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Combate aos ‘abismos digitais’ exige olhar para a educação

Foto: Marcelo Gimenes Vieira, IT Mídia

Se o 5G traz uma série de promessas de desenvolvimento para pessoas e empresas, também traz preocupações com relação ao acesso dos mesmos à tecnologia para que isso seja possível. Em um país tão desigual como o Brasil, como construir pontes sobre o “abismo digital”? Esse foi o objetivo de um painel realizado no primeiro dia do Futurecom 2022, em São Paulo (SP), e que reuniu executivos de fabricantes de equipamentos de rede e consultorias.

Para Marcia Ogawa, sócia-líder de tecnologia, mídia e telecomunicações da Deloitte no Brasil, trata-se de um dos temas mais urgentes para discussão ampla em um país que precisa evoluir digitalmente. “Existe uma relação de causalidade entre boa educação e PIB per capto”, disse.

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Para ela, há três grandes abismos digitais no Brasil. Primeiro a falta de acesso à tecnologia e à conectividade, embora “o País tenha dado passos largos” nos últimos anos. O segundo é que parte considerável dos trabalhos executados por parcela substancial da população não usa TI.

Leia também: 5G avançou rapidamente, mas há desafios

“O terceiro abismo é o Brasil não ter habilidades para construir tecnologias. Por que incluo isso na discussão sobre inclusão? Porque ter tecnologia na nossa matriz de produtos vai melhorar nossa economia e renda”, disse a consultora. “O Brasil precisa sim construir tecnologia. Temos nossas ilhas, como no caso das fintechs, mas não é suficiente. Precisamos entrar na tecnologia hardcore.”

Para a especialista três grandes ações são necessárias para reverter esse cenário. Primeiro uma maior cooperação entre ações de política industrial e desenvolvimento econômico com a área de educação. São “mundos distintos” em que as pessoas que definem políticas públicas estão muito distantes.

Em segundo lugar, segundo ela, estão as parcerias público-privadas. “As empresas têm que colaborar também na educação”, disse. “A gente precisa usar esse poder de democratização da tecnologia para levar a educação.”

O terceiro ponto elencada por ela é a contribuição das empresas. O CEO global da Deloitte, exemplificou, estabeleceu a necessidade de impactar 100 milhões de pessoas no mundo com iniciativas de cunho educacional, principalmente de educação básica. No Brasil serão 1,8 milhão de jovens em situação de vulnerabilidade, contou Márcia, em iniciativas principalmente de educação básica e, somente depois, tecnologia.

Contribuição corporativa

Para os executivos de grandes fabricantes de tecnologia que compuseram o painel – no caso Huawei, Nokia e Ericsson – o Brasil passa por um momento de grande oportunidade para reduzir os “abismos” de desigualdade.

“Estamos em um momento importante de risco e oportunidades. Todos os setores da sociedade estão se digitalizando”, disse Vinicius Dalben, vice-presidente de estratégia da Ericsson. “O leilão do 5G foi um exemplo conceitual importante porque deixou o fomento à demanda, não à oferta.”

Felipe Garcia, head de marketing da Nokia Brasil, ecoou o discurso de Marcia Ogawa ao salientar a importância da tecnologia no fomento à educação. Citou a exclusão de uma legião de professores e alunos durante a pandemia, com pouco ou nenhum acesso à dispositivos e conectividade adequada para assistir aulas remotamente.

“Aí notamos a importância fundamental da conectividade. Importante lembrar que no Brasil, que é um país continental, resolver isso não é simples porque demanda muito investimento”, salientou.

Ao menos há esperança. Para Atilio Rulli, vice-presidente de relações públicas da Huawei, “estamos na pista correta”. O executivo disse que há no País mais de 4 mil serviços públicos digitalizados. E que os recursos oriundos do leilão do 5G se reverterão principalmente em investimentos por parte das operadoras.

Pelo lado do acesso à dispositivos, defendeu que recursos do Fust (Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações) sejam usados para subsidiar acesso à dispositivos móveis com tecnologia 5G. “É possível diminuir a taxação [dos fabricantes] e no limite usar o Fust para aquisição de dispositivos móveis”, disse.

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Marcelo Gimenes Vieira
Tags: 5Gabismos digitaisdeloitteFuturecomFuturecom 2022inclusão digtalMarcia Ogawa
4 anos ago

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