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Nós somos a resistência, afirma presidente da Rimini Street

Dar suporte de TI ao cliente não é tarefa fácil. E quando essa atividade é feita por um terceiro que, muitas vezes, não teve relação com o desenvolvimento do produto em si e compromete-se a atendê-lo 24 horas por dia, sete dias por semana, esse desafio é ainda maior – e é isso que a Rimini Street se propõe a fazer.

Fundada em 2005 com uma equipe composta excepcionalmente por especialistas de nível sênior, o objetivo principal da empresa é solucionar o problema do cliente. “A maioria das pessoas vem de desenvolvimento ou consultoria”, conta Sebastian Grady, presidente global da empresa.

Isso porque, segundo ele, 65% dos problemas que chegam até a companhia acontecem em razão de mudanças em códigos ou dados e, para manter customizações funcionando é preciso de alguém especializado. Essa também é uma das promessas da companhia: prestar suporte para todas as personalizações feitas pelos clientes corporativos e com economia de manutenção de software.

“Nosso custo de manutenção é metade do que o cliente pagaria para SAP ou Oracle atualmente, com o diferencial de fornecermos um serviço mais profundo”, garante, acrescentando que, hoje, de forma geral no mercado, cerca de 22% do valor pago no contrato por licença para uso de software é relativo à manutenção, montante esse que a empresa poderia reverter em inovação e implementação para se tornar mais competitiva, cortar custos ou ampliar receita.

Um dos grandes problemas considerados pelo executivo e – motivo pelo qual a companhia atua nesse modelo – é que nem sempre as empresas precisam de upgrades de software, mas são obrigados a fazê-lo para não ficar sem suporte – como aconteceu quando o Windows encerrou recentemente as atualizações para a versão XP do seu sistema operacional.

“O motivo número um para upgrades é por conta de encerramento de suporte e não porque as empresas precisam de novos recursos e funcionalidades”, observa. A solução oferecida pela Rimini Street é o suporte estendido por 15 anos “desde o primeiro momento que uma empresa vem a nós como cliente”, afirma Grady.

“Somos parte da resistência que fará com que a balança volte a ser favorável para o lado do cliente“, sentencia o executivo. “Acredito que, daqui dez anos, empresas como SAP e Oracle terão um suporte melhor do que possuem hoje, porque empresas como a nossa as forçarão a fazer isso. Somos os concorrentes de que eles necessitam.”

Os frutos dessa estratégia contabilizaram mais de 1,1 mil clientes em 33 países. Além disso, a empresa registrou neste ano receita de US$ 30,8 milhões no trimestre fiscal encerrado em 30 de setembro – crescimento de 38% em relação ao ano anterior. São 39 trimestres de crescimento consecutivo, de acordo com os resultados financeiros da companhia.

Os planos continuam ambiciosos e contam com expansão de portfólio para suporte, investimento em capital humano especializado, expansão global e até mesmo abertura de capital da empresa, com previsão da oferta pública inicial (IPO) já para o próximo ano.

Foco no Brasil
Neste ano, a Rimini Street, com sede na Califórnia, nos Estados Unidos, inaugurou seu primeiro escritório em São Paulo, para ficar mais próxima da demanda proveniente da América Latina – em especial a vinda do Brasil. “É o nosso foco”, afirmou Grady.

Para o próximo ano, a companhia visa prospectar clientes em solo nacional, de acordo com Edenize Maron, gerente-geral para América Latina. A executiva, com experiência de 13 anos na própria SAP, foi escolhida para comandar a operação. “O objetivo é atender essa demanda latente no Brasil para então fazer o rollout de escritórios em outros países”, conta em entrevista exclusiva ao IT Forum 365.

A Rimini chega ao País para reafirmar a proposta da empresa feita em outras regiões. “No geral, os recursos são escassos, sendo 80% para manter operação e apenas 20% do budget da TI é voltado para inovação. Só tem uma maneira de melhorar e passar os próximos anos de maneira sustentável: gastar menos com operação para que se tenha fundos para investimentos. E é aí que a Rimini entra”, afirma Edenize.

Atendimento em português, tempo de resposta mais agressivo que o provedor original, além do preço reduzido, estão entre os principais diferenciais da empresa, garante a executiva. “Fazemos o desenvolvimento necessário para aquele cliente, naquela versão, para aquele escopo”, explica.

O foco inicial da companhia era atrair as médias empresas, mas a demanda mudou rapidamente. “Para nossa surpresa, as grandes companhias estão nos procurando”, conta a executiva.

A expectativa para o ano que vem é de explosão na demanda de contratos – especialmente por conta da crise, que continuará a pressionar líderes de empresas a cortar custos e inovar com menos. Passada essa instabilidade, Edenize acredita que o posicionamento da Rimini Street a manterá como colaboradora. “A crise dá oportunidade de o cliente experimentar algo novo e, uma vez exposto a isso, ele não mais aceitará ser mal atendido e transcenderá a questão do custo”, observa.

Há quase um semestre no comando, a executiva já tem na mão sete contratos – conquistados em dois meses de trabalho – com grandes nomes na lista como Embraer, Gol Linhas Aéreas, Positivo Informática e Rodobens. “Estamos no modo de investimento. Crescemos muito, mas também contratamos muito e estamos com operação cada vez mais forte na Europa, Ásia e agora com América Latina”, conta, complementando que o objetivo é a consolidação como empresa global.

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