidade de inteligência artificial (IA) e a forte pressão para a redução no consumo de energia, nos custos e nas emissões dos gases de efeito estufa, desempenharão importante papel na indústria de data centers em 2024, prevê novo relatório da Vertiv, fornecedora global de soluções para infraestrutura digital crítica e continuidade.

“A IA e seu consequente impacto na densidade dos data centers e em sua demanda por energia tornaram-se os tópicos dominantes em nossa indústria”, disse o CEO da Vertiv, Giordano (Gio) Albertazzi. “Encontrar maneiras de ajudar os clientes a dar suporte para a demanda por IA e reduzir o consumo de energia e das emissões de gases de efeito estufa é um desafio considerável. Isso requer uma nova colaboração entre data centers, os fabricantes de chips e de servidores e os fornecedores de infraestrutura”.

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Em seu relatório, especialistas da Vertiv destacam as tendências que devem dominar o ecossistema de data centers no próximo ano.

1. IA no centro das novas construções e retrofits

As organizações estão sendo pressionadas a realizarem mudanças significativas em suas operações devido ao aumento da demanda por IA em todas as aplicações. Na avaliação da Vertiv, as instalações antigas estão mal equipadas para dar suporte a implementação em larga escala da computação de alta densidade exigida para a IA. Diversas delas não possuem a infraestrutura necessária para refrigeração líquida.

“No próximo ano, mais e mais organizações perceberão que medidas paliativas são insuficientes e optarão por novas construções – que cada vez mais terão a forma de soluções modulares pré-fabricadas que reduzem os prazos de implementação – ou de retrofits em grande escala. Neste caso, data centers já existentes alteram fundamentalmente suas infraestruturas de energia e de refrigeração”, explicam os especialistas.

Essas importantes mudanças representam oportunidades para a implementação de tecnologias e práticas mais amigáveis ao meio ambiente, incluindo a refrigeração líquida para os servidores de IA, aplicada em consonância com o gerenciamento térmico da refrigeração a ar, de forma a dar suporte a todo o espaço do data center.

2. Busca por alternativas para o armazenamento de energia

A Vertiv lembra que novas tecnologias e novas abordagens ao armazenamento de energia valorizam a capacidade de integração inteligente com a rede elétrica e a capacidade de entrega de um dos principais objetivos: reduzir as partidas de geradores. Conforme explicação da empresa, os sistemas de armazenamento de energia em baterias (BESS) dão sustentação às demandas por uma maior autonomia. Isso é feito por meio da transferência da carga conforme for necessário e por um tempo maior, podendo se integrar perfeitamente com fontes de energia alternativas, como solar e células a combustível. Isso minimiza o uso de geradores e reduz o impacto ambiental que eles provocam.

Na visão do relatório, as instalações de BESS serão mais comuns em 2024, eventualmente evoluindo para se encaixar nos modelos de “traga sua própria energia” (bring your own power, BYOP) e entregar a capacidade, a confiabilidade e a rentabilidade necessárias para dar suporte à demanda gerada pela IA.

3. Data centers priorizarão a flexibilidade

De acordo com o relatório, enquanto os provedores de cloud computing e colocation buscam novas implementações para atender a demanda, as organizações com data centers empresariais provavelmente diversificarão os investimentos e as estratégias de implementação. “A IA é um ponto em questão já que as organizações lutam para determinar como melhor habilitar e usar a tecnologia ao mesmo tempo em que cumprem com seus objetivos de sustentabilidade”, explica a Vertiv.

As empresas podem começar a recorrer à capacidade local para dar suporte à IA proprietária, e as implementações de edge computing podem ser impactadas pelos bons ventos da IA. “Diversas organizações devem priorizar os investimentos incrementais – se apoiando pesadamente nas soluções modulares pré-fabricadas – e em serviços e manutenção para aumentar a vida útil de equipamentos legados. Esses serviços podem trazer benefícios auxiliares, otimizando a operação para liberar capacidade em ambientes computacionais esgotados e aumentando a eficiência energética no processo. Da mesma forma, as empresas podem reduzir as emissões de carbono de Escopo 3 ao aumentar a vida útil dos servidores existentes ao invés de substituí-los e sucateá-los”, sugere o estudo.

4. Corrida para a nuvem esbarra na segurança

De acordo com a Vertiv, as organizações continuarão a buscar parceiros de colocation ao redor do mundo para tornar a expansão para nuvem possível. Para os clientes de cloud computing que estão levando cada vez mais dados para fora do site, a segurança é essencial. Da mesma forma, a desigualdade nas regulamentações nacionais e regionais sobre segurança de dados pode criar desafios complexos para a segurança. Ainda assim, os esforços para padronizar continuam.

“Os data centers estão passando por uma das mudanças mais impactantes da história, em grande parte por causa da adoção da IA e a sua demanda por grande capacidade de energia e de gerenciamento térmico. O período de transição entre o agora e o futuro apresenta desafios. Na América Latina, veremos diversos projetos de retrofit de data centers ocorrendo ao mesmo tempo que novas construções sob medida para acomodar as aplicações de IA. Em todos os casos, serão necessárias novas tecnologias e novas competências profissionais”, disse Rafael Garrido, vice-presidente da Vertiv para a América Latina.

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