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Como Anderson Figueiredo transformou experiência em legado no setor de tecnologia

Anderson Figueiredo pertence a uma geração que viu a tecnologia deixar os laboratórios e ocupar as mesas de trabalho de milhões de pessoas. Em 45 anos de carreira, o especialista do IT Forum Inteligência acompanhou a popularização dos computadores pessoais, a expansão da internet, a mobilidade, a computação em nuvem e, agora, a ascensão da inteligência artificial (IA).

Formado pela Unicamp, encontrou seu caminho profissional ainda adolescente, após ouvir uma palestra sobre processamento de dados em uma época em que a computação ainda era um universo distante da maior parte dos brasileiros. O que começou como curiosidade por matemática e lógica acabou se transformando em uma carreira dedicada à tecnologia.

Mas havia um plano anterior. Antes dos computadores, Figueiredo imaginava um futuro na educação. Nunca chegou a assumir uma sala de aula, mas levou o espírito de professor para as empresas por onde passou. Entre projetos, equipes e transformações tecnológicas, fez da troca de conhecimento uma marca pessoal. “Nunca retive informação para garantir espaço”, resume. “Sempre preferi ensinar.”

Após trabalhar brevemente em um grande banco, foi na indústria de tecnologia, especialmente em fabricantes, que pôde explorar um perfil inquieto, comunicativo e movido por novos desafios. E foi nesse contexto que participou de um dos movimentos mais transformadores da história da tecnologia brasileira: a automação bancária.

Atuando no desenvolvimento de software e implantação de soluções em bancos de diferentes regiões do país, Figueiredo acompanhou de perto a digitalização de um sistema que, até então, funcionava manualmente. Filas, assinaturas em papel, conferências físicas e limitações entre agências faziam parte da rotina bancária da época.

O executivo se orgulha de ter participado da construção de um modelo que colocou o sistema bancário brasileiro entre os mais avançados do mundo e alterou definitivamente a forma como a população se relaciona com bancos e serviços financeiros. “A gente mudou a vida das pessoas via tecnologia”, diz.

Ao longo da carreira, acumulou funções técnicas e executivas, passando por desenvolvimento, gestão de projetos, direção de serviços e, mais tarde, pesquisa e estratégia de mercado. Essa virada aconteceu nos anos 2000 e consolidou uma característica que se tornaria sua marca registrada: a capacidade de traduzir tecnologia em conversa acessível.

Com um estilo informal, direto e bem-humorado, Figueiredo construiu um forte relacionamento com CIOs, executivos e jornalistas do setor. “Nunca gostei de apresentações engessadas ou discursos excessivamente técnicos. Prefiro debates, perguntas difíceis e conversas francas”, comenta.

Como especialista do IT Forum Inteligência, Figueiredo ​faz uma análise quantitativa e qualitativa dos mercados brasileiros e latino-americano de TI, atuando como speaker, consultor e facilitador em eventos, especialista da banca avaliadora dos prêmios “100 + Inovadoras” e “Executivo de TI do Ano”, além de colunista de artigos exclusivos do portal e revistas físicas do IT Forum.

Leia também: Microsoft deve anunciar novas tecnologias de IA para PCs

Lado a lado com a evolução tecnológica

Seu olhar sobre tecnologia também carrega o peso de quem acompanhou diferentes ciclos de inovação ao longo de décadas. Para ele, a popularização do computador pessoal (PC) foi a maior transformação tecnológica que testemunhou, por seu poder em democratizar o acesso à informação.

Na sua visão, a computação em nuvem também pode ser considerada uma mudança “imensurável”, especialmente pela escalabilidade e pelo modelo econômico baseado em consumo.

Já sobre inteligência artificial, Figueiredo mantém uma visão cautelosamente otimista. A experiência de quem já viu diversas “revoluções definitivas” surgirem e desaparecerem o faz observar o atual entusiasmo com certa prudência. Para ele, ainda é cedo para medir o impacto real da IA no longo prazo.

Entre projetos, viagens, implementações e apresentações, Figueiredo construiu uma carreira guiada menos por planejamento rígido e mais por curiosidade, inquietação e relações humanas. Talvez por isso, ao falar sobre suas maiores conquistas, ele não cite apenas tecnologia ou inovação. Fala, principalmente, sobre pessoas, conexões construídas ao longo do caminho, e sobre o privilégio de ter participado de uma geração que ajudou a transformar o Brasil digitalmente.

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