O Brasil está liderando o mercado global da BlaBlaCar. De acordo com Tatiana Mattos, head do Brasil na empresa, no último ano, o país teve crescimento de 40% em caronas e 160% no market place de ônibus.
“Quando olhamos para cá, tivemos quase 40% a mais de caronas do que a França, que é o nosso segundo mercado. Foram 25 milhões de conexões de carona, 50% a mais do que o número da França”, comemora a executiva em entrevista ao IT Forum.
Entretanto, diz ela, os desafios são diferentes entre os dois mercados. No Brasil, o transporte é majoritariamente rodoviário, enquanto o trem é uma alternativa na Europa. Por outro lado, a extensão daqui traz mais complexidade, ainda que seja onde está a maior oportunidade da companhia.
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“Por isso apostamos na multimodalidade como parte da resposta de como as pessoas podem se locomover. O mercado de ônibus, quando começamos, tínhamos cerca de 150 operadores. Hoje, somos 214 e a expectativa é que tenhamos 250, o que consideramos uma cobertura de 90% do território nacional”, comenta Tatiana.
Tatiana comenta, com orgulho, sobre a relação entre a empresa de mobilidade e a sustentabilidade. segundo ela, na última pesquisa sobre o impacto da comunidade BlaBlaCar no meio ambiente, foram 1,5 milhões de CO2 evitados em 2022. E grande parte dessa economia veio do Brasil.
Na França, a empresa tem uma agenda de sustentabilidade avançada em comparação ao Brasil. A BlaBlaCar tem uma parceria com Emmanuel Macron, presidente da França, para que as caronas de longa distância sejam incentivadas pelo governo. Cada motorista que fizer sua primeira viagem ganha um incentivo de 100 euros.
“Esse é um case que discutimos no Brasil. Tentando entender como os países incentivam mobilidade sustentável. Aqui estamos em fase de discussões. Há diferentes esferas, como o crédito de carbono, o incentivo da esfera pública para o público final, só que a gente ainda não tem um plano. Faz parte da nossa agenda de discussões, mas não temos nada concreto”, afirma Tatiana.
A Inteligência Artificial está na moda, mas Tatiana frisa que a tecnologia sempre esteve presente na jornada da BlaBlaCar. “Temos IA que olha o perfil de consumo do usuário e estabelece a melhor rota para otimizar os assentos do motorista”, exemplifica.
A executiva também cita ferramentas de cálculo de preço. Como o modelo de caronas não tem como foco a geração de lucro para o motorista, mas de divisão de custos, a plataforma tem mecanismos para entender os preços máximos por rota.
“Mas hoje temos soluções novas para a experiência do consumidor. Estamos testando chatbot para suporte. Estamos fazendo como todas as empresas: testando o que faz ou não faz sentido para nós”, frisa Tatiana.
Entretanto, o desenvolvimento de produto não é no Brasil. Tatiana afirma que a companhia acredita em escalabilidade. Por isso, seu desenvolvimento é centralizado, apesar de o processo ser retroalimentado pelas geografias.
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