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10 tendências da TI para 2021 e como elas afetarão as estratégias dos CIOs

Por Rafael Romer

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Não é segredo que o ano de 2020 trouxe uma aceleração no processo de transformação digital para companhias. Pressionadas por desafios como as políticas de distanciamento social, a massificação do trabalho remoto e a migração de clientes off-line para o on-line, empresas se viram obrigadas a fazer investimentos de forma repentina e veloz em novas tecnologias para enfrentar a realidade imposta pela Covid-19.

2021 não será muito diferente. Ainda que o processo de imunização global já esteja em curso, campanhas de vacinação progridem em ritmo irregular ao redor do mundo, e a expectativa é de um ano ainda de transição, em que a completa normalidade não será retomada.

Este cenário, é claro, traz uma combinação atípica de desafios e novos paradigmas para empresas e seus times de tecnologia. Algumas destas tendências, como a expansão do 5G e a vigência da Lei Geral de Proteção de Dados, já eram esperadas há tempos. Outras ainda são obstáculos incertos, que exigirão novas estratégias e ações efetivas de tomadores de decisões. Conversamos com analistas para enumerar algumas das mais importantes tendências para 2021.

Revisão de estratégias

O paradigma de tomada de decisões foi desafiado durante a pandemia da Covid-19, exigindo que organizações revissem suas prioridades e fizessem novas escolhas de negócio de forma ágil. Essa flexibilidade em redesenhar estratégias também é parte do “novo normal”, e deve continuar influenciando o comportamento de empresas ao longo de 2021.

Com a necessidade de se adaptar mais rápido, analistas apontam que estratégias devem ser revistas com mais frequência a partir deste ano e, principalmente, apoiadas na análise de dados. “Para as estratégias estarem embasadas, a gente precisa da coleta de dados. Seja por meio de inteligência artificial, automação ou analytics, a leitura de informações para suporte da decisão passou a ser muito mais importante”, explica Rodrigo Oliveira, sócio da consultoria Deloitte em entrevista ao IT Forum.

Segundo o analista, empresas já trabalham há tempos com “muitos dados, mas pouca informação”, e o novo ano traz a necessidade de que esses elementos sejam analisados com auxílio de tecnologia para uma compreensão mais precisa dos desafios e oportunidades que podem surgir. “Essas ferramentas vêm justamente para isso: oferecer alguns horizontes e algumas alternativas com base na leitura do que tem acontecido nos últimos dias, semanas ou meses”, completa.

Outra sugestão é que tomadores de decisão promovam discussões horizontais entre pares de sua indústria, debatendo perspectivas de outros setores como forma de fomentar a criação de estratégias mais ricas em referências. Todas empresas, de todos os setores, tiveram aprendizados importantes ao longo de 2020, e cruzá-los é uma forma eficiente de criar novos saberes.

“Cada um tem uma realidade e tem feito algo de uma forma que pode ser aplicável ao seu negócio, ou aplicável com algum ajuste e adequação”, explicou Marcio Kanamaru, sócio-líder de tecnologia, mídia e telecomunicações da KPMG no Brasil. “Conversar com seus pares é sempre muito importante para fazer comparações, entender, fazer benchmarks e capturar informações para, dentro de sua realidade, ver como isso é aplicável”.

Leia também: Accenture: 42% das empresas no Brasil serão digitalmente maduras em 2023

Cadeia de suprimentos gerando valor

Como parte da tendência de se utilizar dados para gerar valor para a empresa, as cadeias de suprimentos devem passar por uma nova transformação ao longo dos próximos anos e deixarão de ser vistas como um simples centro de custo para organizações, avalia a Deloitte do Estúdio de Tendências Insights de 2021.

A tendência é mais uma acelerada pela pandemia, e vem na esteira da adoção de novas tecnologias de automação e Inteligência Artificial por empresas em suas cadeias de suprimentos para dar conta de novas demandas e comportamentos de compra que surgiram em 2020.

Através do uso de drones ou de softwares de reconhecimento de imagem, por exemplo, a busca por eficiência se torna um novo potencial gerador de dados para orientar estratégias mais precisas.

“Esses dispositivos todos acabam gerando uma quantidade enorme de dados”, pontua o sócio da Deloitte. “A gente está vendo, agora, estes dados sendo tratados, compreendidos, e agregados à uma plataforma de analytics para fornecer qual o comportamento de consumidores”.

Core revival

Na jornada de transformação digital, modernizar sistemas corporativos legados e migrá-los para a nuvem é considerado um dos passos mais importantes para empresas. Ele pode ser também, no entanto, um dos mais custosos para orçamentos de tecnologia – em especial após um ano intenso de investimentos, como foi 2020.

Em seus Insights, a Deloitte aponta que uma das tendências do ano é o surgimento de novas abordagens criativas para a modernização de core, baseadas em outsourcing, reengenharia e no uso de plataformas prontas que conseguem substituir sistemas já existentes a um custo menor.

O processo é o que a consultoria classifica como o “core revival”, uma análise mais precisa de companhias sobre o que conseguem adotar de tecnologia ou o que têm que transformar em seus códigos na tentativa de extrair mais valor dos principais ativos legados. Isso deve, em breve, se tornar algo importante no manual de transformação digital de CIOs.

“Justamente pensando no que é possível nascer em cloud, migrar para cloud e o que vou ter que manter no meu ambiente atual. A convivência desses ambientes, multisourcing ou multi cloud, é o que está fazendo com que as organizações consigam começar o movimento de core revival”, aponta Oliveira.

Zero trust

Se por um lado a aceleração da jornada de transformação digital trouxe avanços para empresas ao longo de 2020, por outro também tornou os sistemas corporativos mais complexos de se administrar e potencialmente vulneráveis a ataques maliciosos. O avanço do trabalho remoto é um exemplo disso, tendo expandido as redes corporativas muito além de um único espaço físico seguro.

Combinando isso à tendência de aumento de ciberataques em 2021, especialistas apontam que a cibersegurança continuará sendo prioridade na pauta de companhias e uma tendência forte de investimento neste ano. Seja para a consolidação de projetos já iniciados, ou para a adoção de novas soluções que habilitem crescimento em outros setores, a segurança não poderá ficar fora da pauta de líderes de tecnologia.

“Os investimentos dentro da área de segurança devem aumentar”, avalia Kanamaru, da KPMG.  “Eles devem se intensificar porque as organizações estão cada vez mais dentro do mundo digital. Os CSOs precisam estar atentos e devem investir na proteção e na confidencialidade de dados para que a jornada, para que o processo de digitalização, seja algo sem solavancos”.

Neste contexto, a abordagem que deve ganhar força ao longo do ano é a da confiança zero (ou “zero trust”, em inglês): a ideia de que empresas devem optar ativamente por não confiar em nada e em ninguém. Segundo o estudo Cisco Security Outcomes de 2021 , 39% dos entrevistados disseram estar “a bordo” do zero trust, enquanto outros 38% disseram “estar trabalhando nessa direção”.

Para Oliveira, exemplos dessa abordagem estão na adoção de sistemas como VPNs, autenticação multifatorial, pontos de acesso físicos e, até mesmo, sistemas de verificação de localização – para conferir, por exemplo, se alguma tentativa de acesso está sendo feita em uma região ou país na qual a empresa não opera. “As organizações estão começando a olhar com um pouco mais de cuidado para essa questão”, aponta.

cibersegurança

Privacidade e confiança do cliente

Além de seu valor estratégico para a proteção de dados e ativos da própria empresa, a cibersegurança entra em 2021 como um interesse de negócio. Na esteira da implementação da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e da preocupação cada vez maior de consumidores com a preservação de suas informações sensíveis, analistas indicam que mais organizações deveriam encarar o tema não como custo, mas como um valor a ser cultivado para atrair clientes.

Para Kanamaru, a segurança cibernética está no “cerne da confiança do cliente”, que já passa a confiar apenas em processos digitais quando acompanhados de algum tipo de certificação, seja ela uma dupla autenticação ou biometria. “Isso é uma identidade, uma garantia que vai dar aos seus usuários ou clientes para que possam voltar a fazer compras, ou façam suas compras, ou que utilizem o serviço pela primeira vez, e repetitivamente continuem nesta jornada”, afirma o analista.

Um exemplo desta nova preocupação de consumidores com dados pessoais é a recente polêmica com a qual o WhatsApp se viu envolvido após anunciar uma mudança na sua política de compartilhamento de dados com o Facebook. Sem uma comunicação transparente sobre a mudança, a empresa foi bombardeada de críticas de usuários e foi questionada por órgãos como o Procon sobre a mudança.

O impacto, é claro, também foi sentido nos negócios: por conta da polêmica, a empresa viu concorrentes focados em privacidade, como Signal e Telegram, ganharem força e chamarem a atenção de mais usuários.

Leia também: Pós-pandemia: 93,5% dos brasileiros querem ambientes de trabalho híbridos

Ambiental, social e governança

A essa altura, a sigla inglesa ESG já é conhecida por tomadores de decisão ao redor do mundo. Temas sobre a importância de um desenvolvimento sustentável de negócios, preocupação social e o tema de governança já foram amplamente discutidos, mas devem passar por uma aceleração ao longo de 2021 – em parte, novamente, por conta da pandemia da Covid-19.

O ano de 2020 trouxe a percepção de que eventos relacionados ao meio ambiente e à natureza, que fogem completamente ao nosso controle, podem interferir diretamente nos negócios das empresas. É necessário, portanto, que retorno financeiro e a preocupação com o meio ambiente andem de mãos dadas.

Além da questão ambiental, a preocupação com pessoas também segue sendo tema de destaque em 2021, e pautas sobre a expansão da representatividade de gênero, raça e da diversidade sexual devem continuar no radar de lideranças corporativas. “Líderes digitais que entendem como essa pluralidade é rica terão grandes ganhos nos seus projetos, nas suas soluções e liderança dentro de tecnologia”, pontuou Kanamaru.

A tecnologia, aliás, tem papel importante na promoção destas pautas de diversidade e inclusão, e deve ser utilizada por tomadores de decisão para promover o tema dentro de suas organizações. “A TI pode colaborar com isso por meio de ferramentas e informações, fornecendo dados para levantamentos sobre a diversidade dentro de suas organizações e responder a isso”, detalha Oliveira, da Deloitte.

Aprendizados com o trabalho remoto

Ainda que os esforços de vacinação já estejam em curso, a realidade do trabalho remoto promete ser um dos impactos permanentes da pandemia no modelo de produtividade de empresas ao redor do mundo.

A tendência é antiga, mas ganhou força ao longo de 2020 e já é preferência de boa parte dos trabalhadores: uma pesquisa da MIT Technology Review Brasil, por exemplo, revelou que 93,5% brasileiros querem ambientes de trabalho híbridos.

Agora, no entanto, é hora de empresas “arrumarem a casa” e aprenderem com o modelo do home office, usando a análise de dados e ferramentas de produtividade para otimizá-lo para o futuro.

Essa organização é importante tanto para otimizar o desempenho individual e de equipes quanto para personalizar a experiência de funcionários por meio de recomendações personalizadas, permitindo que o trabalho remoto seja mais do que um “proxy reduzido” para o escritório tradicional. Isso, é claro, também passa pela questão da saúde mental.

“Nós vamos chegar, em um futuro próximo, em um equilíbrio de saúde física e mental e da separação do tempo de trabalho e de vida pessoal também”, indica Oliveira.

Fusão do on-line e off-line

O ano de 2020 marcou um ponto importante na virada de hábitos do mundo off-line para o mundo on-line. Seja por conta do trabalho remoto, do ensino à distância ou até para a compra online de itens do dia a dia, a maioria da população se adaptou às interações digitais ao longo do ano.

A expectativa agora é que consumidores não fiquem mais satisfeitos com experiências distintas no mundo físico e no mundo digital, mas sim busquem uma combinação do melhor dos dois universos: uma experiência pessoal altamente personalizada, mas sem sacrificar a conveniência de transações online.

De acordo com a Deloitte, os próximos 18 a 24 meses devem ver uma migração de  experiências pessoais e digitais para um modelo mais contínuo e interligadas. A jornada do cliente, para a consultoria, deve ser composta de elementos pessoais e digitais que são integrados e intencionalmente projetados para criar uma experiência de marca que se adapta aos comportamentos, atitudes e preferências de cada um.

“A gente passa a não ter mais visibilidade do que é o mundo físico e o mundo digital em relação à experiência que as marcas proporcionam”, destaca Oliveira, analista da Deloitte. “Você faz uma compra em um site virtual, quando vai na loja física, que ter a mesma experiência, o mesmo nível de atendimento, de rapidez, de clareza. Essa experiência está sendo uma integração do mundo físico e virtual, e as marcas têm que se adequar a isso rapidamente”.

5G

Após um ano em que a conexão de pessoas, empresas e governos  se mostrou fundamental para a manutenção de negócios e serviços em funcionamento, o 5G – e o Wi-Fi 6, considerado uma tecnologia complementar –  se mostra uma força importante para acelerar a digitalização e promover novas oportunidades de negócios digitais ao redor do mundo.

O ano de 2021, no entanto, não deve marcar a adoção massiva da nova geração de conectividade móvel no Brasil. Ainda que experimentações e implementações comerciais através do DSS já estejam acontecendo, o leilão do 5G ainda é o passo mais importante para que a tecnologia comece a avançar no mesmo ritmo que tem sido observado em países como Coreia do Sul e Estados Unidos.

A leitura de Kanamaru, da KPMG, no entanto, é positiva. Para o analista, interlocuções observadas com o governo mostram que há uma preocupação em escutar de operadoras, entidades e empresas de tecnologia, e em adotar o 5G como um vetor de transformação econômica, não como um simples leilão de caráter arrecadatório.

“É realmente muito relevante, porque vai impactar setores como TIC, que é o mais impactado por conta das operadoras, empresas de tecnologia; governo vai ser impactado, pelo movimento de cidades inteligentes; manufatura, tendo uma política industrial robusta para reativar o processo de manufatura inteligente, eficaz, totalmente integrada com sensores; a indústria de serviços vai poder crescer muito, a de varejo, a agricultura e também a indústria de mineração”, avalia.

Em termos de volume, vale lembrar, um estudo elaborado pela Nokia e pela Omdia no ano passado apontou que o 5G tem o potencial de impactar em até US$ 1,2 trilhão o Produto Interno Produto do Brasil entre 2021 e 2035. Na prática, isso geraria um aumento de 1% no PIB brasileiro.

Aprendizado de máquina e DevOps

Conforme sistemas de inteligência artificial e de aprendizado de máquina ganham maturidade, é necessário também que companhias adotem suas próprias abordagens mais maduras com estas tecnologias. O ano de 2021 deve marcar um novo momento de transição neste setor, com uma virada na abordagem “artesanal” de utilização destes sistemas para adoção de uma aplicação industrial, ou o MLOps.

A ideia aqui é a aplicação de ferramentas e metodologias de DevOps, de desenvolvimento contínuo, para a entrega de modelos de aprendizado de máquina em escala industrial – do desenvolvimento e implantação à manutenção e gerenciamento –, com o objetivo de reduzir o tempo de resposta às demandas e necessidades de negócio.

“A gente tinha janelas de manutenção, quando subíamos ajustes, atualizações, novos produtos em produção uma vez ao mês, uma vez por semana. Estamos cada vez mais distantes desse mundo, a gente não tem mais o tempo para esperar que pode ser a perda de uma oportunidade de negócio”, afirma Oliveira.

“Quando a gente fala da inteligência artificial com o conceito de DevOps é utilizar as informações que a gente tem com uma entrega contínua, esse desenvolvimento e entrega de produtos de uma maneira mais ágil”, completa.

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