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Nissan quer seus veículos autônomos rodando dentro de cidades em 2020

Diversas montadoras estão na CES deste ano apresentando seus protótipos e soluções para o futuro dos carros conectados e autônomos. Nem todas, no entanto, trouxeram roadmaps e demonstrações reais de como toda a mágica irá funcionar no dia a dia, sobretudo, se pensarmos em cidades com trânsito complexo como São Paulo, Cidade do México ou Nova York. Das que trouxeram, a Nissan chama a atenção pela clareza e realidade com que enxerga tudo acontecendo na vida real. O CEO e presidente do conselho da montadora, o brasileiro Carlos Ghosn, usou o palco do evento para defender o ideal da companhia, que mira com todo esse arsenal tecnológico zero emissão e zero acidentes fatais, e para apresentar a plataforma SAM (Seamless Autonomous Mobility), baseada em inteligência artificial e hospedada em nuvem, com a qual a empresa entende que irá se diferenciar da concorrência e entregar valor inestimável à sociedade.

“Os carros conectados e autônomos já trouxeram mais mudanças para a indústria nos últimos dez anos que as demais inovações dos últimos 50. Estamos trabalhando para ser uma empresa preparada para o que está por vir, de maneira que a indústria do transporte entregue aquilo que as pessoas querem”, comentou o executivo. Olhando para o futuro, com a tecnologia em desenvolvimento, eles querem dizimar as mortes por distrações e tornar as pessoas ainda mais produtivas e conectadas. “Nos EUA as pessoas gastam ao menos uma hora por dia no trânsito e esse tempo servirá para uma vídeochamada, por exemplo. Os clientes querem mais escolhas e conveniências”, completou, ressaltando que os testes feitos até o momento demonstraram resultados bastante positivos. 

O executivo apresentou algumas previsões que corroboram com o roadmap da Nissan e a urgência geral com que o tema de autos conectados e autônomos é tratado pelas montadoras. Até 2030, pelos menos 15% dos veículos já poderão ser autônomos e 25% serão elétricos, contra 1% de 2015. Já para 2025 a expectativa é que praticamente todos os carros estejam conectados a internet. “Essas mudanças estão acontecendo rapidamente e a Nissan participa delas. E nossa visão de mobilidade inteligentes é baseada em três pilares: direção inteligente; energia inteligente para desempenho e investimento para emissões zero; e integração inteligente, para tornar o carro mais integrado e conectado à sociedade, incluindo a polícia. Nosso compromisso é com zero emissões e zero fatalidades”, resumiu.

Tudo no seu tempo

Para chegar a esse objetivo, toda a aposta da companhia está no SAM, um sistema baseado em inteligência artificial em nuvem e que usa o assistente pessoal da Microsoft Cortada, com a qual se pode praticamente bater um papo como demonstrado. A plataforma foi toda desenvolvida com tecnologia da Nasa, o que permite a tomada de decisões rapidamente e numa escala nunca antes vista. No Japão, já foi selada uma parceria para iniciar os testes a partir de 2020 com a empresa de internet japonesa Dena.

A empresa recorreu à tecnologia da Nasa por inspirar-se nas missões espaciais. Ainda que não exista trânsito no espaço, uma missão enviada a Marte, por exemplo, enfrenta diversos desafios que podem ser utilizados como experiência para o desenvolvimento do sistema. Além disso, a Nasa consegue monitorar e controlar os movimentos e rotas a milhas e milhas de distância, algo fundamental quando se pensa em veículos autônomos. Em uma das demonstrações feitas por Maarten Sierhuis, diretor do centro de desenvolvimento da Nissan no Vale do Silício, foi apresentado o comportamento do veículo ao se deparar com um obstáculo inesperado no caminho. O carro simplesmente parou, acionou o pisca alerta e enviou um alerta à central de monitoramento que, remotamente, refez a rota do veículo. “Para as pessoas será um sistema mais inteligente e seguro. O SAM é uma necessidade. Isso estará nas ruas antes do que vocês possam imaginar”, disparou.

Por falar em colocar o sistema em produção, a companhia dividiu a jornada do veículo autônomo em quatro etapas: a primeira é a condução autônoma sem mudança de pista, quando o motorista programa velocidade e distância e deixa o carro se autoguiar, o que já existe no Japão; a segunda consiste em autonomia para mudar de pistas, o que deve estar no mercado em 2018; a terceira, em 2020, será liberar os carros para rodar dentro de cidades como Tóquio; por fim, a quarta, será o veículo 100% autônomo, cujos testes começam em breve,  mas tendo em mente a meta de zero emissão e zero acidente fatal.

*O IT Forum 365 viajou a Las Vegas a convite da CTA, organizadora da CES

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