Notícias

Cade investiga empresas de tecnologia e telecom no Brasil por cartel trabalhista

O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) abriu uma investigação em 33 multinacionais, entre elas as de tecnologia e telecom IBM Brasil, Siemens Energy, Claro e Philips do Brasil, por suspeita de formação de cartel no mercado de trabalho. Segundo o órgão, a prática teria ocorrido por meio da troca de informações comerciais sensíveis, como salários e benefícios, limitando a livre concorrência por profissionais e impactando milhares de trabalhadores.

A investigação se baseia em um acordo de leniência que revelou indícios de infração à ordem econômica. As empresas envolvidas participavam de grupos como o Grupo Executivo de Salários (GES) e o Grupo Executivo de Administradores de Benefícios (GEAB). Por meio desses canais, eram realizadas trocas sistemáticas de dados sobre remunerações e outros incentivos trabalhistas, tanto presencialmente como virtualmente, após a pandemia de Covid-19.

Leia também: Brasil atrai investimentos bilionários em data centers de big techs, mas há desafios 

Os encontros envolviam não apenas discussões sobre salários, mas também outros itens relacionados aos trabalhadores, como plano de saúde, transporte e educação, além de dados sobre empregados em licença ou férias. Os canais digitais, incluindo o WhatsApp, foram usados para a difusão dessas informações entre as companhias.

O Cade apontou que a prática impedia que profissionais recebessem propostas mais vantajosas, dificultando sua mobilidade no mercado e prejudicando a concorrência entre empregadores. A conduta é classificada pelo órgão como cartel, dado que estabelece uma fixação do “preço da mão de obra”, desrespeitando a legislação de livre mercado.

Se confirmadas as infrações, as empresas podem ser multadas em até 20% do seu faturamento anual. Segundo o Cade, acordos desse tipo violam as normas de concorrência ao estabelecer padrões artificiais para a remuneração de funcionários, eliminando incentivos à disputa justa por talentos.

Posição das empresas

Procuradas pelo IT Forum para comentar a investigação conduzida pelo Cade, as empresas responderam:

IBM Brasil: “A IBM não tem nada a comentar neste momento.”

Siemens Energy: “Estamos cientes da investigação iniciada pelo Cade. Temos um compromisso inabalável com as melhores práticas dentro do nosso programa de Compliance e, dessa forma, cooperaremos com o Cade para esclarecer todos os fatos e informações.”

Claro: “A Claro não comenta processos administrativos.”

Philips do Brasil: A empresa não retornou a tentativa de contato até o fechamento desta reportagem.

*Com informações da Veja

Siga o IT Forum no LinkedIn e fique por dentro de todas as notícias!

Recent Posts

Movida lança agente de IA no WhatsApp em parceria com a Meta e aposta em nova experiência de locação

A plataforma de locação de automóveis Movida lançou um agente de inteligência artificial integrado ao…

2 dias ago

Oracle nomeia Marcelle Paiva como nova VP de vendas, Data&AI Hub na América Latina

A Oracle anunciou Marcelle Paiva como nova vice-presidente de vendas, Go-to-Market (GTM) e ecossistema para…

2 dias ago

Mercado de IPOs de tecnologia ganha força com avanço da IA

O mercado de ofertas públicas iniciais voltou a ganhar tração em 2026, impulsionado principalmente pelo…

2 dias ago

Oracle adiciona US$ 85 bilhões em contratos de IA e encerra trimestre com carteira recorde de US$ 638 bilhões

A Oracle encerrou o quarto trimestre e o ano fiscal de 2026 com resultados recordes,…

2 dias ago

Disputa entre Anthropic e OpenAI expõe divergências sobre o futuro da inteligência artificial

A disputa entre Anthropic e OpenAI ganhou novos contornos e se tornou um dos principais…

2 dias ago

Marketing B2B precisa se reorganizar para atender compradores mais autônomos, diz Forrester

As áreas de marketing B2B precisam rever sua estrutura operacional para acompanhar a transformação do…

2 dias ago