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Código de privacidade de dados é responsabilidade de empresas de tecnologia

A discussão em torno de Inteligência Artificial (IA), privacidade e regulação nunca esteve tão em voga em todo o mundo. Principalmente após ferramentas como o chatGPT se tornarem populares não apenas entre profissionais de tecnologia, mas toda a sociedade, a preocupação com os limites da IA se tornaram comuns.

“Eu acho que agora com muitos modelos de linguagem, há grandes oportunidades. Nós tecnólogos precisamos usar a tecnologia usando bem os dados, além de aplicar de forma ética. Construímos ferramentas e precisamos ter noção de que elas vão impactar muita gente”, alertou Chelsea Manning, consultora de tecnologia na Nym, no primeiro painel do primeiro dia do Web Summit Rio.

De acordo com a executiva, os desenvolvedores são responsáveis por construir e aplicar a segurança ao criar soluções e produtos para o espaço digital, sempre levando em conta o uso dos usuários.

“Os tecnólogos têm um papel fundamental para criar e aplicar esse código de privacidade. Vários países já criaram suas regras, mas estamos vendo uma diminuição dessa legislação. As pessoas precisam estar cientes que seus dados vão ser utilizados e de outro lado, as empresas precisam informar seus usuários”, disse.

Leia mais: Preocupação com inteligência artificial pauta abertura do Web Summit Rio

Em coletiva de imprensa, Chelsea afirmou acreditar que as regulações são importantes, especialmente no contexto de coleta de dados infantis.

“Eu obviamente acredito muito em autoridades reguladores como o GDPR na Europa, que é o que estou mais familiarizada. Há um tempo que eu apoio isso, mas uma das minhas preocupações com qualquer tipo de autoridade reguladora, seja um regulamento ou uma decisão judicial, é que eles podem mudar. Portanto, uma das promessas é que sua privacidade está essencialmente passando por um mar de diferentes contextos e tempos em que os dados podem estar em dívida com vários padrões e abordagens diferentes em um período prolongado”, disse.

Por isso, apesar do apoio às regulações, a especialista acredita que não deveríamos depender delas. É necessário garantir limitações técnicas e a privacidade dos dados enquanto navegamos online, “pois estamos lidando com grandes corporações, com agências governamentais. É preciso entender como estão coletando os dados, nos certificando de que existem limitações técnicas que tornam difícil, ou pelo menos muito caro, coletar e o manusear incorretamente nossas informações pessoais.”

Alexis Roussel, COO da Nym Technologies, contextualizou a dizer que a União Europeia, como uma espécie de universidade judiciária, está decidida a tentar não “vender” os dados, enquanto os Estados Unidos se baseiam naquilo que eles produzem.

“Nos EUA, a principal preocupação é que os dados são uma mercadoria que pode ser monetizada. Em regiões como a China e a Rússia, onde os dados são um bem público. É o governo e é a sociedade que estão no comando desses dados, mas ainda assim, as pessoas estão sendo roubadas. E, na Europa, esperamos ver os dados como parte do indivíduo, de propriedade do indivíduo, e então o país deve desenvolver normas para proteger a integridade digital das pessoas. E também sentimos que esta é uma combinação entre a Europa e a América em termos de uma abordagem digital muito humanista dos dados.”

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