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Bancos dos EUA elevam alerta contra ataques cibernéticos em meio à escalada da guerra com o Irã

Foto: Shutterstock

Os bancos dos Estados Unidos entraram em estado de atenção reforçada diante do risco de ataques cibernéticos associados ao agravamento do conflito entre Washington e Teerã. Executivos e analistas ouvidos pela Reuters relatam que bancos e demais instituições ampliaram o monitoramento de ameaças digitais, cenário comum em períodos de tensão geopolítica.

A recente morte do líder supremo iraniano, Ali Khamenei, em um ataque aéreo no fim de semana, intensificou a instabilidade no Oriente Médio, pressionou mercados globais e elevou preocupações sobre possíveis retaliações no ambiente virtual. A avaliação é de que operações financeiras dos EUA podem se tornar alvo prioritário de ofensivas ligadas ao Irã.

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A indústria de serviços financeiros é considerada parte essencial da infraestrutura crítica americana. Sistemas de pagamentos, compensação e liquidação, plataformas de negociação e o mercado de Treasuries estão no centro do funcionamento do sistema econômico e, por isso, historicamente figuram entre os principais alvos de ataques cibernéticos.

Todd Klessman, diretor-gerente de cibersegurança e tecnologia para serviços financeiros da SIFMA, afirmou à Reuters que o setor mantém postura de vigilância constante, especialmente quando o risco global aumenta. A entidade coordena exercícios anuais para testar a capacidade de resposta das instituições diante de emergências cibernéticas de grande escala.

Leia mais: Ataques cibernéticos atingem aplicativos e sites iranianos após ofensiva de EUA e Israel

Segundo ele, o foco atual está na resiliência operacional, elemento considerado central para preservar a integridade e a estabilidade dos mercados de capitais dos EUA.

Outro executivo do setor bancário, que falou sob condição de anonimato, afirmou que a percepção entre as instituições é de que ataques digitais são uma possibilidade concreta no atual cenário.

Inteligência norte-americana prevê ofensivas de baixa intensidade

De acordo com avaliação da inteligência dos EUA reportada pela Reuters, grupos de “hacktivistas” alinhados ao Irã podem lançar ataques de menor escala contra redes americanas. Entre as táticas mais prováveis estão ofensivas de negação de serviço distribuída (DDoS), que consistem em sobrecarregar servidores com grandes volumes de tráfego até torná-los indisponíveis.

A agência de classificação de risco Morningstar DBRS apontou que os impactos mais relevantes para bancos globais e gestoras de ativos tendem a ser indiretos, como preços de petróleo persistentemente elevados e choques sobre tomadores de crédito. Ainda assim, alertou para a possibilidade de aumento no risco cibernético contra instituições ocidentais.

A equipe de análise geopolítica do banco de investimentos Lazard também destacou, nesta semana, o histórico do Irã no uso de capacidades digitais contra alvos comerciais, incluindo sistemas financeiros.

Histórico recente de ataques

Relatório de 2025 do Financial Services Information Sharing and Analysis Center (FS-ISAC), consórcio global do setor financeiro, indicou que o segmento foi o principal alvo de ataques DDoS em 2024. O documento associou o aumento dessas ofensivas aos conflitos entre Hamas e Israel e entre Rússia e Ucrânia, que impulsionaram ações de grupos ativistas no ambiente digital.

Embora o setor não tenha registrado recentemente interrupções sistêmicas de grande porte causadas por ataques hostis, episódios de menor escala já afetaram operações específicas. Investidas de DDoS e casos de ransomware vêm causando paralisações pontuais em instituições financeiras.

Em 2023, por exemplo, um ataque de ransomware à unidade americana de corretagem do Industrial and Commercial Bank of China provocou atrasos na liquidação de algumas operações com títulos do Tesouro dos EUA, evidenciando o potencial de impacto mesmo em episódios isolados.

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Published by
Bruna Rocha
Tags: ataque cibernéticobancosEstados UnidoseuaguerraIrã
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