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Cogna: ‘A indústria de educação em geral é muito conservadora’

Leonardo Queiroz, vice-presidente de crescimento da Cogna

Se antes muitas pessoas tinham preconceito com cursos online, a modalidade de Ensino à Distância (EaD) aumentou 59% entre 2020 e 2021, de acordo com a consultoria EducaInsights. O crescimento aconteceu, principalmente, no período da pandemia.

Essa onda foi surfada pela Cogna Educação, holding de educação que atende mais de um milhão de alunos diretamente. Nos últimos anos, a empresa também entendeu uma dor latente no mercado de tecnologia: o gap de profissionais. Após conquistar mais de 75 mil alunos em graduações de tecnologia, a empresa lança a T.ex – focada em cursos que preparem rapidamente o aluno para entrar no mercado de trabalho em TI.

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Em entrevista ao IT Forum, Leonardo Queiroz, sócio e vice-presidente de Crescimento da Cogna, conta detalhes dos primeiros seis meses de existência da T.ex, que já conta com aproximadamente dois mil alunos em cursos como full stack e preparatório de mercado de trabalho. Confira os melhores momentos do bate-papo:

IT Forum: Vocês são um conglomerado de educação. Como a tecnologia auxilia em todos esses pilares?

Leonardo Queiroz: É um grande desafio. Com a pandemia, demos uma acelerada muito grande na digitalização que começamos em 2017. O isolamento social nos ajudou ainda mais porque veio o ensino à distância com força, começou a cair o preconceito. Isso abre porta para várias oportunidades, estar em vários lugares do país ao mesmo tempo. Antes, precisava ter um crescimento presencial. Aumentamos o portfólio e para tudo isso precisa de muita tecnologia.

A indústria de educação em geral é muito conservadora. As empresas que estão listadas na bolsa são 20% de todo o mercado. Existem mais de duas mil faculdades no Brasil e parte delas não consegue ter todo o padrão tecnológico e de digitalização. Então, isso é uma vantagem competitiva para nós.

Todo ano a gente coloca algum impulsionador tecnológico para estar à frente. Temos muitos projetos e investimos centenas de milhões anualmente em tecnologia.

Leia mais: Educação é o setor que mais sofreu ataques cibernéticos no Brasil

IT Forum: Você pode contar algum projeto atual?

Leonardo Queiroz: Temos um projeto chamado PTK para a construção de um aplicativo que reúna tudo o que a gente faz, para termos uma visão cliente. Tudo o que a gente fez até hoje teve uma visão produto.

Estamos transformando uma empresa de muitos anos, com muitas aquisições e sistemas legados. Estamos fazendo um sistema único com uma visão cliente. Com isso, teremos tudo o que podemos oferecer para ele interagir sem muito atrito.

Parece simples, mas é algo extremamente complexo porque temos dezenas de sistemas legados que roda com muita gente em cima. São mais de um milhão de alunos em sistemas diferentes.

IT Forum: Isso também ajudará a reunir dados de toda a base de vocês…

Leonardo Queiroz: Com certeza. Nós não tomamos decisões se não forem baseadas em dados. Nossa grande missão é ser uma das grandes empresas de data analytics no Brasil nos próximos três anos.

IT Forum: Falando especialmente da T.ex. Quais foram as motivações para lançar cursos de desenvolvimento?

Leonardo Queiroz: Nós temos centenas de pessoas e, como em toda empresa, os projetos não andavam pelo turnover alto e pela falta de capacitação. A partir daí, percebemos o gap em tecnologia. Observamos isso há dois anos e vimos que não tínhamos cursos de tecnologia dentro de casa de graduação. Com isso, lançamentos 12 cursos, como os de full stack, desenvolvimento mobile, front-ed e back-end. Após o lançamento, há aproximadamente um ano, já tínhamos 75 mil alunos.

Vimos que os alunos são bons, mas a graduação precisa de dois anos para concluir e eles nem sempre estão preparados para o mercado de trabalho no início desse processo. Por isso, precisávamos ter uma linha de cursos para pessoas que já tinham uma conexão com TI e que queriam entrar no mercado de trabalho com cursos mais rápidos. Então, surgiu a T.ex.

IT Forum: Hoje, as graduações e os cursos rápidos fazem parte da T.ex?

Leonardo Queiroz: Não, as graduações continuam em outro “chapéu”. A gente mantém como algo mais teórico e temos a vertical que pensa em preparar a pessoa no mercado de trabalho de tecnologia de forma rápida e de acordo com o que o CEO quer contratar.

A gente não coloca junto porque o modelo mental de construção do serviço é diferente. A pessoa que está na graduação está aprendendo a coisa teórica e mais lento. Na T.ex ele tem a parte teórica mas já está construindo os dados. Em seis meses, ele já tem que entregar um aplicativo pronto feito por ela.

Quem vai para a graduação presta vestibular, passou ela entra. Na T.ex ela passa por uma entrevista, vemos a capacidade socioemocional, os soft skills e onde ela tem conhecimento técnica. Ela tem que ter um futuro na tecnologia.

IT Forum: Quais os desafios desses alunos?

Leonardo Queiroz: Tem muitos desafios: o primeiro é que o curso é puxado, tem que entender de lógica, por isso fazemos as avaliações para entender se a pessoa tem o perfil para fazer o curso até o fim.

O acompanhamento das aulas também é um desafio. Na T.ex o curso tem início, meio e fim e tem que acompanhar no ritmo da Cogna. Isso fez com que o modelo educacional evoluísse bastante, para manter todo mundo engajado e pronto para iniciar a qualquer momento.

IT Forum: Vocês enxergam diversidade entre os alunos?

Leonardo Queiroz: Como trabalhamos com o público C, D e E, a gente tem uma diversidade muito grande na população. Claro que ainda há bastante homens, mas temos um percentual de mulheres, negros e pardos grandes. E tem ocorrido de pessoas de outros segmentos querendo entrar em TI, então está ficando mais diverso.

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Published by
Laura Martins
Tags: Cognaeducaçãogap de profissionaisT.ex
3 anos ago

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