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“Criminosos envolvidos em crimes violentos agora preferem fraudes eletrônicas”, diz agente da Polícia Federal

À medida que a era digital transforma a natureza dos crimes, a colaboração entre instituições e a modernização das práticas de segurança se tornam essenciais. Por isso, nesta terça-feira (10), a Associação Brasileira de Bancos (ABBC) lançou a segunda fase da campanha “Tem Cara de Golpe”, que busca informar a população sobre crimes financeiros.

Erik Siqueira, chefe da Coordenação de Repressão a Fraudes Bancárias Eletrônicas da Polícia Federal, discutiu a crescente conexão entre o crime organizado e as fraudes cibernéticas. “O crime organizado está cada vez mais próximo dos crimes cibernéticos, aumentando a escala e a lucratividade dos criminosos”, afirma.

Ele ressalta a importância da plataforma Tentáculos, que centraliza dados sobre fraudes e melhora a eficiência das investigações. “A plataforma Tentáculos representa essa colaboração e seu impacto na repressão a crimes bancários é significativo”, acrescenta.

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Durante o evento, Carlos Afonso Gonçalves da Silva, delegado divisionário de Crimes Cibernéticos do DEIC/SP, ofereceu uma visão complementar. Ele observou uma redução nas fraudes, que hoje representam de 3% a 5% do volume de trabalho do DEIC, atribuindo essa melhora ao esforço conjunto das grandes empresas de tecnologia e operadoras de telecomunicações. “Esse avanço se deve aos investimentos das empresas de tecnologia, bancos e operadoras de telecomunicações”, explica Gonçalves da Silva.

Crime eletrônico

Os especialistas destacaram a evolução dos crimes financeiros e a necessidade de colaboração entre setores. Siqueira chamou a atenção para a mudança no comportamento dos criminosos, que se voltam para fraudes eletrônicas em razão do menor risco e maior rentabilidade. “Criminosos envolvidos em crimes violentos agora preferem fraudes eletrônicas”, afirma Siqueira, citando um golpe recente que causou um prejuízo de 30 milhões de reais com um investimento inicial de apenas R$ 2 mil em ferramentas de fraude.

Gonçalves da Silva enfatizou a necessidade de melhorar a educação digital e a prevenção. “Vivemos em um momento em que várias gerações compartilham a mesma tecnologia, o que intensifica os desafios da segurança digital”, diz ele. Ele também destaca a importância de espaços permanentes para discussão e cooperação entre forças policiais, setor privado e entidades reguladoras. “A colaboração entre esses setores é fundamental”, afirma.

Além disso, Siqueira discutiu os desafios enfrentados pela Polícia Federal, como a lentidão na troca de informações e a defasagem da jurisprudência frente aos crimes cibernéticos. “Precisamos evoluir com a tecnologia e fortalecer nossa capacidade investigativa para enfrentar a crescente ameaça das fraudes bancárias”, diz.

Desde 2018, a Polícia Federal realizou 572 operações relacionadas a fraudes, resultando em 208 prisões e 1.220 mandados de busca e apreensão. Apesar desses números, Siqueira considera que ainda são insuficientes em relação à magnitude do problema.

Gonçalves da Silva compartilha a preocupação com a necessidade de atualizar as práticas judiciais. “Estamos lidando com um ambiente digital em rápida mudança, enquanto as decisões judiciais ainda se baseiam em padrões pré-pandêmicos”, conclui.

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