BioCatch: análise biométrica protege mais de um bilhão de dispositivos no mundo

Brasil é um dos países mais desafiadores contra fraudes bancárias

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3:11 pm - 12 de junho de 2024
Arnaldo Thomaz Neto, country manager da BioCatch Imagem: Divulgação

A BioCatch cresceu, em 2023, 49% em receita global e encerrou o ano com 78 novos clientes, alcançando 126% de retenção líquida em dólares. Na América Latina, o crescimento da receita anual foi de 61%, representando 34% da RRA da operação global da empresa.

Em entrevista ao IT Forum, Arnaldo Thomaz Neto, country manager da BioCatch, explica que a empresa israelense é focada em biometria comportamental voltada para instituições financeiras. “Nós analisamos mais de oito bilhões de sessões por dia, são mais de 1,8 bilhão de dispositivos protegidos e mais de meio bilhão de usuários protegidos. Nossa ferramenta está presente em mais de 27 dos maiores bancos do mundo.”

A análise, diz ele, é feita por meio do perfil do comportamento do usuário, como cadência de digitação, deslize da tela, oscilações do dispositivo. E esse estudo de comportamento é realizado de forma silenciosa, ou seja, sem fricção para o usuário.

“Na abertura de conta, por exemplo, quando eu não conheço o cliente, podemos ver comportamento de fraudadores. A familiaridade do sistema, o preenchimento rápido dos campos. Quem vai fazer a abertura de conta pela primeira vez não tem tanto conhecimento da plataforma. A familiaridade com a pessoa tem para inserir os números do próprio CPF também. Os usuários têm uma certa velocidade de inserção. O fraudador coloca 3 números, busca os outros”, exemplifica Neto.

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Com essas análises, segundo o executivo, a BioCatch é capaz de identificar diferentes tipos de fraudes, como os golpes de WhatsApp, os golpes românticos (em que os fraudadores extorquem a pessoa), golpes de investimentos que prometem retornos elevados, entre outros.

Neto conta que, durante a pandemia, o governo canadense fez um programa financeiro para ajudar as pessoas que ficaram desempregadas. Foram pagos mais de 3 trilhões de dólares e o Centro de Relatórios Financeiros descobriu que uma gangue do crime organizado estava explorando vulnerabilidades e faziam candidaturas fraudulentas para as identidades roubadas.

“Ajudamos um dos cinco principais bancos do Canadá a rejeitar as soluções fraudulentas. Eles acabaram economizando US$ 8 milhões, mesmo sofrendo 400% aumento de tentativas fraudulentas durante a pandemia”, comemora o executivo.

Apesar disso, existem zonas cinzas na análise do comportamento. Se um cliente, por exemplo, é destro e quebra o braço, ele começa a digitar apenas com a mão esquerda. A BioCatch vê que há uma mudança, ainda que outros hábitos estejam em conformidade. Nesses casos, cabe à instituição financeira decidir o que fará.

As análises também mudam de acordo com cada instituição financeira. “O perfil de um banco consignado, em que a maioria dos clientes são de idade, tem a velocidade de digitação diferente de um cliente de 25 anos de idade ou de 50 anos de idade. Então o perfil de um banco consignado é diferente de um banco 100% digital”, comenta ele.

O Brasil, afirma Neto, é um mercado desafiador. Por isso, a BioCatch está investindo em eventos, contratando mais vendedores e rodando provas de conceitos em diferentes clientes.

“O brasileiro é o fraudador com mais experiência mundial e nós acabamos exportando fraudes para outros países. Vemos aumentos expressivos em dispositivos roubados e o golpe da falsa central. Por isso, enxergamos o Brasil estratégico para o crescimento na América Latina”, finaliza Neto.

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Laura Martins

Editora do IT Forum. Jornalista com mais de dez anos de atuação na cobertura de tecnologia. É a quarta jornalista de tecnologia mais admirada no Brasil, pelo prêmio “Os +Admirados da Imprensa de Tecnologia 2022” e tem a experiência de contribuições para o The Verge.

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