Imagem: divulgação
Por anos, equipes de TI operaram segurança e rede como disciplinas separadas, com ferramentas distintas, consoles distintas e equipes que raramente conversavam. Para o vice-presidente executivo de networking da Hewlett Packard Enterprise (HPE), Rami Rahim, esse modelo chegou ao limite.
“O malware tem que usar a rede para fazer seu trabalho. Uma estratégia de segurança eficaz tem que usar essa mesma rede para detectar e aplicar políticas”, diz Rahim durante a sessão de networking do HPE Discover 2026, em Las Vegas, nos Estados Unidos*.
A HPE anunciou o SASE Orchestrator, plataforma que unifica o gerenciamento de SD-WAN e segurança de acesso em nuvem em uma única console, com política zero trust centralizada e operações orientadas por inteligência artificial (IA). O produto, previsto para lançamento ainda em 2026, elimina a necessidade de alternar entre sistemas para aplicar regras de conectividade e segurança, o que, segundo a empresa, é hoje uma das principais fontes de erro operacional e exposição a riscos.
O Royal Bank of Canada, presente em 29 países e com cerca de 4 mil pontos de conexão SD-WAN, ilustrou no palco o tamanho do desafio. “Segurança é o único trabalho que temos. Não existe outro”, afirma Marlon Drummond, diretor sênior de engenharia e automação do banco. “Os dados dos nossos 13 milhões de clientes são nossa vantagem competitiva. É isso que protegemos com tudo que temos.”
Para Drummond, a rede é a camada onde qualquer ameaça deixa rastro antes de causar dano. “É o único lugar onde se consegue evidência imutável do que está acontecendo. Por isso operamos toda a nossa detecção, proteção e resposta na camada de rede.”
Esse argumento está no centro da tese da HPE: se a rede já é o ponto de observação natural de qualquer ataque, faz sentido que ela também seja o ponto de aplicação da política de segurança. O SASE Orchestrator é a materialização dessa lógica.
A HPE também anunciou um firewall com capacidade de governança de aplicações de IA, que categoriza ferramentas como ChatGPT, Gemini e outras em três grupos: sancionadas, não sancionadas e toleradas. Para as toleradas, a plataforma aplica regras granulares, bloqueio de upload de arquivos corporativos, filtragem de palavras-chave sensíveis e proteção de prompts, sem bloquear o acesso à ferramenta.
Na demonstração ao vivo, um arquivo com termos como “restrito” e “criptografado” foi impedido de ser enviado ao Gemini, enquanto perguntas genéricas sobre o evento funcionaram normalmente. O produto responde a uma preocupação crescente entre CIOs, que é como permitir que as equipes usem ferramentas de IA sem expor dados sensíveis a modelos externos.
A sessão também marcou a chegada do assistente Marvis Actions à plataforma Aruba Central, até então disponível apenas no Mist. O motor de IA identifica causas-raiz de problemas de rede e aplica correções sem intervenção humana. Na demonstração, o sistema detectou que 6% dos usuários de um escritório tinham experiência ruim de conexão, identificou a causa, sobrecarga de capacidade em pontos de acesso específicos, e corrigiu automaticamente os parâmetros de radiofrequência, reduzindo a utilização de 90% para 54%.
Leia mais: Sem governança da TI, automação da IA acelera risco
A Ohio State University, quarta maior universidade dos Estados Unidos, com 22 mil pontos de acesso em um campus que inclui um estádio de 100 mil lugares e um hospital com 2 mil leitos ao lado, foi apresentada como caso de uso. “Precisamos de IA que consiga processar todos esses dados em tempo real. Vimos problemas que antes levavam horas para resolver sendo solucionados em minutos”, afirma o CIO da universidade, Rob Lowden.
A Sentara Health, sistema de saúde com 35 mil funcionários e mais de 200 unidades conectadas, trouxe outro ângulo: a rede como infraestrutura crítica para IA clínica. “Quando os dados atrasam, o cuidado atrasa. Para aplicações de IA que capturam conversas médicas em tempo real, latência não é uma opção”, diz o diretor de TI da companhia, Tom Johnson.
Rahim encerra a sessão com uma afirmação que resume a aposta estratégica da HPE. “Ninguém quer escolher entre segurança e velocidade. O que construímos é uma rede que entrega os dois ao mesmo tempo.”
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